Unidade 1 Módulo 1
Tela 1
Módulo 2 - O balanço patrimonial - Ativo

1- Balanço Patrimonial


Balanço Patrimonial
é a demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e quantitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade. É uma das mais importantes demonstrações contábeis, por meio da qual podemos apurar a situação patrimonial e financeira de uma entidade em determinado momento. Nessa demonstração, estão claramente evidenciados o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido da Entidade.

Segundo a Lei das S/A é composto de duas colunas:
Na coluna da esquerda (à esquerda de quem olha para o Balanço Patrimonial), ou coluna do Ativo, são apresentadas as contas referentes aos bens e direitos da entidade e seus respectivos valores.

“Lei das S/A – A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente, vedada à utilização da primeira ao final”.
Para Carvalho de Mendonça, citado por Amador Paes de Almeida, a sociedade anônima "é aquela em que todos os sócios, denominados acionistas ou acionários, respondem pelas obrigações sociais até o valor em que entraram ou prometeram entrar para a formação do capital social"
(Manual das Sociedades Comerciais, São Paulo: Saraiva, 2ª ed., 1979, p. 181).

Na coluna da direita, ou coluna do Passivo, são apresentadas as contas referentes às obrigações da entidade e também ao seu patrimônio líquido, bem como os valores correspondentes.

Balanço Patrimonial
Ativo

Passivo

(Bens e direitos)
(Obrigações)

A Lei das S/A considera o Patrimônio Líquido como parte integrante do passivo. Todavia, o passivo representa as obrigações exigíveis, ou seja, as obrigações com terceiros, enquanto que o Patrimônio Líquido representa as obrigações não exigíveis, ou seja, as obrigações com os proprietários.



Tela 2
Módulo 2 - O balanço patrimonial - Ativo

Pode-se ver o balanço patrimonial de maneira mais simples:

Balanço Patrimonial
Esquerda

Direita

Ativo
Passivo e Patrimônio Líquido


Ativo
São todos os bens e direitos controlados pela empresa, avaliáveis em dinheiro, que representam benefícios presentes ou futuros.
São os itens positivos do patrimônio; trazem benefícios, proporcionam ganho para a empresa.


Tela 3
Módulo 2 - O balanço patrimonial - Ativo

2 - Classificação das contas

Ao classificarmos as contas no ativo devemos ter atenção especial a dois itens:

  • Leasing - com a alteração da Lei 6.404/76 pela Lei 11.638/07, os bens em processo de arrendamento mercantil devem ser contabilizados como ativo e a divida com o leasing como passivo.
  • Benefícios Presentes ou Futuros - títulos a receber de uma empresa falida ou um carro acidentado, são considerados perdas, pois não produzem benefícios presentes ou futuros.

Ao estudarmos o passivo, especial destaque deve ser atribuído ao aspecto da exigibilidade.


Passivo significa as obrigações exigíveis da empresa, ou seja, as dívidas que serão cobradas, reclamadas a partir da data do seu vencimento. É denominado também passivo exigível, procurando-se neste caso dar mais ênfase ao aspecto exigibilidade.

É denominado de Capital de Terceiros, sendo formado pela soma do passivo circulante com o passivo exigível a longo prazo.



Tela 4
Módulo 2 - O balanço patrimonial - Ativo

Patrimônio Líquido – evidencia os recursos dos proprietários que são aplicados no empreendimento. Ao investimento inicial denominamos Capital Social. Caracteriza-se por não ser exigível. É denominado de Capital Próprio.

O Patrimônio Líquido aumenta a partir de:

a) novos investimentos efetivados pelos acionistas;
b) resultado da atividade operacional (lucro).

O lucro pertence aos proprietários. É a remuneração do capital investido, embora não seja totalmente retirado da empresa. Após a apuração do lucro ocorre sua destinação:

  • Distribuído para os proprietários na forma de dividendos;
  • Reinvestido na empresa.


Tela 5
Módulo 2 - O balanço patrimonial - Ativo

3 - Estrutura do Balanço Patrimonial

Com a alteração da Lei 6.404/76 pela Lei 11.941/09, o Balanço Patrimonial passou a ter a seguinte divisão:

ATIVO: CIRCULANTE E NÃO CIRCULANTE, sendo o não circulante subdividido em Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível.

PASSIVO: CIRCULANTE, NÃO CIRCULANTE E PATRIMÔNIO LÍQUIDO.

Ativo
Passivo

Circulante
Compreende contas que estão constantemente em giro – em movimento, sua conversão em dinheiro ocorrerá, no máximo, até o próximo exercício social.

Circulante
Compreende obrigações exigíveis que serão liquidadas no próximo exercício social (nos próximos 12 meses após o levantamento do balanço).

 
Não Circulante
Realizável a Longo Prazo

Incluem-se nessa conta bens e direitos que se transformarão em dinheiro após o exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia ou da empresa.
Não Circulante (Exigível a Longo Prazo)
Relacionam-se nessa conta obrigações exigíveis que serão liquidadas com prazo superior a um ano – dívidas a longo prazo.

Investimento
São as aplicações de caráter permanente que geram rendimentos não necessários à manutenção da atividade principal da empresa.


Imobilizado
Abarca itens corpóreos (tangíveis) de natureza permanente que serão utilizados para a manutenção da atividade básica da empresa.


Intangível
Direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia.




Patrimônio Líquido
São recursos dos proprietários aplicados na empresa. Os recursos significam o capital mais o seu rendimento – lucros e reservas. Se houver prejuízo, o total dos investimentos proprietários será reduzido.

 


Tela 6
Módulo 2 - O balanço patrimonial - Ativo

4 - Grupo de Contas

Ativo
Passivo
Circulante
Circulante
Disponível (caixa e bancos) Contas a pagar
Contas a receber Fornecedores
(-) Provisão para créditos de liquidação duvidosa Empréstimos
Provisões (13º salário, férias etc...).
(-) Duplicatas descontadas  
Estoques  
Investimentos temporários  
Não circulante Não circulante
Realizável no Longo Prazo Exigível no Longo Prazo
Títulos a receber Financiamentos
Empréstimos às Coligadas/ Controladoras Títulos a pagar
Empréstimos a Diretores  
Investimentos Patrimônio Líquido
Capital Social
Imóvel alugado a terceiros Reservas de lucro
Participações em outras sociedades Ações em Tesouraria (conta retificadora)
Imobilizado  Prejuízos Acumulados
Móveis e Utensílios  
Veículos  
Máquinas e equipamentos  

(-)depreciações e exaustões

 
Intangível  
Marcas e patentes  
Fundo de Comércio  
(-) amortizações  

Os grupos investimentos, imobilizado e intangível eram conhecidos como ativo permanente.

É importante destacar que o Balanço Patrimonial é uma demonstração estática. Reflete o saldo das contas em determinado momento (normalmente 31/12 de cada ano), sem, contudo explicar o que ocasionou a variação destes saldos de um exercício financeiro para outro.

