4 - Subjetividade, Trabalho e Gestão de Pessoas

A análise de HOBSBAWN (1995) sobre fatos históricos ocorridos entre 1914 e 1990 em nível mundial, leva à perspectiva que esse período não tem demonstrado qualquer sinal de estabilização ou tendência de equilíbrio.

Para o autor, o século acaba em problemas, impacto de um cenário de incerteza tem acarretado profundas modificações nas organizações e no sistema produtivo. Além disso, a globalização econômica acelerou significativamente o ambiente empresarial, ligando o mercado mundial e integrando cada produtor ao sistema internacional.

A melhoria no produto fabricado pode ser obtida mais rapidamente que a melhoria da gestão das pessoas. Uma das linhas de pensamento contemporâneo busca o diferencial competitivo para as organizações por meio da Gestão de Pessoas, uma vez que somente com as mudanças comportamentais podem-se alcançar alguns patamares ideais (dos quais a flexibilidade faz parte). Em decorrência de tais transformações, houve uma mudança nas funções das empresas, que vêm sendo obrigadas a assumir novas responsabilidades, especialmente ligadas ao campo da cidadania e da busca da qualidade de vida na sociedade.

A organização passa a ser, portanto, considerada além de seu espaço tecnológico e/ou econômico, para revelar-se como espaço social. A ampliação do espaço organizacional no âmbito da sociedade é fruto da própria conjuntura na qual ela se insere, marcada em particular pela abertura das relações empresariais (não basta só produzir, é necessário se relacionar nas esferas exteriores aos muros da organização). Nesse sentido é que se pode afirmar que essas organizações atuam de modo a estruturar “sujeitos do trabalho”. Na visão de WIGLEY (1994), citada em FONSECA (1997), “além de concentrar a atenção nas edificações existentes no parque fabril, é necessário associá-las (as organizações) a premissas sócio-político-pedagógicas determinadas, que as colocam como (...) garantia cultural de uma série de qualidades e valores, como a ordem, a estabilidade, a segurança, o controle, a delimitação, o enclausuramento (...) (WIGELY, 1994:241)”



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