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Módulo 03 -Reengenharia

1 - O instante da tomada de decisão

Os agentes econômicos: famílias, empresas, governo e resto do mundo são categorias convencionadas pela Metodologia das Contas Nacionais, e em nosso dia-a-dia são obrigados a tomar decisões em diferentes níveis de responsabilidade que vão afetar os seus futuros. Principalmente, quando se trata de se avaliar projetos e tomar decisões financeiras. Neste sentido, é possível utilizar metodologias de análise de risco para mitigar os efeitos da incerteza e visualizar o problema incerto.

O estudo do processo decisório de forma a considerar sempre a estruturação de um problema incerto como a principal preocupação, examina alguns critérios ou métodos para auxiliar as etapas deste processo em ambiente de risco, incerteza e probabilidades ligadas à área financeira.

Se existe certeza, não existe risco. Se existe incerteza, existe o risco. A tomada de decisão com relação ao futuro deverá montar cenários possíveis (otimista, pessimista e provável), de acordo com as hipóteses relacionadas às previsões. Veja os exemplos a seguir.


Exemplo 1


Exemplo 2


Exemplo 3



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Metodologia das Contas Nacionais – O manual das Organizações das Nações Unidas – ONU – convencionou para todos os países, a criação dos seguintes agentes econômicos: famílias, empresas, governo e resto do mundo.



Um indivíduo planeja sair de casa, para ir trabalhar, a pé. Olha para o tempo nublado do lado de fora e pensa: “O tempo está instável”. Pode chover ou não, vai depender se as nuvens formam chuva ou não. Se chover, ele deve levar a capa e o guarda-chuva. Mas, se não chover, ele levou indevidamente aqueles objetos, os quais passam a incomodá-lo.



Um indivíduo planeja aplicar o seu dinheiro na poupança, em ações ou em títulos públicos. Tudo vai depender de: se ele vai precisar ou não desse dinheiro daqui a três meses; como também vai depender da rentabilidade ou do retorno da aplicação.



Um dirigente de uma empresa planeja se endividar, pois precisa de dinheiro para pagar funcionários, para fazer compras de material de consumo ou até mesmo para aumentar a produção comprando matérias-primas. Em que banco e qual é a forma de endividamento mais adequada? Deve procurar um banco público ou privado? Deve se endividar no curto, médio ou longo prazo?






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Quando existe condição para tomada de decisão dos agentes econômicos com relação aos projetos e decisões financeiras sobre o futuro?

Essa condição dependerá de um estudo de processo decisório, de forma geral, seguindo critérios ou métodos que auxiliem esse processo, pois podem representar o fracasso ou o sucesso de determinado projeto, investimento ou concessão de crédito, principalmente, em economias sujeitas a instabilidades, como a dos países emergentes, que é o caso da economia brasileira.

Segundo o Prof. Securato:


O presente, um instante de tempo, pode ser entendido como o instante da tomada de decisão: da decisão de declarar a guerra, de comprar determinadas ações na Bolsa, da roupa que será vestida ou mesmo da decisão de nada decidir (1996:16).

O administrador, ao decidir no presente, terá tanto um fim quanto o início de uma decisão, pois deverá dar fim ao passado e dar início ao futuro. Esse administrador pode ser avesso ao risco ou conservador, pode ser propenso ao risco ou arrojado. Se for conservador, prefere as decisões com pouco risco e que são mais previsíveis ou menos incertas; e, se for arrojado, deseja muito risco e que as decisões sejam menos previsíveis ou mais incertas.



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José Roberto Securato, formado em Engenharia Mecânica, é bacharel e licenciado em Matemática, mestre em Matemática e doutor em Administração pela FEA-USP.

Professor desde 1969, SECURATO é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), da Fundação Instituto de Administração (FIA/FEA-USP), do Laboratório de Finanças da FIA, dos programas de MBA FIA/FEA-USP e FIPECAFI/FEA-USP, e do Instituto Avançado de Finanças e Negócios (IAF). Além disso, foi Professor da Universidade Mackenzie, da PUC-RJ, do IBMEC e da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e é vice-presidente técnico do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (IBEF-SP) e membro fundador da Sociedade Brasileira de Finanças (SBFIN).

Sua obra é marcada pela precisão técnica, excelência didática e pelo retrato do mercado brasileiro — raro entre as bibliografias financeiras.






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Tipos de Investidor

As pessoas, em geral, estão dispostas a negar tudo aquilo que não compreendem. Em função disso, pode-se destacar os diferentes tipos de investidor descritos por Halpern:

a) conservadores;
b) poupadores passivos;
c) crédulos;
d) jogadores;
e) arrojados ou arriscados.

a) Os conservadores têm que demonstrar que são avessos ao risco ou que desejam rendimento certo. Exemplo.

b) Os poupadores passivos menosprezam as características dos ativos financeiros como segurança, liquidez, rendimento e manutenção do poder de compra de seus investimentos. O poupador passivo deve demonstrar que é indiferente às escolhas de ativos que têm segurança, liquidez, rendimento e manutenção do poder de compra. Para ele, tanto faz aplicar em poupança quanto em título público, como aplicar em fundo de investimento, por exemplo.

c) Os crédulos crêem em quase tudo que prometa alguma ferramenta mágica e infalível para enriquecimento rápido. Os crédulos acreditam em quaisquer promessas que os levem ao enriquecimento rápido. Mostra que ele tem fé ou crença no que os outros lhe sugerem como investimento que o levará a um possível enriquecimento rápido. Exemplo.

d) Os jogadores são aqueles investidores irracionais que adoram a sensação de desafio, do risco puro e aleatório em busca de adrenalina, aventura e sensação de poder.

e) Os arrojados ou arriscados são propensos ao risco, ou seja, aqueles que desejam rendimento incerto, mas com chances de ser elevado. Exemplo.



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Mostre um título público que rende a taxa Selic e outro que é prefixado a um conservador. Ele preferirá o prefixado, que tem renda certa, mesmo que esteja abaixo das taxas de juros esperadas.



A poupança tem maior liquidez que o fundo de investimento, mas menor liquidez que o título público; logo, suas rentabilidades devem ser diferentes, como o são na prática, mas para o poupador passivo isso tudo não importa.



Se disserem que aplicar em fundos cambiais é a chance de ficar rico rápido, o crédulo fará essa aplicação.



O exemplo típico é o das ações em Bolsa: onde aplicam os arrojados.






