Unidade 3 Módulo 3
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Modulo 3 - Financiamentos e Capital

1 - Busca de financiamentos


Na busca de financiamento, o cartão de visitas do empreendedor é um plano de negócio bem elaborado. Portanto, essa deve ser a sua preocupação número 1.

Existem muitas queixas de empreendedores no que se refere a obter financiamento no Brasil. Isso ocorre em virtude das exigências estabelecidas pelos agentes financeiros (bancos de varejo principalmente), das altas taxas de juros cobradas e das dificuldades em pagar os empréstimos depois de concretizado o acordo.

O fato de não existirem políticas públicas claras que apóiem o empreendedorismo no país não justifica jogar toda a culpa do insucesso do empreendimento no governo.

O empreendedor deve utilizar sua capacidade de planejamento e habilidade de negociação, bem como seu networking, para identificar as melhores alternativas no mercado para injetar capital em seu negócio.

A falta de informação de alguns empreendedores leva ao desconhecimento de alternativas para capitalizar sua empresa, nascente ou em desenvolvimento.

A maioria dos empreendedores recorre apenas aos bancos de varejo. Na verdade, eles poderiam ser mais bem informados sobre as várias formas de financiamento existentes, antes de tomar a decisão de qual delas utilizar em sua empresa e quando isso será feito.


A informação é a alma do negócio!


Networking refere-se a rede de comunicação no trabalho.




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Modulo 3 - Financiamentos e Capital

Os tipos de financiamento são basicamente divididos em:

  • Dívida - o dinheiro emprestado é assegurado de alguma forma com algum tipo de propriedade (garantias);
  • Eqüidade - equivale a uma quantia de capital injetado no negócio, usualmente em dinheiro ou em forma de ativo.

A maioria dos novos negócios opta por dívidas de longo prazo ou por constante eqüidade de capital para preparar o crescimento da empresa.

A vantagem do empréstimo é que o processo é relativamente simples e rápido, e o empreendedor não precisa abrir mão de ações da empresa. A desvantagem, no entanto, é que o risco envolvido quando se contrai uma dívida é muito maior, já que não se tem certeza de que a empresa vai crescer o suficiente para honrar seus compromissos.

O que ocorre geralmente é um misto entre as duas coisas, combinação de dívida e eqüidade. Para isso, o empreendedor deve conhecer as opções que existem e os riscos que cada uma traz ao negócio, bem como o custo que ele terá para obter o capital solicitado.


Não há regra para se saber qual é a melhor opção!
O momento histórico da empresa também é importante!

Veja:

  • Para uma empresa que está sendo criada, geralmente as melhores opções são os empréstimos, as economias pessoais da família, de amigos e de angels e, também, entrar em incubadoras de empresas e programas especiais do governo. Isto porque os bancos de varejo, as empresas de leasing etc., exigem muita contrapartida para efetuar o empréstimo a altas taxas de juros, inviabilizando-o, e empresas de capital de risco dificilmente investirão em empresas nascentes devido ao alto risco do negócio.
  • Empresas em estágios mais avançados, com dois ou três anos de existência, são mais atrativas para os capitalistas de risco, pois essas empresas passaram pela difícil fase inicial de inserção no mercado e necessitam de mais capital para um rápido crescimento, com boas expectativas de valorização e retorno do investimento.

Essas alternativas de financiamento serão apresentadas neste módulo tendo como referência o trabalho de Dornelas (2001).

Não esqueça:


O plano de negócio é a principal ferramenta do empreendedor em busca de capital.

É pela análise do plano que os investidores decidirão ou não pelo investimento na empresa.



Angels são investidores não institucionais que em geral financiam os empreendedores que estão entre o estágio de concepção do negócio e a sua implementação.



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2 - Fontes de financiamento

  • Economia pessoal, família, amigos

É o tipo de financiamento mais comum e que geralmente é conseguido devido a fatores pessoais e do ambiente que cerca o empreendedor. Esse é o único caso em que valem mais a amizade e a confiança que as outras pessoas têm no empreendedor do que um plano de negócios.

A decisão de se emprestar ou não o dinheiro não se dará com base em fatores relacionados ao rendimento do dinheiro, e sim como uma forma de auxílio a um amigo conhecido e que inspira credibilidade. Isso, às vezes, pode prejudicar a própria amizade, caso no futuro o empreendedor não consiga honrar seus compromissos com a família e amigos. O financiamento pode se dar por meio de empréstimo (dívida ) ou eqüidade (participação no negócio ).

Além de recorrer à família e aos amigos, o empreendedor também pode utilizar as economias pessoais. Algumas alternativas são: dinheiro do fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS), venda de imóvel, venda de automóvel ou outro bem, ou utilizar o cartão de crédito para financiamento de curto prazo.



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  • Angel Investor (investidor pessoa física)

O angel, ou investidor pessoa física, é um capitalista de risco que possui dinheiro e busca alternativas para obter melhor rentabilidade para esse dinheiro. Ele é quem coloca o seed money necessário para a criação de muitos negócios. Mas, para isso, analisa muito bem o plano de negócios da empresa e o seu potencial. Geralmente esse dinheiro é concedido em troca de uma participação acionária na empresa, ou de uma quota do capital social da empresa que está sendo criada.

Esse tipo de investidor está começando a se tornar conhecido no Brasil, mas há alguns anos essa figura praticamente não existia. A principal argumentação para essa mudança positiva é o fato de o país estar passando por um período de estabilidade econômica, o que não ocorria há muitos anos. Há oito ou dez anos era preferível aplicar no mercado financeiro, que oferecia rendimentos vultosos com riscos praticamente nulos. O angel é mais comum nos Estados Unidos, onde é um dos grandes responsáveis pelo financiamento das empresas start-ups.

Mas, quem são os angels?

Em sua maioria são homens que já obtiveram sucesso empresarial na vida, com idade entre 40 e 60 anos e com educação superior. Em geral, são empreendedores em busca de retornos acima da média do mercado (e por isso aceitam o risco). Não se envolvem na gestão do negócio, mas gostam de opinar e de ser conselheiros. Gostam de negócios cuja base é a inovação e procuram o retorno do capital investido em, no máximo, três a cinco anos. Para encontrá-los, o empreendedor deve usar sua rede de contatos e comunicar-se com todos à sua volta, pois os angels não se expõem.



Seed money é o capital semente, ou seja, é o recurso usado, por exemplo, para o investimento inicial em um projeto, empresa ou desenvolvimento inicial do produto.




Empresas start-ups são empresas em fase embrionária que se encontram no processo de implementação e organização de suas operações. Nesse estágio a empresa pode não ter iniciado a comercialização em massa de seus produtos, mas já desenvolveu e testou o protótipo inicial.




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  • Fornecedores, parceiros estratégicos, clientes e funcionários

Em princípio, pode parecer estranho ao empreendedor o fato de encontrar fornecedores, parceiros, clientes e funcionários na lista de fontes de financiamento. Na verdade, isso acontece porque a pequena empresa deve, necessariamente, utilizar todas as alternativas possíveis para manter seu capital de giro e o fluxo de caixa positivo.

Uma boa negociação com fornecedores, parcelando a compra da matéria prima e até mesmo obtendo carência para o seu pagamento, pode ajudar substancialmente a empresa.

O mesmo costuma acontecer com parceiros estratégicos, que poderão ajudar a empresa sabendo que serão recompensados no futuro. Essas são alternativas de financiamento indireto e de curto prazo.

Existem os casos de ótimos clientes que antecipam o pagamento das mercadorias, em troca de descontos ou outros benefícios, financiando indiretamente a produção dos bens adquiridos.

Muitos funcionários possuem espírito empreendedor e podem ser uma boa fonte de financiamento para a empresa. Eles estão dispostos a abrir mão de um salário maior em troca de participação nos resultados, ou mesmo em troca de ações da empresa, ficando mais motivados e trabalhando além do normal, na expectativa de grandes resultados pela frente.



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  • Capital de risco

Há no Brasil muita discussão em torno do termo capital de risco (do inglês, venture capital), principalmente após a grande expansão no número de empresas ponto com.

Quem investe em capital de risco?

Geralmente, as empresas que investem em capital de risco são grandes bancos de investimento, compostos por profissionais de altíssimo nível e experiência no mercado financeiro, que administram grandes quantias de dinheiro.

A função principal dessas empresas é encontrar empresas e negócios com alto potencial de desenvolvimento em cerca de três a cinco anos, que experimentem retornos sobre o capital investido (rentabilidade do capital) muito acima da média do mercado. Essas empresas geralmente formam uma carteira de investimentos, contendo negócios de alto potencial de retorno, mas com altos riscos também. Por isso, são chamadas de empresas de capital de risco.

Existe um mito nesse mercado, mostrando que em cada dez empresas investidas, cerca de duas dão retorno esperado. Porém, quando isso ocorre, o retorno proporcionado pelos 20% investidos compensa a perda dos outros 80%.

Quem recebe esse tipo de investimento?

As empresas iniciantes dificilmente recebem capital de risco. Esse tipo de investimento é mais indicado para empresas que já estão saindo da fase start-up e que precisam crescer rapidamente. Empresas de base tecnológica são o principal alvo dos capitalistas de risco.

Para que um capitalista de risco injete dinheiro em sua empresa, o empreendedor deve mostrar que seu negócio tem pelo menos quatro características:

• uma excelente equipe de gestão;
• um bom plano de negócio;
• um mercado-alvo expressivo e em crescimento e
• uma idéia realmente inovadora.



Empresas ponto com são empresas de comercialização eletrônica que exploram a comercializaçao de serviços ou produtos usando a Internet.



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As empresas têm fases de investimento.

Ao entender como são as principais fases, fica fácil perceber em quais estágios o capital de risco está mais presente. Às vezes, existem várias rodadas de investimento, os chamados first round, second round etc., e em cada rodada de investimento os capitalistas anteriores procuram realizar seus lucros, ao vender parte de sua participação na empresa.

1ª Fase - Pré-inicial ou idéia.
2ª Fase - Inicial ("start-up").
3ª Fase - Expansão
4ª Fase - Consolidação e saída dos "angels" e capitalistas de risco.



1ª Fase - Pré-inicial ou idéia

Uma quantidade inicial de capital, proveniente do próprio empreendedor, de amigos, angels etc., é investida para validar a idéia e finalizar o desenvolvimento do produto, desenvolver o protótipo etc. Muitas empresas incubadas encontram-se nessa fase.



2ª Fase - Inicial (start-up)

A empresa já está constituída, o produto está sendo melhorado e a aceitação piloto em alguns mercados está sendo analisada. Nesta fase, talvez o capitalista de risco invista na empresa, mas é muito difícil, devido ao alto risco do negócio. Geralmente o seed money (dinheiro semente) virá de angels. A empresa geralmente tem menos de um ano de existência.