Existem empresas que apresentam um ciclo operacional curto (supermercado), outras com um ciclo operacional um pouco maior (indústria naval, construção civil) e outras, nas quais este ciclo é bastante longo, como no caso da atividade pecuária (quatro anos). Pela Lei das S/A, se o Ciclo Operacional de uma empresa for superior a um ano, para a classificação de contas no Balanço Patrimonial, passa a ser considerado este ciclo como curto prazo.


A regra geral é: considera-se curto prazo o período de 12 meses ou o Ciclo Operacional, valendo o maior.


Ciclo Operacional


Ciclo Operacional é o período de tempo que uma indústria, por exemplo, leva para produzir seu estoque, vendê-lo e receber as duplicatas geradas na venda, entrando no caixa. É o ciclo produzir/vender/receber.



Tela 7
Documento sem título

Resumo

O Balanço Patrimonial reflete patrimônio da empresa (bens, direitos e obrigações) em determinada data sem, contudo, explicar o que provocou a diferença dos saldos de um ano para outro. É uma demonstração estática que reflete a situação financeira da empresa (com exceção da conta prejuízos acumulados que é uma conta econômica).

Ele é apresentado sob a forma de um quadro ou tabela dividido em duas colunas. Na coluna da esquerda, ou coluna do Ativo, são apresentadas as contas referentes aos bens e direitos da entidade e seus respectivos valores. Na coluna da direita, ou coluna do Passivo, são apresentadas as contas referentes às obrigações da entidade e também ao seu patrimônio líquido com seus valores correspondentes.

O ativo é dividido em dois grupos: circulante e não circulante.
O grupo não circulante é subdividido em realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.

O passivo é dividido em três grupos: circulante, não circulante (exigível a longo prazo) e patrimônio líquido.

Um dos aspectos mais importantes do Balanço Patrimonial é a estrutura do passivo, seu endividamento, dividido em dívidas exigíveis (capitais de terceiros= passivo circulante + passivo exigível a longo prazo) e dívidas não exigíveis (capital próprio = patrimônio líquido).



Unidade 1 Módulo 2
Tela 8
Módulo 1 - Significado e estrutura do Passivo

1 - Receita e despesa

A cada exercício social (normalmente, um ano) a empresa deve apurar o resultado dos seus negócios. Para saber se obteve lucro ou prejuízo, a contabilidade confronta a receita (vendas) com as despesas. Se a receita foi maior que a despesa, a empresa teve lucro, se a receita foi menor que a despesa, teve prejuízo.


A Receita corresponde, em geral, a vendas de mercadorias ou prestações de serviços. Ela é refletida no balanço através da entrada de dinheiro no Caixa (Receita à Vista) ou entrada em forma de direitos a receber (Receita a Prazo) – Duplicatas a Receber.


A Despesa é todo sacrifício, todo esforço da empresa para obter Receita (todo consumo de bens ou serviços com o objetivo de obter Receita). É um sacrifício, um esforço para a empresa. Ela é refletida no balanço por meio de uma redução do Caixa (quando é paga no ato – à vista) ou mediante um aumento de uma dívida – Passivo (quando a despesa será paga no futuro – a prazo).

A despesa pode, ainda, originar-se de outras reduções de Ativo (além do caixa), como é o caso de desgastes de máquinas (depreciação) e outros.



Tela 9
Módulo 1 - Significado e estrutura do Passivo

2 - Estrutura da DRE


A DRE é o relatório contábil que tem a finalidade de demonstrar o Resultado (lucro ou prejuízo) do período, bem como, em detalhes, como chegar ao referido Resultado.

A preocupação na elaboração de um Relatório Contábil é a riqueza de detalhes, sem complicações, no sentido de propiciar um maior número de informações para a tomada de decisões. As parcelas dedutivas (subtrativas) são agrupadas de acordo com suas características.


DRE é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período (12 meses), sendo apresentada de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e, em seguida, indica-se o Resultado (lucro ou prejuízo).

Observe que, enquanto o Balanço Patrimonial é uma demonstração estática (posição em determinada data) a Demonstração do Resultado do Exercício é uma demonstração dinâmica (somatório das receitas e despesas ocorridas entre 01/01 e 31/12).


É importante lembrar que um dos princípios contábeis que regem a apuração do resultado é o da Competência do Exercício. Em decorrência deste princípio as receitas e despesas são contabilizadas na ocorrência do fato gerador, independentemente do recebimento da receita e do pagamento da despesa. Ou seja, ter lucro não significa ter dinheiro.

Se a empresa efetua vendas a prazo em janeiro para receber em 90 dias, o reconhecimento da receita (fato gerador) e um acréscimo em duplicatas a receber ocorrem em janeiro. Desta forma, esta receita irá proporcionar um lucro em janeiro que se converterá em dinheiro somente dentro de 90 dias (fator caixa).

Da mesma forma, temos também na DRE despesas que somente serão pagas em outro momento, mas que influenciaram na apuração do lucro. É importante lembrar que algumas despesas não representam para a empresa sacrifícios financeiros,mas reduzem o lucro. É o caso, por exemplo, das depreciações, amortizações, exaustões e do resultado da equivalência patrimonial.



Tela 10
Módulo 1 - Contas do Passivo

O que pretendemos destacar é que lucro é resultado econômico, não representa necessariamente dinheiro.

Vamos fazer uma analogia. Você trabalhou em janeiro (fato gerador do seu direito de receber o salário), contudo a empresa irá pagar seu salário somente no quinto dia útil do mês subseqüente. Você teve uma receita em janeiro (irá proporcionar um lucro) que somente será recebido financeiramente em fevereiro.

Mas, ainda, você estava devendo o cheque especial, e ao entrar o depósito do salário este não foi suficiente para cobrir o saldo devedor. Apesar do lucro você continua com uma situação financeira negativa.

A estrutura de uma DRE completa e os principais grupos são:




Tela 11
Módulo 1 - Contas do Passivo

3 - Como apurar a receita líquida


A Receita Bruta é o total bruto vendido no período. Nela estão inclusos os impostos sobre vendas (os quais pertencem ao governo) e dela não foram subtraídas as devoluções (vendas canceladas) e os abatimentos (descontos) ocorridos no período.

Impostos e Taxas sobre vendas são aqueles gerados no momento da venda; variam proporcionalmente à venda, ou seja, quanto maior for o total de vendas, maior será o imposto. São os mais comuns:


Sigla
Nome do Imposto
IPI
Imposto sobre Produtos Industrializados (federal).
ICMS
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (estadual).
ISS
Imposto Sobre Serviços de qualquer natureza (municipal).
PIS
Programa de Integração Social - taxa sobre o faturamento (federal).
COFINS
Contribuição para a Seguridade Social.



