Newton, por sua vez, é quem irá desenvolver e sintetizar matematicamente as idéias não só de Descartes, mas de Copérnico, Kepler, Bacon e Galileu, brindando o mundo e a Ciência com o instrumental que foi (e ainda é em grande parte) o alicerce básico do pensamento científico. Para ele, os fenômenos físicos são decorrentes do movimento de partículas materiais, devido à atração mútua (força da gravidade). Esses movimentos podiam ser explicados matematicamente, o que permitiu o estabelecimento de leis imutáveis de explicação do universo e que serviram de suporte para todo o desenvolvimento posterior do progresso científico.

No campo mitológico é Seth, como foi dito anteriormente, a síntese de todo esse processo. Assim, como o corpo de Osíris é aprisionado por Seth em uma caixa, a natureza é seqüestrada pela Ciência em um conjunto de definições físicas e matemáticas que se encaixam perfeitamente e, ainda, as peças que não se encaixam são simplesmente desprezadas e destituídas de valor.

Por outro lado, o pensador brasileiro Hilton Japiassu afirma que: “[...] a interdisciplinaridade não é apenas um conceito teórico: ela é sobretudo uma prática.” Desse modo, deduz-se que a atitude de Ísis é profundamente arraigada pelo conceito de práxis: por duas vezes, ela sai em busca de Osíris. Também a interdisciplinaridade não pode ser construída apenas conceitualmente. Na primeira, o corpo de Osíris ainda está intacto. Caberá a Ísis agora, reconstituir o corpo de Osíris, o corpo (método) de uma nova Ciência, para que, juntos dêem a luz a um novo conhecimento que irá reinar por todo o Egito. Ela ainda representa a práxis, mas uma práxis modificada pelo ato de Seth. É a tarefa de construção da interdisciplinaridade, propriamente dita.

Essa primeira leitura dos papéis desempenhados pelos personagens mitológicos não é definitiva. Pretende-se que sua dinâmica transcenda o metafórico para uma posição oposta à concepção mecanicista da natureza como única interpretação do mundo.



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