3ª Fase - Expansão

A empresa já está se desenvolvendo e precisa de mais capital para financiar seu rápido crescimento. Esse capital necessário é maior que o seed money e virá da primeira rodada de investimento de capital de risco, o first round. As negociações com o capitalista de risco são muito importantes nesta fase, pois as cobranças por resultados serão muito grandes. A empresa geralmente estará com dois ou três anos de existência.



4ª Fase - Consolidação e saída dos angels e capitalistas de risco

Nesta fase a empresa busca uma expansão ainda maior, negocia uma aquisição, parcerias, outras rodadas de investimento com outros fundos etc. e começa a gerar os resultados almejados pelos investidores iniciais que realizam seu lucro, saindo da empresa. Começa um novo ciclo na empresa, com a consolidação do negócio e a possibilidade de abrir o capital em bolsa de valores, o chamado IPO – Initial Public Offering (oferta pública inicial de ações ).



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Modulo 3 - Financiamentos e Capital

Os capitalistas de risco geralmente não participam diretamente da gestão do negócio investido.

No entanto, eles têm participação garantida no conselho de administração do negócio, poder de sugerir ou vetar executivos, direcionar a estratégia do negócio e cobrar do empreendedor a busca de resultados.

O empreendedor deve estar ciente disso quando optar por essa alternativa, pois muitas vezes terá que aceitar os conselhos dos capitalistas, mesmo não concordando com eles.

Os capitalistas agirão como sócios minoritários do negócio, mas por tempo determinado, previamente acordado, ao final do qual ocorrerá sua saída do negócio. Independentemente do resultado obtido, ambas as partes podem estabelecer um novo acordo por um novo período, com outras condições.

Os empreendedores devem entender que o capitalista quer que a empresa seja bem-sucedida no menor tempo possível, pois ele investiu dinheiro no empreendimento. Além de auxiliar o empreendedor com o capital necessário para financiar a empresa, os bancos de investimento também podem identificar parceiros estratégicos e auxiliar o empreendedor no estabelecimento dessas parcerias, pois possuem um networking espetacular.

Como mensurar a quantia do capital acionário da empresa que deve ser cedida aos capitalistas de risco?

Essa é uma dúvida muito presente na gestão do empreendimento. Existe um padrão de regras, mas uma boa estratégia é a utilização das projeções financeiras contidas no plano de negócios da empresa, no qual devem estar claros índices como o VPL (valor presente líquido do negócio, quanto vale a empresa), TIR (taxa interna de retorno, qual o retorno para o investidor) e o valor do investimento necessário.

Essa pode ser uma boa referência para o início das negociações. O empreendedor deve tomar cuidado para não se comprometer com o que não poderá cumprir, pois os capitalistas se preparam muito bem para cada negociação da qual participam. É importante que o empreendedor também se prepare para a negociação.


Veja a Relação de alguns fundos e bancos de investimento.



Relação de alguns fundos e bancos de investimento
Fundo
Endereço na Internet
 Latinvest
www.latinvest.com.br
 EVM
www.monitor.com
 BankBoston
www.bankboston.com.br
 Merrill Lynch
www.ml.com
 Advent
www.adventinternational.com
 CRP
www.crp.com.br
 Pactual
www.pactual.com.br
 Opportunity
www.opportunity.com.br
 Dynamo
www.dynamo.com.br
 Investidor Profissional
www.investidorprofissional.com.br



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Modulo 3 - Financiamentos e Capital

3 - Financiamentos mediados por programas do governo

Existem várias fontes de financiamento, provenientes dos governos municipais, estaduais e federal, desconhecidos pela maioria dos empreendedores. Essa é uma falha que deveria ser sanada a curto prazo, garantindo o acesso à informação para a maioria dos empreendedores do país.

Os empreendedores mais atentos procuram se informar e estão sempre a par das várias formas de obter financiamento via órgãos do governo. Muitos desses programas destinam recursos a fundo perdido para as empresas ou a um custo subsidiado, ou seja, muito abaixo do praticado no mercado. Alguns exemplos serão apresentados na seqüência e devem ser considerados continuamente pelos empreendedores quando identificarem a necessidade de capitalizar sua empresa.

Programa RHAE

O Programa de Capacitação de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas – RHAE – é uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, que tem como objetivo dotar o país de melhores condições de competitividade no mercado mundial, por meio da capacitação de recursos humanos.

Suas duas metas básicas e complementares são a ampliação e a consolidação da base tecnológica brasileira em temas de caráter estratégico, identificados e selecionados pelo governo brasileiro.

O apoio complementar do programa caracteriza-se pela concessão de bolsas a projetos idealizados pelas entidades participantes de forma a dar suporte parcial ao desenvolvimento delas. As entidades executoras devem evidenciar condições para realização do projeto (RHAE, 1999).



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Programa PIPE da FAPESP

O PIPE – Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), foi iniciado em 1997, financiando a pesquisa para inovação tecnológica diretamente na empresa. A concessão de financiamento é feita ao pesquisador vinculado ou associado à pequena empresa situada no estado de São Paulo, que deve ter até cem empregados. A intenção é incentivar tais empresas a investir na pesquisa de novos produtos de alto conteúdo tecnológico ou em processos produtivos inovadores que possam aumentar sua competitividade.

Em razão de suas características peculiares, o risco de projetos de inovação em pequenas empresas é certamente muito maior. Por essa razão, o PIPE contempla três fases, sendo que a primeira, com duração de seis meses, visa à realização de pesquisas sobre a viabilidade técnica das idéias propostas. Os projetos cujos resultados forem considerados satisfatórios passarão à fase II. Esta fase é a do desenvolvimento da parte principal da pesquisa. Sua duração é de no máximo 24 meses.

Para essa fase é imprescindível a apresentação de um bem estruturado plano de negócio da empresa. A fase III deve ser realizada pela pequena empresa ou por sua coordenação para a criação de novos produtos comerciais com base nos resultados obtidos nas fases anteriores.

Outros estados brasileiros também estão lançando programas similares, através de suas fundações de pesquisa estaduais. Rio de Janeiro e Minas Gerais já possuem recursos destinados a essa finalidade.



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Programa Softex

O Programa Nacional de Software para Exportação – Softex 2000 – foi criado em 1993 pelo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - como "uma contribuição decisiva para a mudança de foco da indústria de informática brasileira: de hardware para software; do mercado doméstico para o mercado internacional; da produção e distribuição em pequena escala para grande escala" (Softex, 2000).

Em 1994, o Programa Softex 2000 foi considerado pelo MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) um dos três Programas Prioritários em Informática – PPI. No final de 1996, foi criada a Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software – Softex, uma entidade civil sem fins lucrativos, designada pelo MCT para atuar como gestora do Programa Softex 2000.

Os investimentos privados no programa vêm crescendo desde 1993, quando de sua criação.

Atualmente, existem vinte núcleos Softex em várias cidades brasileiras e seis no exterior. As empresas, além de auxílio para participação de eventos e feiras no exterior, recebem bolsas do CNPq para seus colaboradores desenvolverem ou aperfeiçoarem seus produtos de software.

Uma iniciativa que merece destaque é a criação dos Centros Softex GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços) que estão vinculados aos vinte núcleos regionais atualmente credenciados pela Sociedade Softex. A missão desses centros é apoiar atividades de empreendedores em software, estimulando o ensino da disciplina em universidades e a geração de novas empresas star-ups de software.



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Programa PROSOFT

Em 1998, houve a primeira concessão de crédito para empresas de software voltadas ao PROSOFT – uma linha de crédito para empresas de software, regida por convênio assinado entre a Sociedade Softex, a ASSESPRO – Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática – e o BNDES.

O programa funciona da seguinte forma (Softex, 2000):

PROSOFT – financia investimentos voltados para desenvolvimento, localização e comercialização de software, vinculados a um plano de negócio avalizado pela Sociedade Brasileira para Promoção de Exportação de Software – Softex.

Clientes – empresas privadas produtoras de software, sediadas no país e cujo controle efetivo seja exercido direta ou indiretamente por pessoas físicas domiciliadas e residentes no país, que apresentem faturamento bruto de até R$35 milhões, no último exercício social.

Itens financiáveis:

  • Investimentos fixos, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos novos, nacionais – quando atenderem ao critério de PPB (Processo Produtivo Básico) – e importados – quando não houver similar nacional, incluindo despesas de instalação e importação;
  • Iinvestimentos em capacitação tecnológica, incluindo pesquisa e desenvolvimento de produtos, informatização e treinamento de pessoal;
  • Investimentos em comercialização e marketing de produtos e serviços no país e no exterior.

Condições do financiamento:

  • Participação: 85% do investimento total, limitada a um mínimo de R$200.000 (duzentos mil reais) e um máximo de R$3,5 milhões (três milhões e quinhentos mil reais) por grupo empresarial.
  • Prazo total máximo: 72 meses, incluída a carência máxima de 24 meses, definidos na análise do plano de negócio.
  • Reembolso do principal: em dezesseis parcelas trimestrais e sucessivas, a partir do término da carência.

Remuneração do BNDES: variável, a ser definida na análise da operação, incidindo sobre a diferença entre a receita líquida trimestral efetiva e a receita líquida trimestral projetada (receita projetada é a prevista na análise da operação, sem computar o impacto do financiamento do BNDES). Esta remuneração será acrescida ao reembolso do principal.



Para conhecer um pouco melhor a atuação do BNDES veja o que diz o engenheiro Carlos Eduardo Castelo Branco, Gerente de Operações de Software do BNDES e representante do Banco no Conselho de Administração da Sociedade Softex, em trechos da entrevista publicada no livro Empreendedorismo - Transformando Idéias em Negócios, de José Carlos Assis Dornelas, 2001, pag. 187.

"A função do banco é contribuir para o desenvolvimento de empresas competitivas, geração de empregos, redução de desequilíbrios regionais, buscando níveis de rentabilidade adequados aos recursos aplicados."

"O site do BNDES - www.bndes.gov.br - tem tudo o que a instituição oferece. O banco é uma grande empresa, que não opera no varejo, e, por conseguinte, precisa de distribuidores de seus produtos. Assim, ele definiu que, de forma geral, financiamentos de menor porte devem ser realizados preferencialmente por meio dos agentes financeiros, cerca de 170 bancos (linha BNDES automático). Dentro do escopo do Programa Brasil Empreendedor, do governo federal, desenvolveu-se uma série de mecanismos para facilitar o acesso ao crédito por parte de pequenas e médias empresas. Para o capital de risco existem operações da BNDESPAR direta ou indiretamente, já que ela é investidora de diversos fundos - ambos, quando subscrevem ações, fazem-no em participações minoritárias. Fazem, também, subscrição de debêntures conversíveis em ações, que são convertidas em capital conforme o desempenho da empresa e das perspectivas de liquidação do investimento realizado. E há ainda o PROSOFT, um financiamento de risco para empresas desenvolvedoras de software."