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É importante destacar que a abordagem de problemas incertos requer certo grau de sofisticação na utilização de ferramental adequado. Até se chegar à solução do problema tem-se que estruturá-lo adequadamente. Entretanto, o fato de tomar decisões por meio de uma metodologia não quer dizer que se vai acertar sempre, pois se tratam de problemas incertos.

Como exemplo, façamos uma analogia com um time de futebol. Em geral, o técnico monta uma estratégia para o time, que pode fazer com que este perca uma ou outra partida, mas a sua meta é ganhar o campeonato.

Isto vale também para as aplicações financeiras ou concessão de crédito; caso fossem feitas todas as aplicações financeiras em um ou poucos ativos financeiros, como depósitos à vista, de poupança, a prazo, títulos públicos etc.

Para qualquer agente econômico, a metodologia de decisão deve permear todos os níveis e ser aplicada em todas as decisões, da mesma forma. Uma ou outra decisão poderá levar a resultados negativos, o que é natural por se tratar de variáveis incertas.



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Metodologia de decisão é a descrição de métodos e rotinas em vários níveis para o estudo de uma determinada variável para se tomar uma decisão, como é o caso de fazer aplicações financeiras ou conceder crédito.






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2 - Conceito de previsão


A previsão é a técnica utilizada no presente e que liga o passado ao futuro como forma de auxiliar o processo decisório para subsidiar a tomada de decisão.

Por exemplo, o dirigente de uma empresa deseja tomar crédito para aumentar sua produção. Após saber os custos financeiros dessa linha de crédito, é necessário fazer uma previsão da venda futura com base em fluxos de caixa (receitas e despesas) que trazem o valor futuro para o valor presente, para que auxilie na tomada de decisão para o endividamento.


A previsão é um processo para se chegar ao futuro, utilizando-se de informações existentes e de hipóteses, com determinada finalidade. (Securato, 1996).

Vejamos os seguintes exemplos sobre previsão:

a) Previsão climática;
b) Previsão para concessão de crédito.

A previsão poderá ser feita, em algumas situações, de forma sistemática, objetiva e consciente, como, por exemplo, com um desenvolvimento formal de uma dada metodologia. Em outras situações, de forma assistemática, subjetiva e inconsciente, que levará mais em consideração o feeling (sentimento) do que algum formalismo ou modelo quantitativo. Mesmo assim, não se deve desprezar que a previsão estará sempre presente no processo decisório.

Temos, como casos especiais de previsão:

a projeção;
a predição;
o planejamento.

Todos esses casos especiais apresentam limitações.

É importante registrar que todas as análises que levem à previsão com base na projeção e predição, deverão necessariamente se utilizar do planejamento para atuar no processo, definindo um plano de atuação a fim de corrigir os desvios em relação aos objetivos que se pretende atingir.



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A previsão climática baseia-se em informações fornecidas no presente com a montagem de hipóteses com relação ao deslocamento de ventos, nuvens, frentes frias.



Pode ser dado com relação à concessão de crédito. Um banco elabora hipóteses com relação ao faturamento de uma empresa que toma recursos de empréstimos. Se os fluxos de caixa no futuro não se concretizarem, é claro que será ou porque as receitas não foram auferidas ou então porque as despesas se elevaram. Assim, poderá estar comprometida a capacidade de pagamento das parcelas do devedor, o que trará graves conseqüências para o credor.



A projeção caracteriza-se por mostrar que o futuro é continuação do passado. Como exemplo, temos o crescimento econômico. Se há crescimento da atividade econômica é porque foram criadas as pré-condições a priori.



A predição caracteriza-se por mostrar que o futuro difere do passado em razão de motivos aleatórios, que estão fora de controle. Como exemplo, temos o crescimento das exportações de um país com base no crescimento econômico dos países importadores.



O planejamento caracteriza-se por mostrar que o futuro difere do passado em razão de motivos que estão sob controle. Como exemplo, temos o caso da elaboração de planos e projetos com vistas a aumentar a capacidade de energia elétrica, com aumento dos investimentos em infra-estrutura.






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3 - Elementos que antecedem a tomada de decisão

Na maioria das vezes existe grande dificuldade em se estabelecer um processo para a tomada de decisão. Entretanto, podem ser identificados alguns elementos que possam influenciar esse processo ao examinar a possibilidade de atuar, ou não, sobre tais elementos, os quais são: a experiência, o julgamento e o ambiente.


A experiência é obtida por meio de um conjunto de situações vividas por alguém. Para atingir o máximo, é necessário obter o maior número de exposições (varia com o tempo) ao processo decisório.

Vejamos, por exemplo, o caso da concessão de crédito ou das aplicações financeiras. Quanto maior for a freqüência do processo decisório na concessão de crédito, maior será a experiência do agente econômico. Quanto maior for o número de aplicações financeiras, maior será a experiência do agente econômico.


O julgamento é um elemento que requer o juízo de valor, e quase sempre é superior à experiência. Nem sempre o requisito do julgamento deve ser o da procura da ótima qualidade, mas sim de boa qualidade.

No caso da concessão de crédito, o julgamento do agente deveria ser o de conceder o crédito de acordo com as garantias dadas, mas pode ser suficiente também com menos garantias dadas. O julgamento pela escolha da aplicação financeira pode dar-se com base em uma menor rentabilidade, mas que tenha outras características suficientes, como por exemplo, o período ou até mesmo a liquidez (que é a capacidade de transformar um ativo financeiro em moeda).


O ambiente – que deve ser o propulsor do processo decisório – o qual deve ser analisado com base nas decisões ou no processo decisório a priori (ex-ante) e a posteriori (ex-post).

Mas, antes, é necessário procurar responder às seguintes questões:

a) O que sabe fazer, ou seja, procurar soluções com base na sua vivência ou com algumas poucas modificações;
b) O que outros sabem fazer que é capaz de aprender, ou seja, procurar uma solução aceitável na experiência dos outros, adquirida por meio do fluxo de informações;
c) O que é capaz de criar, ou seja, a parte mais difícil, pois requer ousadia ou o rompimento de muitas barreiras (psicológicas, sociais e tradicionais).

No que se referem ao ambiente pós-decisão, as decisões poderão afetar os agentes econômicos, suas crenças, opiniões e conceitos pré-estabelecidos, criando um processo circular (conhecido como ciclo vicioso), pois a decisão afetará diretamente o ambiente.



