Naturalmente, esses comerciantes necessitavam de tripulantes, costumeiramente recrutados entre pessoas desprovidas de recursos, as quais aceitavam os riscos de naufrágios, doenças e ataques piratas em troca da possibilidade de altíssimos ganhos financeiros, se bem sucedidos. Tal fenômeno permite a distinção, pela primeira vez na história do risco financeiro e do risco físico.

Os comerciantes investiam seus recursos, mas seu risco limitava-se ao risco financeiro da operação, os navegantes, por sua vez, não investiam, mas continuavam a arriscar suas vidas em projetos cujos lucros viriam a ser negociados com aqueles que contribuíram apenas com o capital, sem expor sua integridade física.


A partir desse momento, o desenvolvimento dos mercados, e o consequente desenvolvimento de instrumentos financeiros, foram fatores que permitiram o descolamento do risco físico e do risco financeiro.

Ninguém é capaz de assegurar que sua própria vida não se encontra em risco, mas o risco financeiro de se deixar a família desamparada pode ser evitado, por intermédio de uma apólice de seguro. Nesse pequeno exemplo, podemos constatar a separação dos riscos: o risco físico (de morte) continua existente, mas o risco financeiro, atinente a esse risco físico pode ser transmitido a um terceiro, uma seguradora, que assume o risco financeiro em troca de um prêmio: o pagamento de uma apólice.



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