Tela 13
Modulo 3 - Financiamentos e Capital

Programa da Finep

A Financiadora de Estudos e Projetos – Finep – é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e tem como objetivo promover o desenvolvimento tecnológico e a inovação no país. A Finep apoia empresas nascentes e emergentes de base tecnológica; empresas incubadas e empresas situadas em parques tecnológicos; empresas, instituições de pesquisa e demais agentes sociais que realizem esforços de investimento em P&D; incubadoras de empresas e demais instituições promotoras da difusão de tecnologias para empresas; empresas brasileiras de engenharia consultiva; empresas e demais agentes sociais que demandam serviços à engenharia consultiva nacional. A Finep dispõe de vários mecanismos e instrumentos articulados em quatro linhas de ação que visam a atender a públicos-alvo distintos.



Tela 14
Modulo 3 - Financiamentos e Capital

INOVAR – Capital de Risco Brasil

Esse projeto foi idealizado pela Finep e visa a construir um ambiente institucional que favoreça o florescimento da atividade de capital de risco no Brasil, de forma a estimular o fortalecimento das empresas nascentes e emergentes de base tecnológica brasileira.

A incubadora de Fundos Inovar é um consórcio entre Finep, Sebrae, Fumin – Fundo Multilateral de Investimentos do BID e do Petros (Fundo de Pensão da Petrobrás), para apoio à criação de fundos de capital de risco no país. Os empreendedores poderão apresentar seus planos de negócios pelo portal na Internet destinado a esse fim. E, ainda, poderão participar dos Venture Foruns em todo o país, que são encontros organizados entre empreendedores em busca de capital de risco e investidores em busca de boas oportunidades de investimento.



Tela 15
Modulo 3 - Financiamentos e Capital

Programas Sebraetec e PATME, do Sebrae

Dos programas de auxílio às pequenas empresas mantidos pelo sistema SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Brasileiras -, destacam-se o Sebraetec e o PATME, ambos visando a suprir deficiências tecnológicas nas MPE (Micro e Pequenas Empresas Nacionais).

O Sebraetec é um serviço de consultoria tecnológica para fornecer soluções rápidas e sob medida para problemas específicos das micro e pequenas empresas. O público-alvo do Sebraetec são as MPE comerciais, industriais, de serviços e rurais; empreendedores na fase final de definição de seus empreendimentos e empresas informais, em fase de formalização.

O PATME presta serviço de consultoria tecnológica mais abrangente e que proporcionam a inovação tecnológica da empresa, visando a melhoria e o aperfeiçoamento no produto ou processo e não apenas a correção ou solução de problemas pontuais.



Tela 16
Modulo 3 - Financiamentos e Capital
Programa Brasil Empreendedor

O Programa Brasil Empreendedor foi criado pelo governo federal, com o objetivo inicial de estimular o desenvolvimento das MPE. Os recursos do programa são provenientes do BNDES, que disponibilizou tais recursos para as instituições financeiras do governo federal responsáveis pela concessão de crédito.

Os agentes financeiros federais responsáveis pela operação do Programa Brasil Empreendedor foram: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal. A participação do Sebrae e de suas agências espalhadas pelo país, também foi de suma importância, pois sua responsabilidade foi a de desenvolver ações voltadas à capacitação empresarial dos empreendedores em busca de recursos financeiros.



Tela 17
Modulo 3 - Financiamentos e Capital
Resumo

Na busca de fontes de financiamento e de capitalização para o negócio, dois elementos são fundamentais para o empreendedor: a informação e um bom plano de negócio.

O financiamento pode ser obtido sob a forma de dívida ou eqüidade, mas em geral ocorre uma mistura das duas coisas. O momento histórico vivido pela empresa, fase pré-inicial, inicial, expansão ou consolidação também é importante para a indicação da fonte financiadora ou capitalizadora.

Entre as fontes básicas de financiamento encontram-se: economia pessoal, da família ou de amigos; angel investidor; fornecedores, parceiros estratégicos, clientes e funcionários; e capital de risco.

Há também, fontes de financiamento provenientes de programas de governo em seus diversos níveis: municipal, estadual e federal.

O empreendedor deve estar sempre atento na busca de informações sobre programas de governo e outras fontes de financiamento às quais possa recorrer.


Unidade 3 Módulo 4
Tela 18
Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio

1 - Importância das assessorias

As assessorias são tão importantes quanto conseguir o financiamento inicial. São elas que ajudarão o empreendedor a ultrapassar a primeira e, em geral, a mais difícil fase do empreendimento: a sobrevivência.

No início, a maioria das empresas são frágeis, não têm marcas, não são conhecidas e também não conhecem muito bem o mercado no qual atuam. O empreendedor deve estar devidamente amparado nessa fase inicial do negócio, pois pode se ver em dificuldades e seu sonho pode tornar-se pesadelo em pouco tempo.

O empreendedor deve estabelecer uma rede de contatos para desenvolver e fazer sua empresa crescer. Essa rede de contatos serve, ainda, para que ele identifique em quais aspectos o seu negócio precisará de assessoria externa.

Nos próximos tópicos algumas formas de assessoria serão apresentadas tendo como referência a obra de Dornelas (2001).

Lembre-se:


• Por melhor e mais completo que seja o empreendedor, ele sempre necessitará de ajuda externa.
• As assessorias devem ser consideradas tanto no momento da criação do negócio, como no seu desenvolvimento ou em outros momentos críticos.



Tela 19
Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio

2 - Incubadoras

O primeiro parque tecnológico surgiu no final da década de 1940, em Palo Alto, na Califórnia. Ele se caracterizou pelo estreito relacionamento com a Universidade de Stanford e, posteriormente, serviu de modelo para outros países.

A partir de então, conceitos como capital de risco, empreendedorismo e incubadoras de empresas são considerados condições básicas para o desenvolvimento econômico regional, pela transferência de tecnologia e pela inovação tecnológica.

A participação dos governos no incentivo às empresas de base tecnológica tem sido fundamental, assim como no caso dos parques e pólos tecnológicos, direcionando os esforços de pesquisa para setores considerados prioritários.

Os primeiros pólos tecnológicos no Brasil foram criados em 1984, por meio de convênios do CNPq com instituições localizadas em São Carlos - SP, Joinvile - SC, Campina Grande - PB, Manaus - AM e Santa Maria - RS, com o intuito de criar empresas de base tecnológica nessas regiões.

Incubadoras de Empresas

Com a criação dos pólos e parques tecnológicos, o surgimento do conceito de incubadoras de empresas de base tecnológica foi natural, já que, para abrigar as iniciativas empreendedoras, havia necessidade de se construir espaços que proporcionassem um perfeito desenvolvimento desses negócios inovadores e acelerassem sua consolidação.

O que são as incubadoras de empresas?

As incubadoras de empresas são entidades sem fins lucrativos, destinadas a amparar o estágio inicial de empresas nascentes que se enquadram em determinadas áreas de negócios.


Uma incubadora de empresas pode ser definida como um ambiente flexível e encorajador no qual são oferecidas facilidades para o surgimento e o crescimento de novos empreendimentos.



Tela 20
Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio

O que uma incubadora de empresa oferece?

Além de assessoria na gestão técnica e empresarial da organização, a incubadora oferece a possibilidade de serviços compartilhados como laboratórios, telefone, Internet, fax, telex, copiadoras, correio, luz, água, segurança, aluguel de área física e outros.

Uma incubadora de empresas é um mecanismo (mantido por entidades governamentais, universidades, grupos comunitários etc.) de aceleração do desenvolvimento de empreendimentos, por meio de um regime de negócios, serviços e suporte técnico compartilhado, além de orientação prática e profissional.

A empresa incubada não encontrará fora da incubadora as facilidades existentes dentro dela, a preços tão competitivos e de forma tão integrada.

Por isso, a taxa de mortalidade de empresas incubadas é muito menor que as taxas de mortalidade das micro e pequenas empresas em geral, e a procura por vagas em incubadoras, por parte das empresas nascentes, vem aumentando no país.

Qual o objetivo de uma incubadora de empresas?

O objetivo principal de uma incubadora de empresas deve ser a produção de empresas de sucesso, em constante desenvolvimento, financeiramente viáveis e competitivas em seu mercado, mesmo após deixarem a incubadora. Isso geralmente acontece em um prazo de três a quatro anos.


Todo empreendedor e sua empresa passam por um processo de seleção para serem admitidos em uma incubadora, devendo apresentar, entre outros documentos, um plano de negócio de seu empreendimento.



Tela 21
Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio
O número de incubadoras de empresas tem crescido rapidamente em todo o mundo. No Brasil, a primeira incubadora de empresas foi criada em 1984, junto ao polo tecnológico em São Carlos – SP. Desse período até os dias atuais, o número de incubadoras de empresas no país aumentou consideravelmente.


Atualmente, principalmente no estado de São Paulo, cria-se, em média, uma incubadora de empresas por mês.

Essas incubadoras são de caráter bastante eclético:

  • Tecnológicas: abrigam empresas de base tecnológica, por exemplo, software, eletrônica, biotecnologia etc.
  • Convencionais: abrigam empresas industriais e de serviços nas quais a tecnologia não é o fim, mas pode ser utilizada no processo de produção do bem ou serviço, por exemplo, vestuário, calçados etc.
  • Mistas: que abrigam ambos os tipos de empresa.

Segundo a ANPROTEC, em todo o país o número de incubadoras de empresas já é superior a 135, sendo o Brasil o país que experimenta a maior taxa de crescimento em todo o mundo.

A principal justificativa para esse explosivo crescimento, deve-se ao fato de o Sebrae nacional e os estaduais terem financiado grande parcela dessas incubadoras nascentes, com renovação anual dos convênios firmados.



Tela 22
Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio

Incubadoras de Internet

As incubadoras de empresas de Internet, ou que abrigam empresas ponto.com, são diferentes das incubadoras tradicionais.

Uma empresa de Internet (ponto com) pode optar por pleitear uma vaga em uma incubadora tecnológica mantida por entidades como as citadas nas incubadoras de empresas, ou optar por uma vaga em incubadoras de Internet.

Qual a diferença entre os dois tipos de incubadoras?

A principal diferença é que essas incubadoras voltadas exclusivamente às empresas ponto.com são privadas, visam ao lucro e atuam como capitalistas de risco, ou seja, além de oferecerem infra-estrutura, suporte, auxílio na gestão etc., também entram com o capital necessário para começar o negócio.

Nesse caso, a empresa deve ceder uma parte das ações da empresa à incubadora, em troca de todo esse pacote de benefícios. Geralmente, as incubadoras focadas na Internet selecionam bem os empreendedores e seus negócios, usando como base o plano de negócios da empresa, o histórico da equipe de gestão, o mercado-alvo e avaliando se a idéia é realmente inovadora.