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4 - Risco, incerteza e probabilidade

O risco, a certeza e a incerteza são situações que acontecem quase sempre de forma natural, com maior ou menor probabilidade quando olhamos para o futuro.

A teoria da probabilidade é o ramo da matemática que estuda os fenômenos aleatórios. Sempre atraiu o interesse das pessoas devido às suas aplicações a diversas áreas como, por exemplo, a ciência e a engenharia, em que, freqüentemente, nos deparamos com experimentos que podem fornecer diferentes resultados. Um caso simples é o lançamento de um dado, já que não sabemos de antemão qual número obteremos.

Exemplos de probabilidades:

a) jogar uma moeda e dar cara ou coroa = ½ ou 50%, ou seja, cara ou coroa são casos prováveis em dois casos possíveis.
b) jogar um dado e obter o número 2 em uma de suas faces = 1/6, ou seja, qualquer um dos números sobre seis números.


Por isso é que a gestão dos riscos, hoje em dia, é fundamental para a tomada de decisão no mundo globalizado, no qual predomina a liberalização dos mercados de bens ou mercadorias e financeiros em âmbito mundial, com livre mobilidade entre os principais países capitalistas.

O risco e a incerteza podem levar ao fracasso/insucesso ou ao sucesso dos agentes econômicos, notadamente, das empresas financeiras. Exemplos.



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Livre mobilidade é o perfeito deslocamento de entrada ou saída dos fatores de produção (mão-de-obra, capital, recursos naturais ou terra) ou dos bens ou mercadorias e finanças entre os países.






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Unidade 02 - Funções 1
Exemplo 1 – Quem poderia admitir que grandes empresas multinacionais como General Motors – GM e Ford, no ano passado tiveram rebaixamento dos seus ratings de crédito (conceitos mais baixos ou sem muitas garantias quando da tomada de operações de crédito)?

Exemplo 2 – Quem poderia imaginar que a classificação das operações de crédito da Argentina com o default (moratória das dívidas externa e interna) do ano passado, fosse rapidamente elevada pelas agências de classificação do risco de crédito?

Exemplo 3 – Quem poderia imaginar que títulos públicos de alguns países como Rússia, Brasil e México, por exemplo, nos últimos anos pudessem ter riscos elevados se são garantidos pelos seus respectivos governos?

Exemplo 4 – Quem poderia imaginar que algumas empresas privadas brasileiras com pouco tempo de privatização, como a Companhia Vale do Rio Doce – CVRD e Companhia Siderúrgica Nacional – CSN – conseguissem rapidamente o tão sonhado “investment grade” (grau de investimento ou conceitos sem risco para tomada de crédito no mercado internacional), enquanto os títulos públicos da própria República Federativa do Brasil ainda não o têm.



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Módulo 03 -Reengenharia
Alguns estudiosos admitem que o risco seja o grau de incerteza com relação a qualquer evento. Quanto maior o risco, maior a incerteza desse evento. Quanto menor o risco, menor a incerteza desse evento.

Se admitíssemos que se viva num ambiente de certeza, não haveria nenhum risco, ou seja, o futuro seria igual ao presente. O custo do dinheiro, por exemplo, seria zero, pois nenhum agente econômico se interessaria em trocar o presente pelo futuro. E aí as bases do capitalismo estariam minadas, pois o seu motor – que é o lucro – estaria ausente.

Alguns gostam de fazer analogias entre o ciclo econômico (que tem desaceleração, recessão, recuperação e auge) e o corpo humano, ou seja, é necessário que haja diversos agentes (bactérias, vírus, febres, doenças, alergias, alterações hormonais, excesso ou carência de vitaminas e sais minerais etc.) que provoquem alterações saudáveis e prejudiciais no funcionamento do corpo humano, como forma do seu próprio dinamismo para a vida e morte dos seres humanos.


O grau de incerteza de um evento é conhecido como risco e está intimamente associado à probabilidade de ocorrência desse evento. O evento certo terá 100% de probabilidade de ocorrer, logo, qualquer incerteza terá a probabilidade inferior a 100%. Tudo depende de uma dada distribuição de probabilidades, considerando a média e o desvio-padrão: quanto maior/menor o desvio-padrão, maior/menor será o risco da variável em estudo.

Assim, é por intermédio das probabilidades que se pretende captar a influência da experiência, do julgamento e do ambiente em diferentes situações de projeções dos resultados, relacionados a uma questão que será objeto de decisão.



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Desvio-padrão é um termo tomado emprestado da estatística. É a medida de volatilidade ou a raiz quadrada do quadrado do desvio dos elementos da distribuição em relação à média.







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5 - Etapas do processo decisório

As etapas de um processo para tomada de decisão podem ser as seguintes:

a) Objetivo;
b) Variável objetivo;
c) Alternativas;
d) Cenários;
e) Matriz de decisão.

O objetivo da decisão a ser tomada tem que estar bem definido. Por exemplo, para a aplicação financeira tem que se obter o máximo rendimento. Para aprovar a concessão de um crédito é necessário ter todas as garantias possíveis para o recebimento

A variável objetivo, mesmo sendo qualitativa, sempre deve ter uma correspondência com as variáveis quantitativas. É necessário estabelecer uma escala de valores que permita comparações. Isto quer dizer que a variável objetivo deve adaptar-se a uma escala de intervalo ou a uma escala de razão. Assim é permitida a obtenção de médias e desvios-padrão. Exemplos.

As alternativas são muito importantes para o processo decisório. Podem também ser conhecidas como o “Plano B”. Sempre devem existir formas diferentes para se conseguir atingir algum objetivo. Os processos de decisão devem ser vistos como uma seleção ou elenco de prioridades para se atingir o objetivo em estudo. É importante, para o processo decisório, que sejam fixados os objetivos para ser feita a decisão, devendo listar todas as alternativas que possibilitem atingi-lo.

Essas alternativas devem ser bem delineadas e elaboradas para que sejam mutuamente exclusivas (ou independentes), evitando, assim, que tenham elementos em comum, o que permitirá uma explícita diferenciação entre elas.

Caso tivéssemos um processo decisório em condições de certeza não seria necessária a existência de alternativas. Mas em condição de risco ou incerteza, a escolha de alternativas é uma parte necessária, mas não suficiente para o processo decisório.



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Exemplos típicos da transformação de variáveis qualitativas em quantitativas são as medidas de temperatura, os conceitos de provas transformados em notas e o quociente de inteligência.