Exemplo do cálculo da Receita Líquida

Nota Fiscal__________ Cia. Balanceada
   
Preço do Produto
10.000 + IPI (30%)
3.000
 
Preço Total
13.000
    
ICMS incluso no Preço 18% x $ 10.000 = $ 1.800

Receita Bruta
$ 13.000
(-) Deduções
$ (4.800)
IPI    $ (3.000)
ICMS    $ (1.800)
Receita Líquida
$ 8.200


Exemplo do cálculo da Receita Líquida

Admita-se, como exemplo, que a indústria Cia. Balanceada tenha emitido uma nota fiscal de venda cujo preço do produto seja de $ 10.000 mais 30% de IPI. O ICMS está incluso no preço do produto:



Tela 12
Módulo 1 - Contas do Passivo

4 - Como apurar o lucro bruto


Entende-se por lucro bruto a diferença entre a Receita Líquida e o Custo da Mercadoria Vendida ou do Serviço Prestado.

Antes de continuarmos vamos identificar a diferença entre despesa e custo.
Exemplo de diferenciação no tratamento de custo e despesa.

Em uma indústria custo significa todos os gastos na fábrica (produção): matéria-prima, mão-de-obra, energia elétrica, manutenção, embalagem etc. Despesa significa os gastos no escritório, seja na administração, seja no departamento de vendas, seja no departamento de finanças.



Tela 13
Módulo 1 - Contas do Passivo

5 - Como apurar o Lucro Operacional


Lucro Operacional
é a diferença entre o Lucro Bruto e as Despesas Operacionais, que são as despesas necessárias para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa.

Os principais grupos de Despesas operacionais são:

a) Despesas de vendas – abrangem desde a promoção do produto até sua colocação junto ao consumidor (comercialização e distribuição). São despesas com o pessoal da área de venda, comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, marketing, estimativa de perdas com duplicatas derivadas de vendas a prazo (provisão para devedores duvidosos) etc.

b) Despesas administrativas – são aquelas necessárias para administrar (dirigir) a empresa. De maneira geral, são gastos nos escritórios que visam à direção ou à gestão da empresa.
Pode-se citar como exemplos: honorários administrativos, salários e encargos sociais do pessoal administrativo, aluguéis de escritórios, materiais de escritório, seguro de escritório, depreciação de móveis e utensílios, assinaturas de jornais etc.

c) Despesas financeiras – são as remunerações aos capitais de terceiros, tais como: juros pagos ou incorridos, comissões bancárias, correção monetária prefixada sobre empréstimos, descontos concedidos, juros de mora pagos etc.



Tela 14
Módulo 1 - Contas do Passivo

6 - Como calcular o Lucro Antes do IR

Ao Lucro Operacional adicionamos as receitas não operacionais e subtraímos as despesas não operacionais, obtendo-se o Lucro Antes do Imposto de Renda.

Consideram-se como não-operacionais as despesas e receitas não diretamente relacionadas com o objetivo do negócio da empresa, como por exemplo, lucro ou prejuízo na venda de ativos permanentes.


O Imposto de Renda não é calculado sobre o lucro contábil (Lucro Antes do Imposto de Renda – LAIR), mas sim sobre o Lucro Ajustado às disposições da legislação do Imposto de Renda, e que se denomina Lucro Real.

Para cálculo do Lucro Real, o LAIR é levado para um livro não contábil reservado exclusivamente para fins fiscais, conhecido como LALUR, isto é, Livro de Apuração do Lucro Real mantido pela empresa para atender a Legislação do Imposto de Renda.


No LALUR o lucro contábil sofrerá alguns ajustes, passando para lucro fiscal (ou tributário) e servindo de base para cálculo do Imposto de Renda.

Junto com o Imposto de Renda também é calculada a Contribuição Social, que é uma taxa sobre o lucro (9%) para o governo atender ao auxílio-desemprego e outras finalidades sociais.



Tela 15
Balanço Patrimonial e tomada de decisões

Alguns ajustes no lucro - Vamos admitir que um fiscal qualquer passe pela empresa e a autua por sonegação, aplicando-lhe uma multa de $ 1.000. A empresa paga a multa e deduz como despesa na DRE. Dessa forma, o lucro contábil que seria de $ 5.000,00 foi reduzido para $ 4.000,00.

O pagamento da multa e a dedução como despesa na contabilidade provocariam uma redução no pagamento do IR. Dessa forma a empresa estaria pagando menos IR devido a uma punição por sonegação.

Dessa forma, no LALUR, a empresa deverá adicionar ao lucro contábil aquela parcela de R$ 1.000,00, contabilizada como dedutível, mas conforme o fisco considerada indedutível.

Outras parcelas são adicionadas ao resultado no LALUR para fins do cálculo do lucro real: excesso de depreciação e despesas não dedutíveis, entre outras.

Exemplo de cálculo do Imposto de Renda

Demonstração do Resultado do Exercício
Cia. Exemplo
Em $ mil
Receita Bruta
58.000
( – ) Deduções
IPI
(3.000)
ICMS
(4.000)
Abatimentos
(1.000)
Receita Líquida
50.000
( – ) Custo dos Produtos Vendidos
(18.000)
Lucro Bruto
32.000
( – ) Despesas Operacionais
De Vendas
(6.000)
Administrativas
(12.000)
Financeiras
(8.000)
Lucro Operacional
6.000
(+/–) Receitas/Despesas não Operacionais
Vendas de Imobilizado com prejuízo
(1.000)
Perdas diversas
(2.000)
Lucro Antes do Imposto de Renda
3.000
( – ) Imposto de Renda
?


Tela 16
Balanço Patrimonial e tomada de decisões

7 - Dados para cálculos do Lucro Real

• No Custo do Produto Vendido – CPV a empresa calculou a Depreciação das Máquinas e Equipamentos tendo como base 15%, e não 10%, como o Imposto de Renda determina. O valor das Máquinas e Equipamentos é de $ 60 milhões.
• Consta em Despesa Administrativa uma multa fiscal punitiva no valor de $ 4 milhões.
• Houve no exercício anterior, um prejuízo de $3 milhões.

Cálculo do Lucro Real: Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR)

Lucro Contábil (LAIR)
3.000.000
Inclusões:
5% de excesso de Depreciação x 60.000.000
3.000.000
Multa Fiscal
4.000.000
Subtotal
10.000.000
Exclusões:
Prejuízo do Exercício Anterior
(3.000.000)
Lucro Real
7.000.000

Provisão para Imposto de Renda :
15% do Lucro Real
PIR :
15% x 7.000.000
PIR :
$ 1.050.000

Lucro Contábil (LAIR)
3.000.000
( - ) PIR - Provisão para Imposto de Renda
(1.050.000)
( = ) ? Lucro Depois do Imposto de Renda
1.950.000


Tela 17
Balanço Patrimonial e tomada de decisões

Como apurar o lucro líquido:



O lucro líquido é a sobra líquida à disposição dos proprietários (sócios ou acionistas). Conforme estudado anteriormente, o lucro pertence ao proprietário da empresa, é a remuneração do capital investido. Contudo, o proprietário não pode retirar todo o lucro da empresa, uma parte é distribuída aos acionistas/proprietários na forma de dividendos e o restante é retido na empresa na forma reservas de lucros, conta de patrimônio líquido.