Outros modelos de incubadoras têm surgido para esse mercado de empresas ponto com, como as aceleradoras, mas o conceito básico é o mesmo. O empreendedor receberá suporte e capital em troca de uma parte na sociedade de seu negócio.


Conheça alguns exemplos de incubadoras e aceleradoras de empresas ponto.com brasileiras visitando seus sites:

www.nexxy.com.br, www.e-platform.com.br, www.ideia.com.



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Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio

3 - Outras formas de assessoria

SEBRAE

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae - é a principal entidade que apóia os empreendedores brasileiros.

Foi criado por lei de iniciativa do Poder Executivo, mas é predominantemente administrado pela iniciativa privada. A instituição é resultado de uma decisão política que atende aos anseios dos empresários e do Estado, que se associaram para criá-la e cooperam na busca de objetivos comuns. Sua criação ocorreu em 1990 pelas Leis 8.029 e 8.154 e a regulamentação data do mesmo ano, pelo Decreto Nº 99.570.

Está espalhado por todos os estados da Federação, com dezenas de agências em várias cidades do país.

O que faz o Sebrae?

O Sebrae está sempre ao lado das empresas!

Faz desde aconselhamento sobre a forma de abertura da empresa, passando por consultorias básicas e pontuais, até cursos sobre gestão de qualidade, fluxo de caixa, marketing, finanças etc..

Organiza ainda caravanas para participação das empresas em feiras e eventos nacionais e internacionais (como expositores ou visitantes), promove rodas de negócios, auxilia o empresário em questões relacionadas ao comércio exterior, apóia as incubadoras de empresas e demais eventos voltados às pequenas empresas, entre outros.


Para saber onde encontrar uma agência do Sebrae e mais informações sobre a entidade, acesse o site www.sebrae.com.br.



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Assessoria jurídica e contábil

É de extrema importância que o empreendedor seja muito bem assessorado, desde o início, em relação aos aspectos jurídicos e contábeis de seu negócio. Para isso, ele deve recorrer a advogados e contabilistas que inspirem confiança, entendam do assunto e, mais do que isso, auxiliem o empreendedor na gestão de seu empreendimento.

É muito comum alguns contadores apenas indicarem as datas e os valores dos impostos e tributos que o empreendedor deve pagar, não assessorando a empresa de forma a otimizar a administração de seu fluxo de caixa, por exemplo. O empreendedor deve fazer uma boa pesquisa antes de optar por um ou outro profissional, ou escritórios de advocacia e contabilidade, e esclarecer todos os direitos e deveres de cada um, antes de definir sua escolha.

Geralmente, essa escolha é feita por motivos pessoais e indicações de amigos e conhecidos. Nesses casos, o empreendedor deve procurar conhecer algumas empresas assessoradas pelo profissional antes de contratá-lo, não tomando a decisão final antes disso.

Outro detalhe refere-se ao preço da assessoria. Os que cobram muito abaixo da média geralmente não oferecem serviço completo. E nem sempre os que cobram acima da média do mercado são os melhores. Por isso, fazer uma boa pesquisa de mercado também é recomendado.



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Universidades e institutos de pesquisa

O empreendedor brasileiro não tem o costume de recorrer às universidades e aos institutos de pesquisa para resolver problemas de tecnologia em suas empresas, ou mesmo para promover inovação tecnológica.

O Brasil oferece boas opções para que isso ocorra e o empresariado deve estar atento a elas, principalmente àquelas ligadas a empresas de base tecnológica.

Existem algumas iniciativas brasileiras que merecem destaque:

• Programa Disque Tecnologia da Universidade de São Paulo
• As fundações existentes em universidades públicas


O Programa Disque Tecnologia da Universidade de São Paulo, por ter como foco principalmente as empresas de pequeno porte, acabou se transformando em uma forma simples e eficaz de resolver problemas que não requerem alto teor tecnológico, do ponto de vista acadêmico, mas que otimizam de forma substancial processos e produtos em pequenas empresas, que não possuem know-how para fazê-lo.

Um dos fatores que talvez tenha sido importante para a validação do modelo foi a participação das diversas empresas juniores da USP no projeto, atuando como agentes de ligação entre o meio acadêmico e as pequenas empresas.

Dessa forma, e por meio de programas como o Sebraetec do Sebrae – SP, que arca com parte dos custos da consultoria às empresas, o Disque Tecnologia além de solucionar os problemas das empresas é uma forma de baixo custo e acessível a qualquer pequena empresa com problemas tecnológicos.

Esse modelo envolve diferentes grupos de pessoas:

  • os pesquisadores, detentores do conhecimento e da tecnologia;
  • as empresas carentes de soluções para otimizar seus produtos e processos;
  • as empresas juniores que funcionam como agentes intermediários e facilitadores do processo e são formadas por estudantes dos mais variados cursos de graduação empenhados na consolidação do modelo.
  • o agente financiador, Sebrae – SP, que aporta recursos financeiros subsidiados com o objetivo de viabilizar a participação dos vários grupos nesse processo.



As fundações são entidades criadas a serviço das universidades, sendo um elo entre o meio acadêmico e as empresas. Constituem outra forma, existente nas universidades públicas, para se promover a transferência de tecnologia ao setor privado.



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Existem, ainda, os institutos de pesquisa que têm administração independente, mas possuem estreito relacionamento com as universidades.

Esses institutos desenvolvem pesquisa de alto valor agregado e procuram promover a transferência de tecnologia para o setor privado, seja em forma de parcerias ou até mesmo induzindo a criação de novas empresas de base tecnológica. Porém, apesar da interação com o meio empresarial, esses institutos necessitam de substanciais recursos do governo para sua sustentação.

Apesar de haver alguns problemas, existem muitos empreendedores usufruindo dos benefícios proporcionados por institutos e universidades. Para isso, o empresário tem que ser ousado e procurar essas instituições, sem medo de parecer patético em relação ao seu problema, ou achando que as instituições são morosas na resolução dos mesmos.

Em muitos casos, a parceria entre universidade e indústria é um sucesso, bastando que as regras sejam claras desde o início, com os papéis de cada um bem definidos.

As empresas juniores por serem formadas por alunos e não terem fins lucrativos, são uma alternativa de baixo custo e boa qualidade para as pequenas empresas, pois sempre têm o respaldo de professores que auxiliam os alunos na resolução dos problemas.


Recursos do governo - Como o Brasil não possui uma política clara, definida e contínua de investimento em pesquisa e desenvolvimento, os institutos não conseguem estabelecer planejamentos de longo prazo, haja vista as constantes reduções de verba que, em muitos casos, forçam os pesquisadores a redirecionarem suas pesquisas e partirem para soluções alternativas que nem sempre são as melhores opções. Mesmo nos casos de institutos e centros de pesquisa reconhecidos nacional e até internacionalmente, como a Embrapa, com seus vários centros de pesquisa nos estados brasileiros, e o IPT de São Paulo, essa constatação se torna evidente.



Existem mais de duzentas empresas juniores em todo o país, atuando nos mais diversos ramos de atividade, de consultoria em gestão à resolução de problemas de engenharia ou química, e o número dessas empresas está aumentando a cada ano. O empreendedor interessado em contatar essas empresas juniores pode se dirigir às universidades e faculdades que têm cursos sobre o tema de interesse. Muito provavelmente haverá uma empresa júnior preparada para atender o empreendedor.



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Endeavor

A Endeavor é uma entidade internacional sem fins lucrativos que atua no suporte ao empreendedorismo em países em desenvolvimento.

Sua meta é acabar com os fatores que têm limitado o surgimento de empreendimentos inovadores. Entre esses fatores estão:

• dificuldade de acesso a capital;
• desinformação e
• carência de serviços de suporte qualificados.

Outro ponto bastante explorado pela Endeavor é apoiar o desenvolvimento de modelos de empreendimentos de sucesso no Brasil que possam servir de referência para futuros empreendedores.

O que faz a Endeavor?

As atividades principais da Endeavor são:

  • identificar e desenvolver empreendedores, assistindo-os na estruturação, no planejamento e aprimoramento de seus negócios e na busca por capital e parceiros estratégicos;
  • criar exemplos educativos de empreendedorismo ajudando a criar outras histórias de sucesso;
  • promover o interesse de investidores locais por empresas empreendedoras, criando fóruns que promovam a aproximação entre eles e
  • formar alianças com universidades e instituições de apoio a empreendedores, a fim de estabelecer programas duradouros que disseminem a prática do empreendedorismo no país.


A Endeavor foi criada em 1997 por um grupo de ex-alunos da Universidade de Harvard que, após ter trabalhado em mercados emergentes, identificou a carência de programas que efetivamente apoiassem empreendedores.

Essa entidade chegou ao Brasil em 2000 e já auxilia muitos empreendedores brasileiros.



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Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio
A Endeavor possui um modelo de desenvolvimento para eliminar as barreiras enfrentadas por empreendedores, tais como o pequeno número de exemplos de sucesso no país, falta de preparo gerencial e contatos, acesso limitado a capital, falta de informação e suporte especializado.

Para tanto, a Endeavor organiza seminários, palestras, eventos educativos etc., sempre com a participação de empreendedores e investidores, promovendo a troca de experiências, networking e o fortalecimento da comunidade empreendedora do país.

Aos empreendedores aprovados em seu processo de seleção, a Endeavor oferece, além dos programas descritos anteriormente, alguns serviços especiais.

Só alguns empreendedores são selecionados para esses serviços extras, porque a estrutura enxuta e a limitação de recursos da entidade impedem o atendimento complementar de todos os que a procuram.

A Endeavor atua ainda junto aos investidores, mostrando-lhes o potencial de investimento em empresas em fase start-up e em desenvolvimento, junto às universidades, visando ao intercâmbio de experiências e à elaboração de estudos de casos, e junto a instituições governamentais, ONGs etc.


Alguns serviços especiais oferecidos aos selecionados são:

  • e-MBA: mestrandos em administração das melhores universidades americanas trabalham com o Empreendedor Endeavor em projetos especiais;
  • VentureCorps: o Empreendedor Endeavor tem acesso à rede Endeavor de contatos internacionais composta por profissionais de primeira linha que disponibilizam o seu tempo para aconselhar e orientar os novos empreendedores;
  • Eventos: acesso a conferências e seminários abertos ou fechados ao público, nos quais se discutem temas de relevância para o empreendedor;
  • Workshops: são palestras fechadas a um número restrito de Empreendedores Endeavor nas quais membros de sua rede de contatos orientam os empreendedores sobre temas específicos como rodadas de investimentos, planejamento fiscal e outros;
  • Road Shows: participação em eventos especialmente desenvolvidos para apresentação dos projetos dos Empreendedores Endeavor para investidores nacionais e internacionais;
  • Clínicas: Empreendedores Endeavor recebem uma consultoria intensiva a partir da apresentação de seu plano de negócios para três diferentes mentores da rede de VentureCorps;
  • Café da manhã com o Conselho: mensalmente, a Endeavor organiza um café da manhã com a presença de um dos membros de seu conselho ou "advisory council" e de todos os Empreendedores Endeavor para intensificar a troca de experiências entre os mesmos.