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Os cenários constituem um conjunto de informações objetivas ou subjetivas sobre o futuro, que se assume como uma forma de avaliação.

As principais etapas da construção de um cenário são:

a) Fixação do lapso temporal que se pretende para avaliar a variável objetivo;
b) Definição das principais variáveis que influenciarão os valores da variável objetivo;
c) Elaboração dos cenários com base na fixação dos parâmetros qualitativos e quantitativos coerentes com as variáveis de influência. Assim, para cada conjunto coerente de parâmetros das variáveis de influência haverá um cenário correspondente.

Suponhamos que existam três tipos de cenários previstos para um dado ano com relação ao desenvolvimento das operações de crédito (variável objetivo): otimista, pessimista e provável.

No caso otimista, teríamos que considerar as principais variáveis que influenciam os resultados pretendidos, quais sejam: nível da taxa de inflação, nível da taxa de juros básica da economia, nível da atividade econômica, nível da taxa de desemprego, enfim, o equilíbrio macroeconômico pretendido pela política econômica. Se houver uma drástica redução da taxa de juros básica da economia, por conta do controle da taxa de inflação, haverá um estímulo à atividade econômica, que permitirá uma redução da taxa de desemprego da economia. Com isso, serão criadas as bases para o aumento do endividamento e consumo das famílias e empresas, o que facilitará o aumento das operações de crédito.

No caso pessimista, seria o contrário. Haveria descontrole da taxa de inflação, o que provocaria um aumento da taxa básica de juros da economia, reduzindo o nível da atividade econômica e elevando a taxa de desemprego. Em conseqüência disso, reduziriam as pré-condições para o endividamento das famílias e empresas e haveria pressões para a inadimplência, trazendo graves prejuízos para as políticas de concessão de crédito.

Por último, o cenário provável seria aquele em que a política macroeconômica permitisse moderação no desenvolvimento das operações de crédito, com redução gradual da taxa básica de juros, dado o controle da inflação, o que permitiria uma recuperação do nível de atividade econômica, reduzindo a taxa de desemprego e permitindo a retomada do nível de endividamento das empresas e famílias. Com isso, temos exemplos das principais etapas de construção de cenários.



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Variável – sujeito a variações, mutável, incerto, inconsistente. Que pode ter ou assumir diversos valores, diferentes aspectos, segundo os casos particulares ou segundo as circunstâncias.



Parâmetros poderiam ser o percentual de retorno do investimento, que, neste caso, é constante e não fixo. Um parâmetro é visto aqui como todo elemento cuja variação de valor modifica a solução do problema sem lhe modificar a natureza.






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Securato sugere como metodologias para a construção dos cenários o seguinte:
  • Brainstorming;
  • Sinética;
  • Especialista; e
  • Delphi.

Brainstorming caracteriza-se por listar um conjunto de variáveis de influência de acordo com a variável objetivo, para um grupo de até 15 pessoas reunidas. Em seguida, discute-se cada uma e selecionam-se aquelas de consenso, para fixar os parâmetros que compõem os possíveis cenários.

Sinética caracteriza-se por grupos de especialistas, com máximo de 6 a 8 pessoas, que estipulam as variáveis de influência e fixam seus parâmetros, com vistas à obtenção de vários cenários.

Especialista caracteriza-se em ter único profissional que fixa as variáveis e os parâmetros, de acordo com os cenários pretendidos.

Delphi caracteriza-se por ser sofisticada, com a elaboração de questionários entre alguns grupos que não se comunicam. Apresenta uma minuciosa crítica construtiva com relação ao objetivo e as variáveis de influência. Permite fixar as variáveis e repete-se o trabalho com os parâmetros e com os cenários obtidos. Após serem definidos os cenários, o grupo vencedor deve estabelecer as probabilidades de ocorrência de cada cenário, completando, assim, o conjunto de informações para a avaliação do risco.

Portanto, a matriz de decisão é a síntese da apresentação final de todos os elementos que pertencem ao processo de avaliação do risco e do processo decisório.

 

 

 

Alternativas

 

Descrição de cada cenário

Probabilidade de cada cenário

A1

A2

...

Ar

C1

 

P1

X11

X12

 

X1r

C2

 

P2

X21

X22

 

X2r

...

 

...

...

 

Xij

 

Ck

 

Pk

Xk1

Xk2

 

xkr

Essa figura representa a matriz de decisão em que são mostrados vários cenários C1, C2, ..., Ck; suas probabilidades p1, p2, ..., pk; as várias alternativas A1, A2, ... Ar; e os valores da variável objetivo para cada cenário-alternativa, que são relacionados com os elementos da matriz xij.

Vejamos um modelo hipotético. Suponhamos que um aplicador financeiro deve decidir que tipo de investimento financeiro ele deverá fazer para aplicar os seus recursos financeiros em título prefixado ou em título pós-fixado. Se a taxa Selic cair, é bom para o aplicador o título prefixado, em razão de as taxas de juros serem mais altas em ambiente de redução da taxa básica. Se a taxa Selic subir, é bom para o aplicador o título pós-fixado que acompanha a evolução dessa taxa básica.

 

 

 

Alternativas

 

Descrição de cada cenário

Probabilidade de cada cenário

A1 (taxa Selic % a.a.)

A2 (inflação)

A3 (retorno do título prefixado)

A4 (retorno do título pós-fixado)

C1

otimista

P1 = 32%

Sobe para 15%

Sobe para 4,5%

Mantém-se em 14%

Eleva-se para 15%

C2

pessimista

P2 = 38%

Cai para 12%

Cai para 3%

Mantém-se em 14%

Reduz-se para 12%

C3

provável

P3 = 30%

Cai para 13%

Cai para

Mantém-se em 14%

Reduz-se para 13%

Assim, com a matriz de decisão, é possível analisar e avaliar a decisão em aplicar em título prefixado ou pós-fixado em função da ocorrência dos cenários em condições de risco ou incerteza.



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Taxa Selic é a taxa básica da economia, está em 14% ao ano, e que a inflação está projetada para o ano em 3,8%. Ele idealiza três cenários possíveis: otimista, pessimista e provável, com probabilidades de sucesso.






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Resumo

O estudo do processo decisório de forma a considerar sempre a estruturação de um problema incerto como a principal preocupação, examina alguns critérios ou métodos para auxiliar as etapas deste processo em ambiente de risco, incerteza e probabilidades ligadas à área financeira

Deve-se considerar, na tomada de decisão, as características dos investidores:

a) conservadores;
b) poupadores passivos;
c) crédulos;
d) jogadores;
e) arrojados.

