Que ideia, que ideal ou ideologia pode ser legitimamente posta na égide da estrutura social com o fim de unificar o múltiplo? O Bem Comum, por certo. Mas só se pode alcançar o Bem Comum por meio da Justiça, e a Justiça mora no coração da Ética e a Ética é constitutiva das relações entre os homens. Ethos: a morada construída do homem, o cimento que mantém os tijolos unidos. Como manter os tijolos unidos?
O que é uma nação? Se nações são comunidades imaginadas, construídas, quem as constrói? Com a imaginação de quem isto é feito? Como é possível compartilhar um passado em comum? Com o que é possível projetar o futuro? Se mais do que o “exercício de construção da memória” precisamos de uma “adesão a valores e propósitos comuns”, não estamos entrando no terreno da Ética e da Política? Meu Deus, lá vem aquela palavrinha de novo: Cidadania. Alguns antropólogos como Maurice Godelier e Jacques Godbout, inspirados pela obra de Marcel Mauss, têm falado num tal “valor de vínculo”. Dizem que, sem o Dom, a Dádiva que mantém os vínculos entre os seres, a natureza e isto que chamamos Deus, tudo o que resta à sociedade é o Terror. O Homem é mais que um feixe de relações, posto que, se as relações são, a mais das vezes, inevitáveis, os vínculos traduzem um ato de escolha, uma deliberação. Por isso somos sempre responsáveis pelos vínculos que cativamos. Cidadão não é um ser imaginário ou uma abstração. Cidadão só existe na relação com seu concidadão. Cidadania é o vínculo entre os cidadãos, é o que, justamente, os torna cidadãos. Uma sociedade é formada por cidadãos não por indivíduos. Como, então, podemos construir uma sociedade de cidadãos? |
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