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4 - Sistema de franquia

O sistema de franquias ou franchising consiste em uma estratégia para a distribuição e comercialização de produtos e serviços e constitui uma das mais promissoras formas de parceria empresarial, em que são compartilhados as experiências e os riscos entre o franqueador e o franqueado.


Existem dois personagens principais no processo: o franqueador e o franqueado.


Para que o sistema tenha êxito e todos saiam ganhando, é importante cultivar e manter a relação de troca com outros empresários. O movimento no país é representado pela ABF – Associação Brasileira de Franchising.

Aderir a esse sistema é uma boa possibilidade para os empreendedores brasileiros, que são assessorados pelo franqueador, tendo mais segurança na abertura do próprio negócio.

Além disso, existem linhas de financiamento específicas do BNDES para o surgimento de mais unidades franqueadas no país, agora com maior apoio, devido à criação do Programa Brasileiro de Franquias.

O BNDES dispõe, ainda, de um programa de financiamento a franquias que envolve desde a concessão de créditos para construção ou reforma, aquisição de equipamentos nacionais, instalações diversas, aquisição ou desenvolvimento de softwares, pesquisas, estudos e projetos, taxa de franquia, treinamento inicial até a parcela de capital de giro associado ao investimento nos projetos industriais ou comerciais.



O primeiro franchising ocorreu nos Estados Unidos e o caso mais conhecido de sucesso é o McDonald`s, que surgiu em 1954, e hoje é o maior franqueador do mundo.

Antes de definir o que é franchising, é necessário padronizar os termos utilizados daqui para a frente e interpretá-los adequadamente para melhorar o entendimento do texto.

  • Franchising: genericamente, significa o ato de franquear ou, franqueamento.
  • Franqueador: O conceito exato de franqueador indica aquele que outorga, ou que concede o direito de uso de sua marca a outrem.
  • Franqueado: é uma pessoa física ou jurídica que adere à rede de franquia, investindo recursos no próprio negócio, o qual será operado com a marca do franqueador e de acordo com todos os padrões estabelecidos e supervisionados por este.
  • Franquia: denomina o sistema como um todo. Utiliza-se o termo franquia para designar a tipologia adotada como um sistema de distribuição avançado.



O Programa Brasileiro de Franquias é uma parceria entre o Governo Federal – por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o BNDES, a Associação Brasileira de Franchising – ABF – e o Sebrae.

Esse programa tem o objetivo de fortalecer o sistema de franquias, adequando a legislação, oferecendo capacitação em gestão empresarial, crédito e assessoria técnica aos franqueados e franqueadores.




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Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio

O sistema de franquias pressupõe uma forma de assessoria que o franqueador oferece ao franqueado.

Todo o conceito moderno de franquias está baseado em uma palavra principal. Esta palavra-chave é sistema, pois a franquia terá sido previamente formatada segundo técnicas e métodos, integrando operacionalmente todas as atividades de uma empresa.

O franqueador deve disponibilizar a assessoria técnica necessária ao bom desempenho do franqueado, que é representada pela assistência jurídica, fiscal e tributária, econômica e financeira, engenharia, treinamento, pesquisa de localização do ponto de venda, marketing, informática etc..

Além disso, presta serviços de supervisão nas operações de comercialização e administração geral do franqueado, que é representado pela auditoria dos sistemas, métodos e procedimentos.

O sistema de franquias é, portanto, uma saída para as pessoas que querem ter seu próprio negócio, porque permite que elas aproveitem o conhecimento e a competência de empresas que estão estabelecidas há anos no mercado. As vantagens estão principalmente no fato de se poder aproveitar experiências de empresas estruturadas, evitando assim, erros freqüentes entre empresários iniciantes.

Por se constituir numa modalidade alternativa para a estruturação do próprio negócio, o sistema de franquias merece ser analisado mais detalhadamente. Confira no próximo módulo!


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Modulo 4 - Assessorias Para o Negócio
Resumo

Todo empreendedor precisa ter em mente que as assessorias são tão necessárias ao seu negócio quanto as fontes de financiamento. Ele poderá e deverá recorrer a elas tanto na fase inicial de implantação da empresa quanto em fases posteriores ou em momentos críticos e de dificuldade.

As incubadoras de empresas assessoram o estágio inicial de empresas nascentes que se enquadram em determinadas áreas de negócios. Elas cumprem o papel de orientar a gestão do empreendimento e possibilitar serviços e suporte técnico compartilhados a um custo inferior ao de mercado. As incubadoras podem ser de caráter tecnológico, convencional ou mistas.

Existem, também as incubadoras de Internet que diferem das anteriores principalmente por serem voltadas exclusivamente para empresas ponto com e por visarem lucro, atuando como capitalistas de risco.

O Sebrae é outra forma de assessoria atuando desde a fase inicial de implantação da empresa até etapas avançadas de gestão, capacitação, finanças etc..

Em relação aos aspectos jurídicos e contábeis do negócio, o empreendedor deve sempre recorrer a advogados e contabilistas.

Embora os empreendedores brasileiros não tenham o hábito de recorrer às universidades e institutos de pesquisa, essas instituições constituem uma boa possibilidade de se obter assessoria, principalmente em se tratando de empresas de base tecnológica.

Há, também, a Endeavor, entidade internacional sem fins lucrativos, que se dispõe a assessorar empresas selecionadas com um modelo de desenvolvimento que as conduza ao sucesso.

E, finalmente, há o sistema de franquias que, além de proporcionar assessoria na implantação e desenvolvimento de empresas, constitui, também, uma modalidade alternativa para a estruturação do próprio negócio.


Unidade 3 Módulo 5
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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

1 - Tipos de franquia


A principal característica da franquia empresarial é a sistematização.

A sistematização é obtida pela padronização das técnicas e dos métodos utilizados para formatar e estruturar o negócio que se pretende franquear. Isto quer dizer que quanto mais organizada for a empresa do franqueador, melhor e mais fácil será a implantação desse mesmo sistema nas unidades franqueadas.

O conceito tradicional de Franchising tenderá a evoluir dentro de alguns anos até atingir o estágio de sistema de franquia formatada uma vez que aquele tipo de franquia, também chamado de Product and Trade Mark Franchising - Franquia de Produto e Marca Registrada - , não engloba serviços ou suporte adicional nem a formatação de técnicas e métodos de comercialização. Nessa modalidade, o franqueador cede sua marca para o franqueado simplesmente revender os produtos fornecidos a um preço mais alto, que é o seu lucro.

A seguir serão apresentados diferentes tipos de franquia. Confira!



A franquia de negócio formatado consiste na estruturação e desenvolvimento de todo o processo de operação do negócio que será repassado aos franqueados. E tem a finalidade de reproduzir em qualquer localidade uma cópia fiel das características básicas que permitem fazer daquele negócio um sucesso.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

Franquia de produto

Esse tipo de franquia está voltado à produção e comercialização de bens que são produzidos pelo franqueador ou por terceiros previamente licenciados, sob a supervisão do franqueador.


O franqueado comercializará exclusivamente em seu ponto de venda franqueado os produtos daquela marca.

No Brasil, temos muitos exemplos de franquia de produto, como as perfumarias e confecções/venda de roupas com marcas de referência.



Um exemplo de franquia de produto é a V.R., marca brasileira, cujos produtos são fabricados pela indústria de confecções Vila Romana S.A.

O conceito de franquia de produto é bastante complexo, pois a mesma indústria de confecções Vila Romana é também licenciada para fabricar no Brasil produtos de griffes internacionais, como Pierre Cardin, Christian Dior, Yves St. Laurent e outros, distribuídos em lojas multimarcas.

As marcas internacionais Calvin Klein e Giorgio Armani já possuem pontos de venda exclusivos no Brasil.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

Franquia de distribuição

Neste tipo de franquia o franqueador não produz os produtos, mas seleciona de forma rigorosa as empresas que o fabricarão. A franquia se refere à venda das mercadorias produzidas por terceiros selecionados pelo franqueador que conta com uma central de compras e de distribuição.

O exemplo típico de franquia de distribuição são os postos de combustível.

Outro exemplo que recentemente está surgindo são os distribuidores de atacadistas, de bens de consumo ou alimentação, cujas enormes centrais de compra podem abastecer grandes atacadistas distribuidores, que poderão tornar-se franqueados.

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Franquia de distribuição - No caso do petróleo, a central de compras das distribuidoras (Shell, Esso e outras) adquire o óleo bruto dos fornecedores árabes ou americanos (perfuradores de poços de petróleo) e o transporta em navios próprios ou fretados até a usina de refino para a separação do óleo e seus derivados. Em seguida, transporta a gasolina em caminhões-pipa próprios ou alugados até o ponto de distribuição de terceiros ou próprios e franqueia a marca e os métodos e sistemas de comercialização de seus produtos. A distribuição obedecerá à arquitetura-padrão dos pontos de venda franqueados, que são os postos de serviço, bem como deverá se ater aos métodos e sistemas de comercialização do franqueador.

Nesse exemplo, verifica-se uma franquia composta, pois envolve produtos, serviços, marca, além de agregar também ao sistema de distribuição a venda de outros produtos relacionados ao produto principal. Hoje, inclusive, bens de conveniência como cigarros, sorvetes, gelo, pilhas, lanternas etc., além daqueles diretamente relacionados ao produto principal, foram adicionados aos pontos de distribuição dos franqueados, para permitir ao comerciante um lucro extra, através de maior faturamento, proporcionando melhor relação de custo por unidade vendida.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

Franquia de serviços

O franqueador desenvolve e oferece uma forma pessoal e diferente de prestação de serviços e cede a terceiros (franqueia) o direito de oferecer ao consumidor os mesmos serviços. Ao oferecer estes serviços o franqueado tem que obedecer aos padrões já conhecidos pelo consumidor.

Nesse tipo de franquia, a qualidade no fornecimento e prestação de serviços associados à garantia do produto são as principais fontes de atração para o consumidor final.

No Brasil, podemos observar vários exemplos de franquia de serviços como cursos de línguas e serviços autorizados.

Por meio do sistema de franquia de serviços, o fabricante fortalece sua imagem de credibilidade no mercado, beneficiando a todos os participantes no negócio, sem ter de manter lojas próprias.