Ano-base e exercício financeiro


Nome : Pedro Silva
Imposto de Renda - Pessoa Física
CPF : 000.000.000-00
Exercício 2007
Declaração de Ajuste Anual
Ano-Calendário 2006

O Imposto de Renda incide sobre o lucro da empresa. Quando a empresa apura no exercício social “X” um lucro de $ 200.000, declara-se e recolhe-se aos cofres públicos, 15% sobre o lucro ($ 30.000), no Exercício “X+1”.

O exercício social em que é gerado o lucro (ano X) denomina-se “Ano-base”. O exercício social em que se paga o Imposto de Renda (ano X+1) denomina-se “Exercício financeiro”.

Ressalte-se que as grandes empresas pagam Imposto de Renda trimestralmente.

Pelo regime de competência, considera-se o Imposto de Renda no período em que foi gerado (Ano-base) e não no período de pagamento (exercício financeiro).



Tela 18
Resumo

Resumo

A Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo das receitas e despesas incorridas durante o exercício financeiro. É uma demonstração dinâmica, essencialmente econômica que apura o lucro ou prejuízo da entidade.

A receita representa geralmente a venda de mercadorias ou prestações de serviços, e é refletida no balanço por meio da entrada de dinheiro no caixa (receita à vista) ou entrada em forma de direitos a receber (receita a prazo).

A Despesa é todo sacrifício, todo esforço da empresa para obter Receita e é refletida no balanço mediante uma redução do Caixa (quando é pago no ato – à vista) ou mediante um aumento de uma dívida – Passivo (quando a despesa é contraída no presente para ser paga no futuro – a prazo).

A despesa pode, ainda, originar-se de outras reduções de Ativo, como por exemplo, o caso de desgastes de máquinas (depreciação).

A estrutura de uma DRE completa e principais grupos:

- Receita bruta menos as suas deduções;
- Receita líquida menos os custos do período;
- Lucro Bruto menos as suas despesas operacionais;
- Lucro operacional mais as suas receitas e as suas despesas;
- Lucro antes e depois do IR; e
- Lucro líquido.



Unidade 1 Módulo 3
Tela 19
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício
1 - DLPA e o Balanço Patrimonial

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) é obrigatória para as empresas; todavia, deverá ser substituída pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido no caso das Companhias Abertas, conforme exigência da Comissão de Valores Mobiliários.


A DLPA evidencia a distribuição do lucro. Tem a finalidade de realizar a interligação da Demonstração do Resultado do Exercício com o Balanço Patrimonial, uma vez que o lucro apurado na DRE retorna ao BP na forma de dividendos (passivo circulante) ou lucros retidos (patrimônio líquido).

O Balanço Patrimonial, como se pode constatar é uma demonstração estática, onde são evidenciados o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido em uma determinada data.

Balanço Patrimonial

Ativo
Passivo
 
2005
2006
 
2005
2006
Circulante
1.400
1.100
Circulante
800
600
Caixa
200
300
Fornecedores
800
600
Duplicatas a receber
1.200
800
Impostos a Recolher
Estoques
Outras dívidas
Realizável a Longo Prazo
Exigível a Longo Prazo
Títulos a Receber
Financiamentos
Permanente
5.600
5.900
Patrimônio Líquido
6.200
6.400
Investimentos
Capital
5.000
5.000
Imobilizado
5.600
5.900
Reservas de Lucro
1.200
1.400
Intangível
 
Total
7.000
7.000
Total
7.000
7.000

Podemos verificar os saldos que a empresa tinha no início e no final do período, sem, contudo sabermos as razões das variações.

Pode-se verificar que ao final do ano 2005 o saldo da conta Reservas de Lucro era de $ 1.200,00 e que ao final do ano 2006 era de $ 1.400,00 Novamente observa-se o aspecto estático do Balanço Patrimonial, que evidencia os saldos no início e no final do exercício, mas não destaca os motivos da variação.



Tela 20
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício

A Demonstração do Resultado do Exercício – a DRE é uma demonstração dinâmica que informa os resultados das operações ocorridas ao longo de um determinado período. Podemos observar o total de vendas ocorrido ao longo de um período, bem como o total de despesas. Não é uma situação estática de um momento, mas a somatória de todas as operações (Receitas e Despesas) no período em análise.

Demonstração do Resultado do Exercício
Cia. Exemplo Em $ mil
Receita Bruta  
( - ) Deduções  
Receita Líquida  
( - ) Custo dos Produtos Vendidos  
Lucro Bruto  
( - ) Despesas Operacionais  
Lucro Operacional  
(+/-) Receitas/Despesas não Operacionais  
Lucro Antes do Imposto de Renda  
( - ) Imposto De Renda  
Lucro Depois do Imposto de Renda  
( - ) Participações  
Lucro Líquido  

O Lucro Líquido Apurado na Demonstração do Resultado do Exercício pertence aos proprietários da empresa. Contudo não é totalmente retirado da mesma:

• Parte é distribuída aos proprietários na forma de dividendos, remunerando o capital investido;
• Parte é reaplicada na empresa, no sentido de fortalecer o Capital Próprio. Esta parcela é conhecida como lucro retido (não distribuído).

Pode-se concluir que o lucro apurado na DRE irá então para o BP, uma parte para o passivo (dividendos a pagar) e outra parte para o Patrimônio Líquido (lucro retido).



Dividendos a pagar


Dividendos a pagar representam uma destinação do lucro do exercício, dos lucros acumulados ou de reservas de lucros aos acionistas da companhia.



Lucro retido

Lucro retido é assim designado quando não é distribuído na forma de dividendos, permanecendo na empresa como reservas de lucros.



Tela 21
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício
2 - A integração entre o BP e a DRE

O lucro do período pertence aos acionistas. Contudo parcela do lucro é reinvestida na empresa (reservas de lucro) e outra parcela é destinada a remunerar aos acionistas (dividendos) pelo investimento efetuado na empresa.

Assim, após apurar o lucro do exercício, soma-se ao remanescente já existente, fazem-se as destinações específicas, distribui-se em forma de dividendos e dá-se outros tratamentos, tudo num mesmo relatório conhecido como Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, que serve de interligação entre o BP e a DRE.

A partir da entrada em vigor da Lei 11.638/07 não pode haver saldo de lucro na empresa sem uma destinação específica.

O lucro será distribuído aos acionistas (dividendos) ou reinvestido na empresa (reserva de lucro). A conta lucros acumulados deverá apresentar saldo zero.

Estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados:

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados
Cia. Exemplo
Em $ mil
Saldo de Lucros Acumulados em 31-12-x0  
(+/-) Ajustes de exercícios anteriores  
(+) Reversões de Reservas  
(+) Lucro Líquido do Exercício x1  
Lucro Total Disponível  
( - ) Proposta da Administração para destinação do Lucro  

Reserva Legal

 

Reserva Estatutária

 

Reserva para Contingência

 

Reserva Orçamentária (para expansão)

 

Reserva de Lucros a Realizar

 
Saldo de Lucros Acumulados em 31-12-x1  


Tela 22
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício
Ajustes de Exercícios Anteriores

A nossa legislação estabelece que o Lucro Líquido do Exercício não deve ser influenciado por valores oriundos de outros exercícios. Dessa forma, teremos o Lucro Líquido realmente obtido com as operações num determinado ano.