Há alguns casos especiais de previsão de resultados, que são importantes para a tomada de decisão. São eles: a projeção, a predição e o planejamento, não obstante as suas limitações. A projeção mostra que o futuro é uma continuação do passado; a predição mostra o futuro diferente do passado por razões que estão fora de nossos controles; e o planejamento liga o futuro ao passado por razões que estão sob nossos controles.

Com relação aos elementos que antecedem a tomada de decisão, são identificados alguns atributos - experiência, julgamento e ambiente - que podem influenciar essas decisões e examinar a possibilidade de atuar, ou não, sobre tais elementos.

O risco, a certeza e a incerteza são situações que acontecem quase sempre de forma natural, com maior ou menor probabilidade quando olhamos para o futuro. O evento certo terá 100% de probabilidade de ocorrer. Logo, qualquer incerteza terá a probabilidade de ocorrer inferior a 100%. Vai depender de uma dada distribuição de probabilidades, ou seja, com uma dada média e desvio-padrão (medida de volatilidade ou a raiz quadrada do quadrado do desvio dos elementos da distribuição em relação à média). Quanto maior/menor o desvio-padrão, maior/menor será o risco da variável em estudo.

Com as probabilidades, pode-se captar a influência da experiência, do julgamento e do ambiente em diferentes situações de projeções dos resultados, relacionados a uma questão que seja objeto de decisão.

As etapas de um processo para tomada de decisão são: definição do objetivo da decisão a ser tomada e da variável-objetivo (transformar toda variável qualitativa em variável quantitativa que se relacione com os eventos em estudo); a identificação de alternativas possíveis (“Plano B”); a construção de cenários, para o que pode-se utilizar algumas metodologias (brainstorming, sinética, especialista e Delphi); a elaboração de uma matriz de decisão (utilizando probabilidades de cada cenário e valores da variável-objetivo para cada par de cenário-alternativo), a qual será pré-requisito para analisar e avaliar a decisão em condições de risco ou incerteza.



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1 - Risco definido como probabilidade e desvio-padrão

O risco possui diversas formas de se apresentar a cada agente econômico, portanto, é necessário estabelecer claramente o seu conceito e construir modelos que lhe possam dar forma quantitativa. Por exemplo.


Comportamento com relação ao risco de uma empresa ou aplicação financeira

Na figura acima, é possível verificar que, com o aumento do risco, o investidor avesso ao risco (conservador) tende a exigir retorno maior (ponto A) do que aquele que não possui risco associado (ponto I’). O investidor com tendência ao risco, por sua vez, exige retornos menores (ponto T), enquanto a indiferença ao risco mostra-se pela exigência de um nível de risco constante, igual ao do investimento livre de risco (ponto I’).


O risco tem de ser entendido como uma probabilidade (resultados prováveis em casos possíveis), e como um desvio-padrão (medida de dispersão dos valores em relação à média ou raiz quadrada da variância).

O risco pode ser definido como a possibilidade de perda, ou seja, o grau de incerteza com relação a um evento.

Assim, a probabilidade de evento certo + probabilidade de evento não certo = 1, ou P(EC) + P(ENC) = 1. E o risco será dado pela seguinte igualdade:


Risco = P(ENC)

Logo, podemos escrever que:


Risco = 1 – P(EC)


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Agente econômico: qualquer pessoa física ou jurídica (empresa privada ou pública, com fins lucrativos ou não, indústria, comércio, profissional liberal etc.) que participa, independentemente, como sujeito ativo na atividade econômica. Para as contas nacionais convencionou-se considerar que os agentes econômicos são categorias reunidas pelas famílias, empresas, governo e resto do mundo.



Um indivíduo ou empresa não financeira que é avessa ao risco não pode fazer aplicação financeira em ações. Já um indivíduo ou empresa que tem tendência ao risco não pode fazer aplicação financeira em caderneta de poupança. Uma empresa financeira não pode emprestar idênticos volumes de dinheiro para empresas ou pessoas que tenham riscos diferentes ou garantias diferentes.



Probabilidade – a teoria de probabilidades é o modelo mais tradicional para o tratamento da informação incerta. É também o ramo da Matemática que estuda os fenômenos aleatórios. Sempre atraiu o interesse das pessoas devido às suas aplicações a diversas áreas como, por exemplo, a ciência e a engenharia, nas quais, freqüentemente, nos deparamos com experimentos que podem fornecer diferentes resultados. Um caso simples é o lançamento de um dado, já que não sabemos de antemão qual número obteremos.






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Observe os exemplos 1 e 2 a seguir.

Exemplo 1 - Qual é a chance de um aplicador financeiro em renda pós-fixada em 90 dias, como o depósito a prazo, receber o rendimento e o principal de um dado banco?

Suponhamos que tenha sido realizada uma pesquisa (ou até mesmo tivéssemos essas informações), e que chegamos à seguinte conclusão:

Eventos que podem ocorrer
no vencimento

Valores em
R$ 1,00

Probabilidade
(%)

1 A aplicação pagar em dinheiro no prazo

30.000

80,0

2 Prorrogação do prazo da aplicação financeira perda de 5%

28.500

10,0

3 Questionamento judicial perda de 13%

26.100

2,0

4 Falência do banco, com garantia do seguro depósito até R$ 20.000,00.

10.000

5,0

5 Perda total

0

3,0

Se admitirmos a existência dos eventos e probabilidades listadas, e que o sucesso ou evento certo é apenas o primeiro evento, então o risco da operação será de:


RISCO = 1 – P(EC) = 1 – P(primeiro evento) = 1 – (80/100) = 0,20 ou 20%

Isto quer dizer que existe a probabilidade de 20% de não receber rendimento e o principal no prazo de 90 dias.

  • E se considerássemos como sucesso outros eventos, como o segundo e o terceiro eventos, qual seria a probabilidade do risco ou do evento não certo (insucesso)?

    P(EC) = P(eventos 1, 2 e 3) = 0,80 + 0,1 + 0,02 = 0,92

    P(ENC) = P(eventos 4 e 5) = 0,05 + 0,03 = 0,08

Isto quer dizer que o risco ou a probabilidade da perda financeira com a aplicação será de 8%.