No Brasil, o exemplo mais característico de franquia de serviços são as lojas-oficinas da SAB - Serviços Autorizados Brastemp -, onde o fabricante de eletrodomésticos (Brastemp) delega a uma competente rede de prestação de serviços, sob sua marca, a execução da manutenção, reposição e consertos aos seus clientes.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

Franquia industrial

Essa franquia se refere à fabricação de produtos com o objetivo de descentralizar geograficamente a produção de bens.

O franqueador concede o direito, todas as condições necessárias para que o franqueado industrialize o produto e forneça a tecnologia, know-how e todos os métodos e processos para que o franqueado industrialize o produto dentro dos acordos firmados, obedecendo à formatação existente.

Apesar do repasse da tecnologia de produção, o franqueador geralmente mantém o segredo industrial de seu produto, como é o caso da franquia industrial de refrigerantes.



O exemplo típico da franquia industrial são os engarrafadores de Coca-Cola, da Pepsi-Cola e outros similares, que recebem do franqueador total assistência técnica para a montagem de sua fábrica, obedecendo às especificações de máquinas, equipamentos e processo, até o arranjo físico das instalações industriais.

Nessa franquia formatada, o know-how de fabricação das garrafas e engarrafamento do produto é cedido pelo franqueador original, mas a fórmula química básica utilizada na composição da matéria-prima principal do xarope jamais será repassada, sob pena de quebra de segredo industrial. Caso não seja assim, o franqueador correria o risco de sofrer uma concorrência eficaz, pois os franqueados conseguiriam, com outro nome e com a mesma qualidade, fabricar integralmente o refrigerante.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

2 - Cessão de direitos

O franqueador cede ao franqueado um conjunto de direitos de propriedade incorpórea.


4
O franqueado tem o direito de uso do nome, marca e logotipo do franqueador.


4 Além da marca registrada, o franqueador também cede o seu >know-how e/ou know-why ao franqueado.



4 O franqueador também deverá ceder o >projeto de engenharia básica e detalhada do processo de fabricação dos seus produtos.



4
O franqueador deve ceder todo tipo de >assessoria técnica e supervisão necessárias ao bom desempenho do franqueado.



Nome, marca e logotipo – No caso de franquias nacionais esse direito deve estar devidamente registrado no INPI - Instituto Nacional de Propriedade Industrial - e/ou nas juntas comerciais dos seus respectivos Estados e/ou em cartórios de registro civil de pessoas jurídicas (títulos e documentos).
Em outros casos, como nas franquias internacionais, tanto a comprovação da titularidade, através de registros em seu local de origem, quanto a passagem pelo INPI são obrigatórias.




Know-how / know-why – Isso significa que ele disponibilizará as técnicas industriais e/ou sistemas e métodos administrativos/comerciais da sua organização, representados, fisicamente, pelos manuais de operação, bem como plantas do projeto arquitetônico e engenharia civil construtiva.



Projeto de engenharia básica – Juntamente com as orientações e informações sobre o projeto e processos básicos de produção, o franqueador disponibilizará as especificações técnicas das máquinas e dos equipamentos de produção, layout ou arranjo físico das instalações da unidade industrial e suas patentes industriais.

Esses direitos são fundamentais em casos de grande complexidade como na Franquia de Industrialização.



A assessoria técnica é representada pela assistência jurídica, fiscal e tributária, econômica e financeira, engenharia, treinamento, pesquisa de localização do ponto de venda, marketing, informática e outros tipos de assessoria recomendados.

Além disso, presta serviços de supervisão nas operações de comercialização e administração geral do franqueado, que é representado pela auditoria dos sistemas, métodos e procedimentos.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

3 - Compensação financeira

A compensação financeira pela transferência do sistema e participação no negócio é composta por três tipos de taxas cobradas aos franqueados.

  • >Taxa de franquia - também chamada taxa de entrada, que é paga pelo franqueado para ter o direito de entrar no sistema e participar da rede de franqueados. É cobrada uma única vez.
  • >Royalties - incide sobre um percentual de faturamento das vendas efetuadas em um período determinado e é cobrada pelo franqueador sobre as vendas dos produtos fornecidos e/ou serviços transferidos ao franqueado.
  • >Taxa de fundo de publicidade - taxa adicional, também representada por determinado percentual sobre o faturamento, cobrada pelo franqueador para financiar as campanhas de publicidade, propaganda e promoção da marca, produtos e/ou serviços oferecidos ao público consumidor pela rede de pontos de venda dos franqueados.

O sistema de franquia apresenta aspectos positivos e negativos tanto para o franqueador, quanto para o franqueado. Por isso, o empreendedor deve estudar e analisar as implicações e os cuidados necessários ao sistema, antes de optar por essa modalidade de negócio. Para saber mais sobre o sistema de franquias, consulte o site do SEBRAE.



O objetivo de tal fundo de publicidade é concentrar numerário suficiente para proporcionar campanhas publicitárias de melhor qualidade e maior cobertura de mercado, obtendo o desejado impacto junto ao público consumidor em geral e os respectivos clientes da rede. No caso de Franquia de Industrialização, essa taxa já vem embutida no preço de venda do fabricante-licenciado aos distribuidores dos produtos.

Os rateios de custos das campanhas publicitárias regionais serão cada vez menores, à medida em que a rede de franqueados for aumentando os seus pontos de vendas naquela região. Não obstante, estes custos crescerão se houver necessidade de campanhas de âmbito nacional e/ou internacional para abranger uma rede de distribuição maior.



Royalty
, é a “comissão estabelecida em contrato entre o proprietário e o usuário de uma patente industrial ou marca de fantasia para fim de sua comercialização" (Aurélio Buarque de Holanda).



Taxa de franquia – Em princípio, seria cobrada a título de reembolso de todos os custos de formatação do sistema, bem como, todas as técnicas comerciais e administrativas transferidas. Deveria também cobrir os custos de supervisão e auditoria incorridos, além dos direitos de propriedade incorpórea anteriormente tratados. Geralmente, no Brasil, esse cálculo é aleatório, não representando os custos reais de implantação da unidade franqueada, justamente pela ausência do projeto de formatação do negócio.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

4 - Vantagens e desvantagens do franqueador

Vantagens
Desvantagens
1. Rapidez de expansão 1. Perda parcial do controle
2. Aumento de rentabilidade
2. Maior custo de supervisão
3. Redução de custos 3. Maiores custos de formatação
4. Motivação maior dos franqueados 4. Perda do sigilo
5. Maior participação no mercado 5. Risco de desistência
6. Maior cobertura geográfica 6. Perda da liberdade
7. Melhor publicidade
7. Expansão sem planejamento
8. Menores responsabilidades 8. Seleção inadequada
9. Melhores representantes 9. Perda de padronização


Perda parcial do controle

Haverá uma perda parcial do controle sobre os atos de seus associados franqueados à medida em que as distâncias aumentam e os controles não forem estabelecidos adequadamente. Para tanto, os tipos de controle, bem como a necessidade de auditorias têm de estar explicitados em contrato.



Maiores custo de supervisão

O aumento do custo de supervisão cresce à medida que o franqueador necessita manter estreito controle sobre as operações de seus franqueados. Ele terá que aumentar o volume de troca de informações para corrigir eventuais desvios da rota prevista.

Os custos de supervisão tendem a aumentar proporcionalmente ao crescimento da rede franqueada, caso o franqueador pretenda manter o prestígio e a boa imagem de sua marca.



Maiores custos de formatação

Os custos de formatação de um Sistema de Franquia moderno são consideráveis, crescendo na razão direta do nível de qualidade dos sistemas, métodos e procedimentos adotados. Quanto maior a rede de unidades franqueadas, maior será a necessidade de manutenção dos sistemas de controle.

A quantidade de experiências individuais em cada unidade franqueada, somada às necessidades de alterações dos manuais de operação, causadas pelas constantes mudanças no comportamento do mercado, da política econômica, do fisco, dos tributos e das regras de administração e comercialização, irão gerar maiores custos de controle e adaptação do sistema.



Perda do sigilo

À medida em que o franqueador for transferindo o seu know-how ou know-why para os seus franqueados, haverá perda parcial do sigilo nas informações prestadas. O franqueador não transfere as "poções mágicas" do seu negócio, como vimos no caso da fórmula do xarope das "colas", especificamente no caso da Franquia de Industrialização.

Em compensação, alguns tricks of the trade - truques do negócio - têm que ser transferidos sob pena de inviabilizar o sucesso de seus franqueados, principalmente no que se refere aos conhecimentos de administração e comercialização.



Risco de desistência

O Sistema de Franquia, uma vez contratado, será obrigatoriamente bom para ambas as partes. Qualquer contrato que se tornar inconveniente para uma das partes irá gerar descontentamento e provocar a ruptura e a conseqüente descontinuidade das relações comerciais. A sazonalidade ou qualquer outro agravante externo que alterar a rentabilidade do negócio deverá ser discutida entre as partes, visando restabelecer o equilíbrio do negócio.

A desistência e a ruptura do contrato ainda trarão problemas adicionais ao franqueador que pouco poderá fazer para que o franqueado não se torne um concorrente potencial da sua rede de distribuição. Caso resolva abrir um negócio similar, aproveitando-se do conhecimento adquirido por força do aprendizado e treinamento nas operações do Sistema, somente uma competente ação judicial impedirá a concorrência direta.



Perda da liberdade

O franqueador perderá, parcialmente, a liberdade de introduzir na rede franqueada nova linha de produtos e/ou serviços sem consulta prévia.

O convencimento através do diálogo com os associados ao sistema será uma constante preocupação, pois qualquer lançamento estará baseado em testes controlados de simulação nas unidades-piloto da sua rede própria.



Expansão sem planejamento

Ao se fazer uma expansão da rede de distribuição muito rápida e sem planejamento, corre-se o risco de vender mais do que a capacidade de produzir, mesmo que haja aumento da produtividade nas suas atuais instalações industriais, ou que a capacidade ociosa possa inicialmente equilibrar vendas e produção.

Em outras palavras, ao se buscar o aumento do volume de vendas da rede, serão estabelecidos previamente os critérios de proporcionalidade em relação à produção. O incitamento da produção causado pelo investimento na compra de novas máquinas e equipamentos, pelo aumento de custos de administração de materiais e estoques, pelo crescimento de despesas de distribuição e expedição, bem como na contratação de recursos humanos para atender ao aumento da demanda e outros, acarretam o desequilíbrio anteriormente estabelecido.



Seleção inadequada

O franqueador precisa dedicar muita atenção ao processo de recrutamento e seleção de seus associados à rede de franqueados.

As características essenciais ao sucesso do empreendimento necessitam ser mantidas na sua totalidade., ressaltando-se, principalmente, as características psicológicas dos franqueados, em que o espírito empreendedor é a principal condição para o sucesso do sistema.