Encontramos respaldo para esta disposição legal, considerando o princípio de Competência de Exercícios.

Assim, se, por exemplo, constatássemos um erro de soma de cálculo na apuração dos Estoques em X0, não poderíamos considerá-lo na DRE em 19x1 (ano em que o erro foi descoberto), pois estaríamos sendo incoerentes.

A legislação dispõe que, como ajustes de exercícios anteriores, serão considerados apenas:

• os decorrentes de efeitos de mudança de critério contábil (deverão ser indicados em notas explicativas e ressaltados os efeitos);
• retificação de erro imputável a determinado exercício anterior.


Competência de Exercícios

Competência de Exercícios é o que determina que as Receitas e Despesas devem ser contabilizadas no período da ocorrência do fato gerador.



Tela 23
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício
3 - Proposta da Administração para destinação do lucro

Após a apuração do montante disponível do lucro, será destacada a proposta dos órgãos da administração da companhia, apresentada aos acionistas (Assembléia Geral), sobre a destinação a ser dada ao Lucro Líquido do Exercício, que é o lucro do período apurado na demonstração do resultado do exercício.

Os órgãos administrativos, da proposta sobre a destinação do lucro apresentado da DLPA, constituem reservas, baseando-se nos estatutos da empresa e na Lei das Sociedades por Ações. Essas reservas originadas do Lucro Líquido do Exercício são denominadas Reservas de Lucros.

Reserva Legal – Do Lucro Líquido do exercício, 5% (cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer destinação, na constituição da Reserva Legal, que não excederá 20% (vinte por cento) do Capital Social.

Poderá, a critério da companhia, deixar de receber créditos, quando o saldo desta reserva, somando ao montante das reservas de capital, atingir 30% do capital social.


A Reserva Legal tem por fim assegurar a integridade do Capital Social e somente poderá ser utilizada para compensar Prejuízos ou aumentar Capital.
Reserva Estatutária é aquela prevista nos estatutos da empresa.

O estatuto poderá criar reservas, desde que para cada uma:

1. Indique, de modo preciso e completo, sua finalidade;
2. Fixe os critérios para determinar a parcela anual dos Lucros Líquidos que serão destinados a sua constituição; e
3. Estabeleça o limite máximo de Reservas.



Tela 24
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício

Reserva para contingência é aquela em que parte do Lucro Líquido é destinada à formação de Reserva com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado.

A proposta dos órgãos da administração deverá indicar a causa da perda prevista e justificar, com as razões de prudência que a recomendem, a constituição da Reserva.
A Reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram sua constituição em que ocorrer a perda.


Reserva Orçamentária (reserva de lucros para expansão) – Parcelas do Lucro Líquido poderão ser retidas para expansão da empresa quando prevista em orçamento de capital aprovado pela Assembléia Geral.


Reserva de lucros a realizar
– Pode haver parte do Lucro Líquido que ainda não foi realizada, financeiramente.

Dessa forma não é justo pagar dividendos sobre a parcela não realizada financeiramente, caso contrário enfraqueceria a situação financeira da empresa.
Esta reserva é optativa



Tela 25
Módulo 4 - A demonstração do resultado do exercício
Resumo

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados evidencia a distribuição do lucro. Tem a finalidade de realizar a interligação da Demonstração do Resultado do Exercício com o Balanço Patrimonial, uma vez que o lucro apurado na DRE retorna ao BP na forma de dividendos (passivo circulante) ou lucros retidos (patrimônio líquido).

O lucro pertence ao acionista que não pode retirá-lo integralmente da empresa. A parcela do lucro distribuída aos acionistas é denomina de dividendos. O lucro não distribuído fica registrado como reservas de lucros.

As reservas de lucro são a legal, estatutária, contingência, orçamentária e de lucros a realizar. Tais reservas são constituídas na forma dos Estatutos e de acordo também com a Proposta da Administração para a destinação do lucro. A Reserva legal é tratada no art. 193 da Lei 6.404/76 e deverá ser constituída com a destinação de 5% do lucro líquido do exercício. Será constituída obrigatoriamente, pela companhia, até que seu valor atinja 20% do capital social realizado, quando então deixará de ser acrescida; ou poderá, a critério da companhia, deixar de receber créditos, quando o saldo desta reserva, somando ao montante das reservas de capital, atingir 30% do capital social. Sua utilização está restrita à compensação de prejuízos e ao aumento do capital social.

A reserva estatutária é constituída por determinação do estatuto da companhia. Essas reservas não podem restringir o pagamento do dividendo obrigatório.

A reserva para contingência, segundo o artigo 196 de Lei 6.404/76 é constituída por proposta dos órgãos da administração, e tem a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. O objetivo de constituição dessa reserva é separar uma parcela de lucros, inclusive com a finalidade de não distribuir como dividendo, o valor correspondente a prováveis perdas extraordinárias futuras.

A reserva orçamentária constitui-se na retenção de lucros para expansão da empresa, quando prevista em orçamento de capital aprovado pela Assembléia Geral.

A reserva de lucros a realizar é constituída com o objetivo de evidenciar a parcela de lucros ainda não realizada financeiramente, evitando a distribuição de dividendos de valores não realizados financeiramente.



Unidade 1 Módulo 4
Tela 26
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

1 - Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR):


A DOAR tem a finalidade de explicar a variação ocorrida no Capital Circulante Líquido (Capital Giro Próprio) de um ano para outro. Ajuda-nos a compreender como e por que a Posição Financeira mudou de um exercício para outro.

Apesar de não ser obrigatória a DOAR é de grande importância para o planejamento da empresa, pois evidencia a variação do Capital Circulante Líquido (CCL), ou seja, a situação financeira da empresa no curto prazo.


CCL é a diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante.

Vejamos alguns exemplos:

Ativo
2006
Passivo
2006
Circulante
300
Circulante
200
Não circulante
900
Não circulante
100
Realizável a Longo Prazo
100
Exigível a Longo Prazo
100
Imobilizado
800
Patrimônio Líquido
900
Total
1.200
Total
1.200

Ao final de 2006 o CCL era de R$100 (AC = $300 – PC = $200).



Capital Circulante Líquido

Capital Circulante Líquido é a diferença entre os valores do ativo circulante e do passivo circulante, aquilo de que a empresa efetivamente dispõe para movimentar seus negócios.



Capital Giro Próprio

Capital Giro Próprio – As contas que compõem a necessidade líquida de capital de giro representam operações de curto prazo e de retornos rápidos, sendo totalmente diferentes das contas que compõem o ativo permanente, pois estas resultam de decisões de longo prazo com uma perspectiva bastante lenta para a recuperação do capital investido (SANTI FILHO e OLINQUEVITCH, 1995).



Tela 27
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

Podemos obter este CCL de uma outra forma:


    O passivo não circulante (exigível a Longo Prazo) e Patrimônio Líquido totaliza R$1.000,00.