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Renda pós-fixada é aquela que se sabe o rendimento da taxa de juros, mas não se sabe o valor do índice que corrigirá a aplicação. Por exemplo, pode ser o índice oficial de inflação (IPCA), a taxa Selic, a Taxa Referencial (TR), a variação cambial, o IGP-M, enfim, dependerá do tipo de aplicação financeira. Somente se conhecerá o rendimento a posteriori. Enquanto a renda pré-fixada já se sabe a priori quanto vai render.






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Exemplo 2 - Qual é a chance de um banco receber um empréstimo bancário de R$ 100.000,00 após 90 dias?

Eventos que podem ocorrer no vencimento

Valor a ser recebido em R$ 1,00

Probabilidade
(%)

1 Recebimento do empréstimo na data

100.000

98

2 Prorrogação de prazo por inadimplência perda de 3%

97.000

1

3 Questionamento judicial perda de 10%

90.000

0,5

4 Concordata do credor perda de 75%

25.000

0,2

5 Falência do credor perda total

0

0,3

Se admitirmos a existência dos eventos e probabilidades listadas, e que o sucesso ou evento certo é apenas o primeiro evento, então o risco da operação será de:


RISCO = 1 – P(EC) = 1 – P(primeiro evento) = 1 – (98/100) = 0,02 ou 2%

Isto quer dizer que existe a probabilidade de 2% de o banco não receber os empréstimos no prazo de 90 dias.

  • E se considerássemos como sucesso outros eventos, como o segundo e o terceiro eventos, qual seria a probabilidade do risco ou do evento não certo (insucesso)?

    P(EC) = P(eventos 1, 2 e 3) = 0,98 + 0,01 + 0,005 = 0,995

    P(ENC) = P(eventos 4 e 5) = 0,02 + 0,003 = 0,005

Isto quer dizer que o risco ou a probabilidade da perda financeira com a aplicação será de 0,5%.

Mas, essa definição de risco, como probabilidade dos fracassos ou dos eventos de não sucessos, é muito simplista e nem sempre é possível ser aplicada, mostrando perda de sensibilidade.

Esse método é eficaz somente se os efeitos dos fracassos e sucessos são imediatos e decisivos, o que nem sempre é o caso.



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2 - Risco definido como desvio-padrão e volatilidade

Partindo de uma distribuição de probabilidades de uma dada variável objetivo, pode-se calcular a média e o desvio-padrão.

Eventos que podem ocorrer

Variável objetivo X

Probabilidade de ocorrência do evento P(X)

E1

X1

P(X1)

E2

X2

P(X2)

...

...

...

En

Xn

P(Xn)

Média: µx = [X] = x.P(x)

Desvio-padrão: Sx = S (x) = [ (X2) - (X)2] ½, o que representa a raiz quadrada dos desvios da variável objetivo em relação à média.

Quando se calcula a média de uma distribuição de probabilidades procura-se a possibilidade de que esta média represente a distribuição. Na verdade, deseja-se substituir as informações contidas no quadro ou tabela, a qual é a distribuição de probabilidades, por único número, que é a média, como representativa para as análises.

Entretanto, a média não é representativa da distribuição de probabilidades, mas sim, a variância ou o desvio-padrão, que nos mostra o grau de concentração ou dispersão das probabilidades em torno da média.

Quanto menor a variância ou o desvio-padrão, maior a concentração de probabilidades (menor dispersão) em torno da média. Quanto maior a variância ou o desvio-padrão, menor a concentração de probabilidades (maior a dispersão) em torno da média.

Também se criou o hábito em finanças de se utilizar o conceito de volatilidade ou risco como sinônimo de variância ou desvio-padrão.


Quanto maior a volatilidade da variável objetivo, maior a variância ou o desvio-padrão. Quanto menor a volatilidade da variável objetivo, menor a variância ou o desvio-padrão.



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Volatilidade é o termo que vem sendo muito utilizado em finanças, após ser tomado emprestado da química, na qual se ensina que volatilizar é reduzir uma substância a gás ou vapor, dada a grande dispersão que se apresenta.



A distribuição de probabilidade é simplesmente uma forma de descrever o quão prováveis são os vários resultados de um processo. Uma distribuição de probabilidade específica é a distribuição normal. Também pode ser entendida como um perfil de risco. Trata-se de achar o valor esperado de uma variável-objetivo que é igual à média desses valores.






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O conceito de risco procura mostrar o efeito da distribuição de probabilidades sobre a variável-objetivo, levando em consideração os eventos que correspondem a fracassos, sucessos ou aqueles que estão entre esses dois extremos. Observe os exemplos 1 e 2 a seguir.

Exemplo 1 - Suponhamos que os retornos esperados (que é a variável objetivo) de uma aplicação financeira de R$ 100 mil em depósito a prazo, em 24 meses, e suas respectivas probabilidades sejam as seguintes:

Retorno Esperado (R$ mil)

Probabilidade (%)

30,0

10

32,5

15

35,0

50

37,5

15

40,0

10

Calculando a média dos retornos esperados ponderada pela probabilidade de cada um dos retornos, teremos:

X = (30,0 x 0,10) + (32,5 x 0,15) + (35,0 x 0,50) + (37,5 x 0,15) + (40,0 x 0,10) = 35,00

E o desvio-padrão é calculado como a raiz quadrada do resultado encontrado pela probabilidade, multiplicada pelo quadrado das diferenças entre o retorno esperado e o retorno médio, ou seja:

P(x1) = 0,10
P(x2) = 0,15
P(x3) = 0,50
P(x4) = 0,15
P(x5) = 0,10

Logo, teremos:

0,10 x (30,0-35,0)² = 2,50
0,15 x (32,5-35,0)² = 0,94
0,50 x (30,0-35,0)² = 0,00
0,15 x (37,5-35,0)² = 0,94
0,10 x (40,0-35,0)² = 2,50

A soma desses valores será a variância de 6,88, e a sua raiz quadrada será o desvio-padrão, ou seja, 2,62.