Perda de padronização

Muitas vezes, o franqueado muito criativo procura compensar a falta de produtos, buscando diversificar, não observando a padronização e o mix de produtos e/ou serviços. Satisfazer seus clientes não é atender aos seus desejos pessoais, pois não se pode confundir desejos criativos individuais ou de pequenos grupos com nicho de mercado para novos produtos.

A perda da padronização descaracteriza o sistema de franchising e, portanto, o franqueador precisa manter rígido controle sobre os produtos oferecidos pela rede franqueada para não descaracterizar a marca. Perder a imagem da marca é um sério dano à reputação do franqueador, que precisa ser evitado a qualquer custo.



Melhores representantes

O objetivo é recrutar as pessoas mais influentes do local, selecionando, dentre as personalidades respeitadas pela comunidade, os nomes mais representativos da região onde pretendem estabelecer-se.

A criteriosa seleção dos candidatos à franquia permite uma vantagem competitiva da nova unidade franqueada em relação à concorrência, pois o público consumidor percebe que o líder da região transferiu o seu prestígio pessoal à marca do franqueador, estando em perfeita sintonia com aquilo que seus conterrâneos esperavam dele.



Menores responsabilidades

Considerando que há independência jurídica e financeira entre o franqueador e sua rede de franqueados, as responsabilidades de administração do negócio em relação aos funcionários passam a ser exclusivamente dos franqueados em suas respectivas unidades. Portanto, o franqueador não arcará com despesas trabalhistas, impostos, folha de pagamento e demais encargos e/ou benefícios.



Melhor publicidade

O aumento do volume de recursos a serem aplicados em publicidade, propaganda, relações públicas, assessoria de imprensa, promoções, mala-direta, folhetos e outras aplicações de marketing, lastreado no fundo de publicidade da rede de franqueados, permitirá expandir a imagem da marca de produto e/ou serviços.



Maior cobertura geográfica

A expansão da rede de franqueados propicia maior cobertura geográfica, agregando novos territórios até então inexplorados, permitindo, dessa forma, a ocupação de espaço em mercados virgens, outrora distantes da empresa matriz.

Essa expansão das fronteiras da cidade, do estado e do país serve, inclusive, como vetor de comunicações no processo de internacionalização da marca do franqueador nos mercados externos.



Maior participação no mercado

A expansão da rede de franqueados necessariamente aumentará o volume de fabricação e vendas de produtos e, em conseqüência, a participação no mercado será maior. A fatia de mercado antes reservada ao franqueador e sua rede própria crescerá à medida em que os territórios forem sendo conquistados pela rede franqueada.



Motivação maior dos franqueados

A ambição do franqueado por um aumento de seus rendimentos e o orgulho de ser dono de seu próprio negócio fazem com que se sinta altamente motivado a trabalhar mais e com maior eficiência.

Esse incremento na motivação dos franqueados não só auxiliará a rede como um todo, pelo espírito de competição despertada, como também exigirá mais empenho do próprio franqueador no atendimento das necessidades da rede franqueada.



Redução de custos

A necessidade de redução de custos é bem melhor assimilada pelo empresário do que por seus funcionários, pois "é mais fácil gastar o dinheiro dos outros". À medida que o franqueado é proprietário do seu ponto de fabricação ou vendas, ele passa automaticamente a buscar novas formas de economia, que vão auxiliar os programas de redução de custos da rede. Objetivando aumentar a sua rentabilidade, o franqueado busca não só atender às recomendações do franqueador, como também o auxilia no controle das despesas.



Aumento de rentabilidade

O franqueador aumenta sua rede de industrialização ou de distribuição, utilizando-se do capital dos franqueados, que irão custear a instalação das unidades por sua conta, através do seu investimento em ativo fixo. Evidencia-se, dessa forma, que o incremento de vendas causado pela expansão da rede franqueada amortizará mais rapidamente o custo de investimento inicial.



Rapidez e expansão

Aumento da velocidade de expansão da rede de distribuição em vários locais concomitantemente, instalando unidades de ponto de venda e implantando a rede em um território geográfico maior.

Isto também se aplica à franquia industrial. Apesar das dificuldades causadas pela instalação das fábricas, considerando os diferentes métodos de comercialização e de administração adotados regionalmente, que exigem maior adaptação em cada país, o sistema de franquia de industrialização também pode ser rapidamente implantado, uma vez que as unidades fabris são moduladas em padrões de tamanho econômico e produtividade.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio

5 - Vantagens e desvantagens do franqueado

Vantagens
Desvantagens
1. Maior chance de sucesso 1. Maiores controles
2. Plano de negócio 2. Autonomia parcial
3. Garantia de mercado 3. Risco de descumprimento do contrato
4. Menores custos de instalação 4. Taxas de franquia
5. Economia de escala 5. Seleção ineficiente
6. Maior crédito 6. Localização forçada
7. Maior lucratividade 7. Restrições na cessão do sistema
8. Retorno sobre investimento mais rápido  
9. Pesquisa e desenvolvimento  
10. Independência do seu negócio   


Maiores controles

Em um Sistema de Franquia Formatada, os controles sobre as operações do franqueado são constantes e permanentes. Muitas vezes, a auditagem do sistema detecta falhas no cumprimento das obrigações por parte do franqueado que poderão acarretar aborrecimentos mútuos. Além dos controles financeiros e contábeis sobre as vendas para efeitos de pagamentos de royalties e fundo de publicidade, o franqueado sofrerá controles e revisões periódicas sobre suas operações, em relação a políticas, procedimentos e normas convencionadas.

A auditagem procura garantir os interesses dos quotistas ou acionistas no negócio, buscando reordenar para o rumo certo a gestão do empreendimento, verificando as causas e definindo as conseqüências da utilização inadequada dos princípios e normas geralmente aceitos na condução dos negócios.

Embora as constantes visitas do pessoal do franqueador sejam encaradas como um trabalho adicional desgastante, a auditoria serve, também, como guia orientador, indicando os pontos fortes e fracos da organização, auxiliando o franqueado em suas dificuldades do dia-a-dia. Entretanto, os controles excessivos e/ou absurdos podem cercear demais o espírito empreendedor do franqueado. Somente os controles essenciais devem ser mantidos, a não ser que o franqueado necessite da constante intervenção do franqueador.



Autonomia parcial

É bom lembrar que, ao se associar a uma rede de franqueados, o empreendedor estará intimamente ligado ao franqueador e a toda rede, pois a interdependência mútua é condição para o sucesso do conjunto.
O negociante independente tem um grau de liberdade total, mas a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso também é totalmente dele.

O cerceamento à autonomia do franqueado é parcial e refere-se somente aos aspectos básicos do sistema. A participação, tanto nas glórias quanto nos sacrifícios do empreendimento comum, será distribuída eqüitativamente entre todas as unidades da rede. A mentalidade de espírito de equipe também prevalecerá na rede franqueada e, portanto, ao se tomar uma iniciativa, mesmo que positiva, esta terá de contribuir para o todo e não só individualmente.

Outro aspecto de autonomia parcial se refere à criatividade, característica da personalidade empreendedora que, no caso da franquia, não poderá ser exercida livremente. Compete ao franqueador orientar o processo de inovações e alterações sugeridas, tentando aperfeiçoar o sistema e estender, após testes em suas unidades próprias, os benefícios a toda a rede, quando atender aos interesses do sistema como um todo.



Risco de descumprimento do contrato

Uma vez firmado o contrato com franqueador, pode ocorrer, por parte deste, o descumprimento de algumas ou muitas condições contratuais do negócio.

Em alguns casos especiais os produtos perderão a sua qualidade inicial, os fornecimentos não chegarão em tempo hábil para venda, o mix de produtos não será respeitado, estoques excessivos serão repassados, haverá diminuição da rentabilidade, a inovação da linha de produtos não acontecerá no ritmo desejado etc.

Enfim, quando as expectativas contratuais não forem atendidas, por causa de gestão ineficiente do franqueador, ambas as partes terão de contornar essa situação de insatisfação mútua buscando alternativas de solução para os problemas, sem descaracterizar o sistema.

Se o caso, porém, for de gestão inescrupulosa e permanecer o impasse por longo tempo, não haverá outro jeito senão descontinuar o contrato com este franqueador e buscar outro que realmente tenha condições de cumprir o contrato.



Taxas de franquia

Várias taxas incidem sobre o franqueado. Eventualmente, tornarão inviável o negócio se não forem compatíveis com os preços de mercado. Muitas vezes o franqueador na ânsia de franquear a sua marca, cobra taxas irreais. Os cálculos de rentabilidade e de viabilidade econômico-financeira terão de ser compatibilizados para permitir operacionalizar a franquia. Outras vezes, as taxas exigidas dos franqueados não condizem com o suporte de serviços oferecidos pelo franqueador. Nesses casos, as taxas são uma desvantagem.



Seleção ineficiente

Também pode haver seleção ineficiente por parte do franqueado, caso selecione erradamente um franqueador que se supunha até então possuir uma boa marca franqueável. Isso poderá acarretar sérios problemas operacionais no futuro do negócio, ainda mais se porventura vier a cair em mãos de empresário inexperiente e/ou inescrupuloso. O processo de compra de uma franquia certamente terá de passar por rigorosa seleção de empresas que estejam aptas a vender um bom sistema acoplado a uma conhecida marca.



Localização forçada

A responsabilidade final pela localização do PDV será sempre do franqueador, pressupondo que este tenha feito um completo estudo de localização das unidades para a distribuição dos seus produtos. Embora o franqueado possa fazer sugestões de vários locais para instalar o seu ponto de venda, trazendo alternativas para escolha do franqueador, este sempre o forçará a seguir sua orientação, com base em sua experiência anterior. Não basta, portanto, que o franqueado disponha de bom imóvel para instalar a franquia, pois, muitas vezes, lhe falta o conhecimento do negócio como um todo, para se efetuar uma boa seleção entre as alternativas mais adequadas para o sucesso das vendas.



Restrições na cessão do sistema

Tendo em vista que o contrato de franquia é intuiitus personae, isto é, entre pessoas, o franqueado não pode cedê-lo a terceiros. Quando da sucessão inter vivos ou causa mortis, nada pode ser transferido sem a prévia autorização do franqueador, explicitada em novo contrato. Para tanto, os sucessores do franqueado terão de iniciar o mesmo processo de seleção realizado pelo franqueado original que, uma vez aprovado, passará pelo escrutínio do franqueador, podendo este autorizar a cessão ou descontinuar o contrato. Essas circunstâncias serão atenuadas se o franqueado indicar como seu sucessor pessoa de confiança e preparada para assumir o negócio.



Independência do seu negócio

O franqueado que se associar a um sistema de franquia será independente jurídica e financeiramente em relação ao franqueador. Em outras palavras, a sua razão social estará desvinculada da razão social do franqueador. O vínculo existirá somente com relação ao nome de fantasia, isto é, com a denominação da marca e logotipo que giram na praça.