    O ativo não circulante (realizável a longo prazo e imobilizado) totaliza $900.
    Temos então que: Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido ($1.000) – Ativo Não Circulante ($900) = R$100,00.

Podemos concluir que o CCL de R$100,00 trata-se de recursos obtidos a longo prazo ou com os proprietários (financiamentos) investidos no ativo circulante. Vejamos:

O Patrimônio Líquido no valor de R$900,00 financiou totalmente o Ativo Não Circulante Imobilizado no valor de R$800,00. Sobraram, ainda, $100 que foram aplicados no Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo (R$100,00). Sobraram então R$100,00, do Passivo não circulante (Exigível a Longo Prazo), que foram aplicados no ativo circulante.

Ativo
2006
Passivo
2006

Circulante

300

Circulante

200
Não circulante
100

Exigível a Longo Prazo

100
Não circulante
900

Patrimônio Líquido

900

Realizável a Longo Prazo

100

Imobilizado

800
Total
1.200
Total
1.200

Vejamos outro exemplo:

Podemos concluir que o CCL de – R$100,00 trata-se de recursos obtidos a curto prazo (passivo circulante) aplicados no ativo não circulante. Vejamos:

O Patrimônio Líquido no valor de R$800,00 foi utilizado para financiar o Ativo Não Circulante Imobilizado no valor de R$900,00.

Para complementar o financiamento do Ativo Não Circulante Imobilizado, faltaram, ainda, R$100,00 que foram obtidos no Passivo Não Circulante (Exigível a Longo Prazo.)

Para financiar o Ativo Não Circulante realizável a longo prazo, foram obtidos R$100,00 por meio de dívidas de curto prazo (passivo circulante).

O que temos são dívidas de curto prazo (R$100,00) utilizadas para financiar o ativo não circulante.

Ativo
2006
Passivo
2006

Circulante

200
Circulante
300
Não circulante
Não circulante
100

Realizável a Longo Prazo

100
Exigível a Longo Prazo
100

Imobilizado

900

Patrimônio Líquido

800
Total
1.200
Total
1.200


Vejamos outro exemplo:

Ativo
2006
Passivo
2006

Circulante

200
Circulante
300
Não circulante
1.000
Não circulante
100

Realizável a Longo Prazo

100
Exigível a Longo Prazo
100

Imobilizado

900

Patrimônio Líquido

800
Total
1.200
Total
1.200

 



Tela 28
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

2 - Como elaborar a DOAR

Consideram-se Origem as operações que geram aumento de CCL, e como Aplicação as que provocam uma diminuição do CCL.

Entende-se como não circulante:


    • Ativo Não Circulante: Realizável a Longo Prazo; Investimentos, Imobilizado e Intangível.
    • Passivo Não Circulante (Exigível a Longo Prazo); e
    • Patrimônio Líquido.



Na elaboração da DOAR devemos analisar as variações ocorridas no grupo não circulante e no Patrimônio Líquido, visto que as operações cujos reflexos ocorrem dentro do grupo circulante não afetam o CCL.

Exemplificando:

Ativo
2006
Passivo
2006

Circulante

100
Circulante
70
Não circulante
1.100
Não circulante
330

Realizável a Longo Prazo

200
Exigível a Longo Prazo
330

Imobilizado

900

Patrimônio Líquido

800
Total
1.200
Total
1.200

A empresa possui $100 de ativo circulante e R$70,00 de passivo circulante, seu CCL (AC – PC) será de R$30,00.

Caso a empresa compre estoque a prazo no valor de R$50,00 teremos um aumento no ativo circulante de R$50,00 pela entrada do estoque e um aumento simultâneo no passivo circulante (fornecedores).

Neste caso, o ativo circulante passará para R$150,00 e o passivo circulante para R$120,00 mantendo o CCL em R$30,00.

Observe que esta operação foi totalmente lançada nos grupos circulantes (ativo circulante e passivo circulante).

Caso a compra fosse à vista, teríamos um aumento no ativo circulante (estoque) e uma redução simultânea do ativo circulante pela saída de recursos do caixa da empresa, mantendo o CCL em R$30,00.

Se a empresa obtém um empréstimo de longo prazo para capital de giro, temos um aumento no ativo circulante (entrada de recursos no caixa) e um aumento no passivo não circulante (exigível a longo prazo), alterando desta forma o CCL.

Podemos concluir que somente ocorre alteração no CCL quando um dos lançamentos ocorre nos grupos circulantes (ativo circulante ou passivo circulante) e o outro ocorre nos grupos não circulantes (ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível), passivo não circulante (exigível a longo prazo) e patrimônio líquido).

É importante observar que as operações “fechadas” dentro do grupo não circulante e patrimônio líquido não afetam o CCL, contudo devem ser evidenciadas na DOAR.


Exemplo.



Exemplo


Exemplo Aquisição de veículos por meio de financiamento de longo prazo. Ocorre um aumento no ativo não circulante imobilizado (veículos) e um aumento no passivo não circulante (exigível a longo prazo).
Esta operação não afetou o CCL, mas deve ser evidenciada na DOAR uma origem (financiamento de longo prazo) e uma aplicação (aquisição de veículos).

Considere uma empresa com o seguinte Balanço Patrimonial:

Empresa Exemplo S/A
Ativo
2005
2006
Passivo
2005
2006
Circulante
200
300
Circulante
150
200
Disponível
100
120
Fornecedores
80
120
Estoque
60
80
Salários a pagar
40
40
Duplicas a receber
40
100
Duplicatas a pagar
30
40
Não circulante
 600
 900
Não circulante
 50
 30
Realizável a Longo Prazo
120
70
Exigível a Longo Prazo
50
30
Empréstimos a receber
120
70
Financiamentos
50
30
Investimentos
80
40
Patrimônio Líquido
600
970
Participações
80
40
Capital Social
550
900
Imobilizado
400
790
Reservas de Lucro
50
70
Máquinas e equipam.
400
790
     
Total
800
1.200
Total
800
1.200

Analisando o Balanço Patrimonial , podemos afirmar que:

• O CCL (2005) = R$50,00, pois AC = 200 e PC = 150;
• O CCL (2006) = R$100,00, pois AC = 300 e PC = 200.
• Variação ocorrida no CCL = R$50,00.



Tela 29
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

A finalidade da DOAR


A finalidade da DOAR é explicar o que provocou este acréscimo de R$ 50,00 no Capital Circulante Líquido. Vamos analisar as variações ocorridas nos grupos não circulantes.

a) Ativo Não Circulante Realizável a Longo Prazo – ARLP:

O ARLP, composto por Empréstimos a Receber, no início de 2006 (final de 2005) era de R$ 120,00 e ao final de 2006 era de R$ 70,00. Como diminuiu o direito a receber, podemos supor que a empresa recebeu R$50,00. O recebimento dos recursos gera uma entrada de dinheiro para a empresa, aumentando em conseqüência o CCL.