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Exemplo 2 - Suponhamos que os retornos esperados (que é a variável objetivo) de uma aplicação financeira de R$ 100 mil em fundo de investimento, em 24 meses, e suas respectivas probabilidades sejam as seguintes:

Retorno Esperado (R$ mil)

Probabilidade (%)

15,0

10

25,0

20

35,0

40

45,0

20

55,0

10

y = (15,0 x 0,10) + (25,0 x 0,20) + (35,0 x 0,40) + (45,0 x 0,20) + (55,0 x 0,10) = 35,00

E o desvio-padrão é calculado como a raiz quadrada do resultado encontrado pela probabilidade, multiplicada pelo quadrado das diferenças entre o retorno esperado e o retorno médio, ou seja:

P(y1) = 0,10
P(y2) = 0,20
P(y3) = 0,40
P(y4) = 0,20
P(y5) = 0,10

Logo, teremos:

0,10 x (15,0-35,0)² = 40,0
0,20 x (25,0-35,0)² = 20,0
0,40 x (35,0-35,0)² = 0
0,20 x (45,0-35,0)² = 20,0
0,10 x (55,0-35,0)² = 40,0

A soma desses valores será a variância de 120, 0, e a sua raiz quadrada será o desvio-padrão, ou seja, 10,95.

Conclui-se que, aparentemente, pela igualdade da média dos retornos esperados poder-se-ia esperar que as aplicações financeiras fossem iguais, entretanto, quando se calcula a variância e o desvio-padrão, verifica-se que não têm o mesmo risco.



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Observe os gráficos abaixo:

Temos aí dois gráficos: um, para a distribuição de probabilidades da aplicação financeira A (variando de 10 a 50) e outro, para a distribuição de probabilidades da aplicação financeira B (variando de 10 a 40).

Note que a média dos retornos esperados é igual para as duas aplicações (35), mas a aplicação financeira B mostra maior grau de risco em relação à aplicação financeira A, dada a maior dispersão de probabilidades de seus retornos esperados em torno da média (variância).

A figura da aplicação financeira A é estreita em torno da média de 35, e a figura da aplicação financeira B é parecida com a distribuição normal (ou forma de sino), mostrando a maior dispersão dos retornos esperados em relação à média de 35.



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3 - Efeito do risco sobre o valor futuro e as taxas de juros

Quando se trata de decisão financeira, o conceito de risco é importante para a variável-objetivo, pois é um valor futuro ou é uma taxa de juros.

a) Valor futuro como variável-objetivo

Pode-se tomar como exemplo o resgate de título público ou privado, de empréstimo, de contrato de derivativo, de ação, que estejam relacionados com o valor futuro e que tenham alguma característica de risco em relação ao valor a ser resgatado.

Considerando R o valor futuro a resgatar, e assumindo uma distribuição de probabilidades (R; P (R)), pode-se calcular a média: µr e o desvio-padrão Sr que dará o risco associado à decisão pela média.

Exemplo: alternativas de investimentos e risco. Considerando-se a existência de conjunto de alternativas de investimentos A1, A2,..., Ak, mutuamente exclusivas e por um mesmo prazo; e o valor futuro de resgate para cada alternativa R1, R2,..., Rn, que são variáveis aleatórias, expressas por distribuições de probabilidades, pode-se calcular as médias µR1, µR2, ...,µRn e os riscos envolvidos ou desvios-padrão SR1, SR2, ..., SRn.

Construamos um gráfico Risco x Resgate para que seja dada visão relativa às várias alternativas existentes, como forma de auxílio ao processo decisório.

Ao observarmos o gráfico, podemos ser feitas as seguintes considerações:


- A1 e A4 têm o mesmo resgate com menor risco para A1.
- A1 e A5 têm o menor risco com maior resgate para A5.

Conclui-se que esse gráfico é elucidativo, pois permite auxiliar o processo de análise e decisão das aplicações financeiras, mostrando, desta forma, que os investidores procuram as alternativas que lhe dêem maior resgate por unidade de capital investido, com menor risco.



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Derivativos são contratos financeiros que são negociados em mercados organizados ou de balcão, nos quais os agentes econômicos se protegem, se arriscam ou fazem arbitragens com operações a termo, futuros, swaps e opções, com vistas a assumir ou transferir riscos de variações de taxas de juros, de moedas estrangeiras, de preços de commodities, e de ações.






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b) Taxa de juros como variável-objetivo

Considere-se a taxa de juros I como variável aleatória e sujeita às condições de risco, e tendo a distribuição de probabilidade (I; P(I)), para as taxas no período, obtém-se a média ?I e o desvio-padrão SI como medida do risco.

Exemplo: alternativas de investimentos e risco. Considerando-se a existência de conjunto de alternativas de investimentos A1, A2,..., An, mutuamente exclusivas e por um mesmo prazo; e as suas taxas de retorno para um mesmo período I1, I2,..., In, que são variáveis aleatórias, expressas por distribuições de probabilidades, pode-se calcular as médias µI1, µI&2, ...,µIn e os riscos envolvidos ou desvios-padrão SI1, SI2, ..., SIn, respectivamente.

Essa questão entre o risco e o retorno foi motivo de uma das teorias mais importantes e interessantes na área de finanças, que é o CAPM – Capital Asset Pricing Model, traduzido como Modelo de Precificação de Ativos Financeiros.

Construamos um gráfico Risco x Retorno para que seja dada visão relativa às várias alternativas existentes, como forma de auxílio ao processo decisório.

Vê-se que a alternativa A1 apresenta o mesmo retorno que A3 (que tem o menor risco). Enquanto A2 apresenta o mesmo risco que A1, mas tem maior retorno. O que levaria o investidor a decidir pelo A2 como a melhora aplicação financeira.

Esse gráfico permite auxiliar o processo de análise e decisão das aplicações financeiras, mostrando, assim, as alternativas existentes para os investidores, conjugando os retornos da aplicação financeira com os riscos envolvidos.



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Os teóricos que desenvolveram a teoria do risco e retorno foram H. Markowitz e William F. Sharpe (Prêmios Nobel de Economia de 1990), e que posteriormente, tiveram a colaboração de Merton H. Miller. Portanto, é a ferramenta que vem sendo mais utilizada para projetar o custo de capital próprio, superior ao custo de capital de terceiros em condições macroeconômicas de estabilidade e de equilíbrio de políticas econômicas, pois os proprietários da empresa serão os últimos a recolherem fundos residuais, em caso de falência. O CAPM tem sofrido inúmeras críticas e diversos pesquisadores têm questionado sua validade, inclusive por meio de estudos estatísticos bem fundamentados. Entretanto, a verdade é que os centros de pesquisa e os mercados de capitais ainda não conseguiram produzir um modelo alternativo com maior robustez, apesar dos problemas de sua aplicação.






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4 - Coeficiente de Variação

O risco definido pelo desvio-padrão, não obstante ser considerado como uma boa medida, traz dificuldades no processo de comparação das alternativas em função do binômio risco e retorno.