O vínculo contratual é intuitus personae, isto é, existe somente entre o titular do nome/marca/logotipo e a pessoa física do franqueado. Este precisa abrir uma empresa, pessoa jurídica, para administrar o contrato de franquia em nome da sua pessoa física.

Financeiramente, não existe vínculo pelo contrato de franquia e todas e quaisquer operações financeiras são de responsabilidade individual, inexistindo, contratualmente, o instituto da responsabilidade solidária entre as partes, pois tratam-se de duas pessoas jurídicas distintas.



Pesquisa e desenvolvimento

O franqueado não despenderá seus recursos financeiros, seu tempo e tirocínio na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Essa tarefa cabe inteiramente ao franqueador que, a seu custo, vai manter equipes de profissionais que identifiquem outros nichos de mercado, buscando conhecer aquilo que os clientes de seus produtos querem. Com base nos dados de pesquisas de mercado, o franqueador desenvolverá novos produtos e/ou aperfeiçoará os já existentes, objetivando aumentar as vendas através das técnicas de obsoletismo planejado de seus produtos e/ou serviços. Além disso, quando estes novos produtos forem lançados na rede, elas já terão passado pela fase de testes nas unidades próprias do franqueador.

Dessa forma, o custo de aprendizado do franqueado será bem menor do que as despesas de pesquisa de mercado e o desenvolvimento do produto por sua própria conta.



Retorno sobre investimento mais rápido

O retorno sobre o investimento inicial em unidades franqueadas será também obtido mais rapidamente que o negociante independente, uma vez que todos os benefícios de economias de escala influirão positivamente, reduzindo os custos previstos ou imprevistos e, consequentemente, os prazos para se atingir o ponto de equilíbrio e iniciar a fase de obtenção de lucros.



Maior lucratividade

O franqueado terá maior índice de lucratividade do que um negociante independente, uma vez que ele se beneficiará das economias de escala com maiores créditos, prazos de pagamento mais elásticos, menores custos de instalação, despesas reduzidas pelo rateio da verba de propaganda da marca e outras despesas inerentes à montagem do seu novo negócio. Conseguirá então obter melhor balanceamento dos investimentos inerentes à implantação da sua unidade, pois, sem dúvida, o seu fluxo de caixa refletirá um perfil de dívida alongado, permitindo financiar parte dessas despesas, com as entradas de suas vendas, equilibrando o seu capital de giro.



Maior crédito

Os franqueados poderão vender os produtos e/ou serviços a um custo menor do que a concorrência local e do negociante independente que, por não ter um tamanho econômico significativo, não usufruirá de descontos nos preços e prazos alongados ou de pagamentos em condições especiais. Os pequenos comerciantes individuais geralmente não possuem um sólido cadastro financeiro para garantir compras a prazo e, em conseqüência, não conseguem obter créditos privilegiados junto às instituições financeiras, ou outros benefícios que façam aumentar a sua margem de lucro.

Já os participantes de uma Rede franqueada gozam dos maiores benefícios creditícios, pois o sistema financeiro conhece as ligações do franqueador com seus associados, o que facilita a obtenção de créditos especiais, pois o franqueador dispõe de um significativo cadastro financeiro.



Economia de escala

Todos os custos de propaganda serão rateados entre os participantes da rede franqueada, o que faz diminuir o investimento em termos de quantidade, bem como melhorar a sua qualidade. Nas campanhas de publicidade, por exemplo, a rede pode contar com uma verba de propaganda maior, visando a melhorar a qualidade de mídia e obter maior abrangência geográfica dos meios de comunicação, permitindo, assim, melhor visualização da marca e fortalecimento da imagem a um custo bem menor do que uma campanha totalmente financiada pelo negociante independente.

O fundo de publicidade arrecadado entre os participantes da rede para financiar as despesas de propaganda e publicidade será investido dentro de um plano de marketing global integrado, que beneficiará toda a rede. Quanto maior a rede de distribuição, maior será a sua visibilidade pelos consumidores de seus produtos e/ou serviços.

Quanto às vantagens de preços obtidas por uma central de compras da rede, são evidentes as economias de escala, não só pela aquisição de lotes econômicos ideais, bem como em relação à manutenção de estoques reguladores, logística e distribuição de produtos, administração de materiais e outros benefícios. No investimento em ativo fixo, isto é, compra de máquinas, equipamentos e construção da sua unidade, os franqueados também poderão usufruir dos benefícios de redução de preços por quantidade, pois o franqueador irá indicar os melhores fornecedores de bens e serviços.

Suprimentos bem administrados podem gerar grandes lucros ao franqueador, cujas vantagens de economia de escala são parcialmente repassados à rede franqueada.



Menores custos de instalação

Geralmente, os custos de instalação de um negócio independente fogem à previsão, causando enormes problemas de fluxo de caixa ao empreendedor. Isto não acontece no caso de uma franquia formatada.

O franqueador informará ao franqueado todos os custos, desde a concepção até a instalação total da sua unidade. Calculará e informará o custo a ser rateado com outros franqueados ao fornecer o projeto arquitetônico e as plantas de engenharia de construção, executar a fiscalização da obra, especificar máquinas e equipamentos, enfim, dar todo o apoio necessário à construção e instalação da nova unidade, tomando por base os custos de sua unidade-padrão. Nem sempre, porém, essa contribuição valiosa, adquirida pelo "know-how" anteriormente desenvolvido pelo franqueador, é repassada integralmente de forma a viabilizar a instalação da unidade a um menor custo ao franqueado. Muitas vezes, as informações publicadas em artigos, guias e propaganda paga não correspondem à realidade do mercado.



Garantia de mercado

O franqueado gozará da vantagem competitiva de seu franqueador, pois este, além de já ter testado seus produtos e marcas no mercado, também planejou sua expansão de tal forma que é conhecedor do perfil dos clientes de seus produtos. Conhece, também, todos os pormenores do processo de melhor produzir e/ou vender, tem informações sobre as estratégias de seus concorrentes, elaborou um bom plano de marketing e vem obtendo sucesso no seu mercado cativo. O consumidor, rapidamente, se acostumará a adquirir os mesmos produtos e/ou serviços da rede franqueada, além da possibilidade de negociar a exclusividade de vendas em seu território devidamente delimitado, o que dará maior garantia na exploração de um mercado cativo no local da sua unidade.



Garantia de mercado

Enquanto o franqueado está indo, o franqueador já estará voltando, pois a tarefa de planejar o seu negócio para o futuro é de responsabilidade exclusiva desse. Um bom e efetivo Plano de Negócio, que antecede qualquer investimento e prevê tanto receitas quanto despesas, precisa ser objeto de permanente preocupação do empreendedor.

Muitas vezes o pequeno empreendedor independente não tem tempo e habilidade para prever fatos político-sociais e econômicos que afetem o seu negócio. Rapidamente, o esforço despendido na montagem da estratégia inicial do seu empreendimento estará desatualizado. Se o plano de negócios não for constantemente revisado, alguma surpresa desagradável não prevista poderá surgir repentinamente, como por exemplo, uma crise de mercado, causada pelo baixo nível de consumo, a criação de novo negócio pela concorrência mais forte e organizada das grandes redes de distribuição ou uma nova lei criada pelo governo. Em qualquer dessas hipóteses, além de outros obstáculos que o negociante independente normalmente teria de ultrapassar, melhor ele faria se estivesse apoiado por competente franqueador e pudesse instalar-se e expandir com menor risco financeiro com base em um completo Plano de Negócios do Franqueador.



Maior chance de sucesso

Sem dúvida alguma, o franqueado terá maior chance de sucesso em seu negócio utilizando-se do sistema de franquia formatada do que lançando-se por conta própria em um negócio independente. A razão é bastante simples: entrar em um negócio já existente e de sucesso diminui os riscos de fracasso em 90% dos casos, segundo estatísticas publicadas.

Enquanto o negócio independente terá de fortalecer a sua marca, com todas as dificuldades inerentes a qualquer atividade econômica, o franqueador poderá transferir o seu sistema e marca já comprovado ao franqueado, a um risco bem menor do que as prováveis perdas, erros e testes, cujo custo de aprendizado certamente será bem mais alto.

Outro fato a se considerar é a relativa facilidade de instalação de um ponto de venda, em relação à difícil tarefa de mantê-lo produtivo e rentável ao longo do tempo. Muitas das tarefas de responsabilidade do franqueador dentro do sistema de franquia formatada não serão realizadas pelo proprietário de um negócio independente, ou por falta de recursos financeiros e humanos ou por desconhecimento do mercado.



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Módulo 5 - Franquias como tipo de negócio
Resumo

Franquia é uma modalidade de negócio comercial, em franca expansão no Brasil e no exterior, envolvendo a distribuição de produtos ou serviços, mediante condições estabelecidas em contrato, entre franqueador e franqueado.

A franquia se baseia na sistematização das técnicas e métodos que estruturam o negócio do franqueador, objetivando criar uma forma de organização e implantação de empresas que será repassada às unidades franqueadas.

Existe uma tendência para o desenvolvimento do Sistema de Franquia Formatada. As franquias podem ser de diversos tipos: Franquia de Produto, referente à produção ou comercialização de bens; Franquia de Distribuição, referente à venda de mercadorias; Franquia de Serviços, referente ao fornecimento e prestação de serviços associados à garantia do produto e Franquia Industrial, referente à fabricação de produtos.

No sistema de franquias, o franqueador cede ao franqueado um conjunto de direitos de propriedade incorpórea, tais como o direito de uso do nome, marca e logotipo, o know-how e o know-why, o projeto de engenharia básica e o processo de produção, e a assessoria e supervisão necessárias ao franqueado.

Em contrapartida, o franqueado paga três tipos de taxa ao franqueador: taxa de franquia ou de entrada, royalties e taxa de publicidade.

O sistema de franquias apresenta vantagens e desvantagens tanto para o franqueador quanto para o franqueado.

As vantagens do franqueador são: rapidez de expansão, aumento de rentabilidade, redução de custos, motivação maior dos franqueados, maior participação no mercado, maior cobertura geográfica, melhor publicidade, menores responsabilidades e melhores representantes. Por outro lado, o franqueador tem suas desvantagens: perda parcial do controle, maior custo de supervisão, maiores custos de formatação, perda do sigilo, risco de desistência, perda da liberdade, expansão sem planejamento, seleção inadequada e perda de padronização.

As vantagens do franqueado são: maior chance de sucesso, plano de negócio, garantia de mercado, menores custos de instalação, economia de escala, maior crédito, maior lucratividade, retorno sobre investimento mais rápido, pesquisa e desenvolvimento e independência do seu negócio. O sistema também traz desvantagens ao franqueado: maiores controles, autonomia parcial, risco de descumprimento do contrato, taxas de franquia, seleção ineficiente, localização forçada e restrições na cessão do sistema.