Houve uma origem de recurso de R$50,00.

b) Ativo Não Circulante Investimento –Inv:

O APInv, composto por Participações em outras empresas, no início de 2006 (final de 2005) era de R$ 80,00 e ao final de 2006 era de $ 40. Como diminuiu o ativo, podemos supor que a empresa vendeu parte de suas participações que estavam contabilizadas por R$40,00. O recebimento dos recursos gera uma entrada de dinheiro para a empresa, aumentando em conseqüência o CCL.


Houve uma origem de recurso de R$40,00.

c) Ativo Não Circulante Imobilizado –Imob:

O Imob, composto por Máquinas e Equipamentos, no início de 2006 (final de 2005) era de R$ 400,00, e ao final de 2001 era de R$ 790,00. Como aumentou o ativo, podemos supor que a empresa comprou máquinas e equipamentos no valor de R$ 390,00. A compra, à vista, provoca uma saída de recursos, diminuindo em conseqüência o CCL. (não está sendo considerada a redução do valor do bem por depreciação).


Houve uma aplicação de recurso de R$390,00.

d) Passivo Exigível a Longo Prazo:

O Passivo representa as dívidas da empresa com terceiros. No caso analisado, a empresa, no início de 2006 (final de 2005) possuía dívidas de longo prazo no valor de R$ 50,00 e ao final de 2006 essas dívidas passaram para R$ 30,00. Como diminuiu a dívida, podemos supor que a empresa pagou parte de suas obrigações com terceiros, no valor de R$20,00. O pagamento da dívida gera uma saída de dinheiro para a empresa, diminuindo em conseqüência o CCL.


Houve uma aplicação de recurso de R$20,00.

e) Patrimônio Líquido – PL

O Patrimônio Líquido representa o recurso do proprietário investido na empresa. Também chamado de Capital Próprio, representa as obrigações da empresa com os proprietários, caracterizando-se, porém, por ser uma dívida não exigível enquanto a empresa estiver em continuidade.

O PL teve uma variação (aumento) de R$ 370,00 (R$970,00 – R$600,00). Como aumentou a dívida da empresa, podemos afirmar que existem mais recursos do proprietário na empresa, ou seja, o proprietário “emprestou” recursos para a empresa, ocasionando uma entrada no valor de R$ 370,00.


Houve uma origem de recurso de R$370,00.

A Doar

1. Capital Circulante Líquido no início de 2006
50
  
2. Origens de C.C.L. em 2006
460
Redução do Ativo Realizável a Longo Prazo
50
Redução do Ativo Não Circulante Investimento
40
Aumento do Patrimônio Líquido
370
 
3. Aplicações de C.C.L. em 2006
410
Aumento do Ativo Não Circulante Imobilizado
390
Redução do Passivo Exigível a Longo Prazo
20
4. Capital Circulante Líquido ao final de 2006
100


Tela 30
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

3 - Estrutura completa a DOAR

Costumamos afirmar que o aluno tem três formas de obter recursos (origem) para financiar seus estudos:

1) Trabalhando. O valor do seu trabalho é expresso por sua remuneração que pode ser visualizada em seu contracheque;
2) Pode pedir dinheiro a seus pais; e
3) Pode solicitar dinheiro a terceiros (empréstimos ou vender seus bens).

Fazendo uma analogia com a empresa, podemos dizer que as três principais origens de recursos são:

1) Sua atividade operacional (o contracheque da empresa é a DRE);
2) Com os acionistas (pais da empresa); e
3) Com terceiros (empréstimos ou pelo recebimento da venda de bens).


Das operações – O resultado da atividade operacional da empresa é expresso na Demonstração do Resultado do Exercício, o Lucro Líquido.

Contudo existem valores que influenciam na apuração do lucro na DRE, mas cujos reflexos são não operacionais ou não afetam o CCL.

O Resultado não operacional (positivo ou negativo) deve ser ajustado ao lucro líquido e considerado nas origens/aplicações de terceiros (conforme o caso), pois buscamos no momento o resultado provocado pelas atividades operacionais.

Outros valores influenciam o lucro líquido apurado na DRE, mas não afetam o CCL. É o caso do Resultado com Equivalência Patrimonial (cujo reflexo é no Ativo Não Circulante Investimento) e as depreciações (cujo reflexo é no Ativo Não Circulante Imobilizado).



Tela 31
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

Dos acionistas – Quando o acionista integraliza Capital ocorre um aumento no Patrimônio Líquido (Capital Social) e um aumento no Ativo. É claro que o aumento de Capital Social pode ocorrer por reversão de reserva de lucro. Esta visualização será possível através da Demonstração de Mutação do Patrimônio Líquido. Para fins deste estudo consideraremos que o aumento de capital social será por integralização de Capital.


De terceiros
– A empresa pode buscar recursos com terceiros através, por exemplo, de aquisição de novos empréstimos. Esta operação provocará um aumento no passivo exigível, tendo como contrapartida um aumento no ativo.

Pode, também, vender seus ativos não circulantes, o que provocará um aumento de ativos (pela entrada do recurso ou do direito a receber).

Verifica-se, então, que as origens de terceiros pode ocorrer pelo aumento do passivo não circulante ou pela diminuição do ativo não circulante.


Aplicações – As empresas podem aplicar seus recursos no pagamento das dívidas, o que provocará uma redução do passivo não circulante, ou na compra de ativos, o que provocará um aumento do ativo não circulante. Exemplo:


Tela 32
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

Exemplo: Considere as demonstrações contábeis abaixo e atente para o fato de que não houve distribuição do lucro (dividendos):

Balanço Patrimonial
Ativo
2005
2006
Passivo
2005
2006
Circulante
800
1.130
Circulante
300
400
Disponível
200
380
Contas a pagar
300
400
Duplicatas a receber
600
750
 
Não circulante
700
1.120
Não circulante
300
750
Realizável a LP
-
-
Exigível a LP
300
750
Investimentos
200
200
Financiamentos
300
750
Imobilizado
500
920
Patrimônio Líquido
900
1.100
      Capital Social
800
800
Diferido
200
200
Reservas de Lucro
100
300
Total
1.500
2.250
Total
1.500
2.250

Demonstração do Resultado do Exercício – 2006

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados - 2006
    
Receita
1.100
Lucros Acumulados
0
(-) Despesa
(900)
+ Lucro do mês
200
= Lucro Líquido
200
Reserva de Lucro
-200
= Saldo de lucros acumulados
0

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos

1. Capital Circulante Líquido no início de 2006 (final de 2005)
500
2. Origens de Capital Circulante Líquido em 2006
650
2.1. Das Operações
200
Lucro Líquido
200
2.2. Dos Acionistas
-
2.3. De Terceiros
450
Financiamentos
450
3. Aplicações de Capital Circulante Líquido em 2006
420
Aquisição de imobilizado
420
4. Capital Circulante Líquido no final de 2006
730

Pela análise da DOAR podemos observar que:

a) houve uma variação de R$230,00 no CCL;
b) a empresa obteve recursos por meio de sua atividade (lucro de $200) e por financiamentos ($450). Parte dos recursos foi aplicada na aquisição de imobilizados (R$420,00) e a diferença (R$650,00 - R$420,00 = R$230,00) ficou aplicada no ativo circulante, aumentando o Capital Circulante líquido.