Vejamos o seguinte gráfico.

Têm-se duas alternativas, A e B. Quando se passa da alternativa A para a B, tem-se maior retorno e maior risco. Qual é a conclusão? Sem a utilização do coeficiente de variação, a decisão seria pela alternativa B.

Vamos tomar como exemplo populações de gigantes ou de anões. Caso seja utilizada a variância ou o desvio-padrão, pode-se concluir que são muito baixos e, por isso, não conseguem explicar a dispersão.

Aí entra em cena o coeficiente de variação. O coeficiente de variação visa captar a proporcionalidade risco e retorno e é definida pelo quociente entre o desvio-padrão e a média, ou seja:


CV = Sx / µx

Ele é expresso em porcentagem e indica quanto o desvio-padrão representa em relação à média.

No caso do gráfico, após calcular os coeficientes de variação, conclui-se o seguinte:


CVA = 0,03/0,09 = 0,3333 ou 33,33%
CVB = 0,05/0,16 = 0,3125 ou 31,25%

Assim, pode-se optar pela alternativa B, que teria menor risco relativo ao retorno esperado, segundo o critério do coeficiente de variação.

Embora o coeficiente de variação seja um bom instrumento para comparação entre alternativas, não é um critério absoluto.



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5 - Tipos de riscos

Em geral, os tipos de riscos a que estão sujeitos os ativos e passivos financeiros podem ser subdivididos em risco sistemático ou conjuntural e risco não-sistemático ou próprio.

• Risco sistemático ou conjuntural

O risco sistemático ou conjuntural é aquele que não pode ser eliminado (ou reduzido) mediante a diversificação, estando sempre presente na estrutura do portfólio.

Esse é um tipo de risco que está intimamente associado com os sistemas econômico, político e social de um país. Exemplos:

  • um governo declara moratória às dívidas interna e externa;
  • um governo deixa de cumprir contratos com o setor privado;
  • um país deixa a democracia e se transforma em ditadura;
  • uma recessão econômica ou crise internacional que afeta os mercados domésticos.

Para se defender desses tipos de problemas, a recomendação é a administração diversificada da carteira de ativos, com vistas a maximizar os retornos minimizando os riscos. Nesse sentido, existe uma frase muito utilizada em finanças, que diz:


“Não se devem colocar todos os ovos na mesma cesta, caso contrário, corre-se o risco total de serem comidos ou quebrados.”

Costuma-se argumentar que um dos maiores responsáveis pelo risco sistemático ou conjuntural são as políticas públicas promovidas pelo Estado, notadamente, a política macroeconômica.



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Carteira de ativos é uma cesta de aplicações financeiras composta de diversos títulos públicos e privados e ações e debêntures.






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• Risco não-sistemático ou diversificável

O risco não-sistemático ou diversificável é aquele que pode ser total ou parcialmente diluído pela diversificação da carteira. Está relacionado mais diretamente com as características básicas do título e do mercado de negociação.

Esse é um risco intrínseco aos ativos e passivos financeiros. Tomemos como exemplo o caso de commodities, como ouro ou petróleo. Se existe uma descoberta de jazidas de ouro e de poços de petróleo, aumentará a oferta desses produtos e, em conseqüência, afetará os seus preços de equilíbrio, admitindo-se que não exista profunda alteração de suas demandas.

No caso de ativos financeiros, como o caso de aplicações financeiras em títulos públicos e privados e em operações referenciadas em moeda estrangeira ou variação cambial, existe o risco próprio de cada banco e do próprio sistema bancário.

Se o Banco Central eleva a taxa básica de juros, os ativos financeiros que rendem juros vão ter seus preços alterados, podendo provocar riscos nos aplicadores financeiros. Também acontece quando existe uma valorização ou apreciação cambial (a moeda estrangeira passa a ficar mais cara em relação à moeda nacional), fazendo que as aplicações financeiras rendam mais e, em conseqüência, provocam alterações nos seus preços.

As empresas financeiras e não-financeiras também têm riscos operacionais e não-operacionais, o que vai influenciar nos seus resultados, podendo gerar lucros ou prejuízos.



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Diversificação do risco

Entende-se como diversificação do risco qualquer processo que busque minimizar os efeitos do risco sobre um ativo ou passivo financeiro. Essa diversificação é um processo administrativo.

No caso do risco sistemático ou conjuntural, essa gestão consiste na escolha dos ativos, em razão de não poder se atuar diretamente sobre a conjuntura. Por isso é que existem teorias dirigidas para a administração de carteiras ou de portfólios.

No caso do risco próprio ou não sistemático do ativo, pode-se atuar diretamente, preparando-se para cumprir uma gestão de competências, no qual o conhecimento, habilidade e atitude têm de estar presentes.



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Resumo

O risco pode ser tratado com base em probabilidades e ser entendido como uma probabilidade (resultados prováveis em casos possíveis), e também como um desvio padrão (medida de dispersão dos valores em relação à média ou raiz quadrada da variância). O risco pode ser definido como a possibilidade de perda ou o grau de incerteza com relação a um evento.

Mesmo que se tenham dois casos de aplicação financeira com os dois valores esperados de retorno (ou retorno médio), será necessário calcular a dispersão de seus valores em torno desse retorno médio, para ter-se noção do risco. Quanto maior o desvio padrão, maior o risco. Quanto menor o desvio padrão, menor o risco. Entretanto, essas informações podem não ser suficientes no processo decisório de escolha do ativo ou passivo financeiro, por isso é que se introduziu o conceito de coeficiente de variação, que é uma relação entre o desvio-padrão e a média, como medida de risco.

Quando se trata de decisão financeira, o conceito de risco é importante para a variável-objetivo, pois pode ser um valor futuro de resgate da aplicação financeira ou o pagamento de uma dívida, ou então é uma decisão sobre a melhor taxa de juros tanto para o ativo ou passivo financeiro.

Em geral, os tipos de riscos a que estão sujeitos os ativos e passivos financeiros podem ser subdivididos em risco sistemático ou conjuntural e risco não-sistemático ou próprio. Pouco se pode fazer para minimizar o risco sistemático, como é o caso da diversificação das aplicações. O risco não-sistemático pode ser minimizado pela competência dos gestores, entendida como conhecimento, habilidade e atitude.

A fórmula de Fischer é utilizada para o cálculo de investimentos sujeitos à inflação (ou taxa de juros real) embutida nas taxas de juros nominais.



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