Tela 33
Módulo 5 - A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados

Resumo

A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos tem a finalidade de evidenciar a variação do Capital Circulante Líquido (diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante).

As operações que provocam alteração no capital circulante líquido são aquelas nas quais ocorre um dos lançamentos no grupo circulante do (ativo circulante e passivo circulante) e o outro lançamento ocorre nos grupos não circulantes e no patrimônio líquido do balanço patrimonial.

A análise permite identificar onde a empresa obtém recursos (origens/financiamentos) e onde ela aplica/ investe estes recursos (aplicações).

De forma geral, temos:

Aumento no ativo não circulante: aplicação de recursos (ocorre uma saída de recursos para a compra dos ativos).

Redução no ativo não circulante: origem de recursos (entrada de dinheiro em função da venda dos ativos).

Aumento do Passivo não circulante e do Patrimônio Líquido: origem de recursos (obtenção de novos empréstimos ou suporte de recursos pelos acionistas).

Redução do Passivo não circulante e do patrimônio líquido: aplicação de recursos (pagamento dos empréstimos).

D.O.A.R
Aumento
Redução
Ativo não circulante
Aplicação
Origem
Passivo não circulante e patrimônio líquido
Origem
Aplicação


Unidade 1 Módulo 5
Tela 34
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

1 - Demonstração de Fluxo de Caixa


Demonstração de Fluxo de Caixa é a demonstração financeira que indica a origem de todo o dinheiro que entrou no Caixa, bem como a aplicação de todo o dinheiro que saiu do Caixa em determinado período e, ainda, o Resultado do Fluxo Financeiro. Também é conhecida como Demonstração do Fluxo do Disponível.

A DFC tem a finalidade de auxiliar o planejamento financeiro da empresa, antecipando o momento em que a empresa precisará de um financiamento, ou quando a empresa terá, mesmo que temporariamente, sobra de recursos para aplicar no mercado financeiro.

A DFC é obrigatória:

• para as empresas que negociam suas ações em Bolsa (Capital Aberto);
• para as S/A de Capital Fechado que tenham o Patrimônio Líquido superior a R$2.000.000 (dois milhões de reais).

Uma das principais diferenças entre a elaboração da DOAR e da DFC refere-se ao tratamento a ser dispensado aos investimentos efetuados a prazo.

Principais diferenças entre a elaboração da DOAR e da DFC em relação aos investimentos efetuados a prazo:

DOAR
DFC
Tem a finalidade de explicar a variação ocorrida no CCL (AC – PC).
Tem a finalidade de auxiliar o planejamento financeiro da empresa.
Não é obrigatória no País.
É obrigatória.
As operações a prazo representam simultaneamente, uma origem (pelo aumento do exigível a longo prazo) e uma aplicação (pelo aumento do ativo permanente) que não afeta o CCL, mas é evidenciada no corpo da demonstração.
As operações a prazo não são evidenciadas na DFC, pois não se deve considerar a existência do “Caixa Virtual”.
As entradas de recursos são lançadas como origens e as saídas como aplicações.
Na DFC as entradas e saídas de caixa são separadas por atividades: Operacionais, Investimentos e Financiamentos.


Tela 35
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

A DFC utiliza a classificação do fluxo de caixa em três grupos:

1. Atividades operacionais,
2. Atividades de investimento e
3. Atividades de financiamento.

Aspectos da classificação que geram polêmica:

Pontos polêmicos
Princípios contábeis americanos
Princípios contábeis internacionais
Juros
Atividade Operacional
Atividade Operacional
Atividade Financiamentos
Dividendos recebidos
Atividade Operacional
Atividade Operacional
Atividade Financiamentos
Dividendos pagos Apesar de serem contabilizados no passivo circulante, constituem remuneração de capital social. Como o Capital Social é considerado como atividade de financiamento, os dividendos pagos aos acionistas seguem a mesma classificação.
Duplicatas Descontadas
Não faz referência
Atividades Operacionais
Investimentos e Financiamentos a prazo
Não transitam na DFC (caixa virtual).

Para fins do estudo, classificaremos:

Juros Atividade Operacional
Dividendos Recebidos Atividade Operacional

Duplicatas Descontadas

Atividade Operacional
Dividendos Pagos Atividade Financiamento

Existem dois métodos para elaboração da DFC: Direto e Indireto ou reconciliação. Vamos estudar apenas o método direto.



Atividades Operacionais

As atividades Operacionais, geralmente, referem-se à produção e venda de produtos, e à prestação de serviços, como também a valores que transitam pela Demonstração do Resultado do Exercício. Devemos observar, no ativo e no passivo circulante, transações não operacionais, tais como empréstimos que serão classificadas em atividades de investimentos e financiamentos.



Atividades de Investimentos

As atividades de Investimentos referem-se à aquisição de ativos não-circulantes, particularmente bens imóveis, instalações fabris e equipamentos, usualmente representa a maior destinação de dinheiro das empresas. Normalmente, refere-se à variação dos itens do Ativo Não Circulante (Realizável a Longo Prazo e Permanente). Devemos observar no grupo não circulante valores considerados operacionais, tais como juros e impostos.



Atividades de Financiamentos

As atividades de Financiamentos significam que a empresa também consegue dinheiro por meio de empréstimos a curto e longo prazo e de emissão de ações representativas do capital. Ela utiliza o caixa para pagamento de dividendos aos acionistas, para amortizar os empréstimos e resgate de ações próprias nas mãos do público. Normalmente, refere-se à variação dos itens do Passivo Não Circulante (Exigível a Longo Prazo e Patrimônio Líquido). Observar, no grupo não circulante, valores considerados operacionais, tais como juros e impostos.



Tela 36
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

Como elaborar a DFC pelo método direto - Na elaboração da DFC pelo método direto, temos que saber a relação entre as contas da DRE e do Balanço Patrimonial – BP.

Considerando que todas as operações foram efetuadas a prazo, teremos a seguinte relação entre a DRE e o BP.

DRE   BP
Receita Bruta Aumento de Duplicatas a receber (ativo circulante)
Deduções (impostos sobre vendas) Aumento de impostos a recolher (passivo circulante)
Receita Líquida    
Custo da Mercadoria Vendida Redução de Estoque (ativo circulante)
Lucro Bruto    
Despesas Operacionais    
Administrativas (Salários) Aumento de Salários a pagar (passivo circulante)
Administrativas (Depreciação) Aumento de depreciação acumulada (ativo permanente)
Financeiras (Juros) Aumento de juros a pagar (passivo circulante)
Vendas (Fretes) Aumento de fretes a pagar (passivo circulante)
Perda com equivalência patrimonial Variação das participações em outras empresas (Ativo Permanente Investimentos)
Resultado Operacional    
Resultado não operacional Relaciona-se a venda de bens do ativo permanente
Lucro Antes do Imposto de Renda    
Provisão para Imposto de Renda Aumento de Imposto de Renda a pagar (passivo circulante)
Lucro depois do Imposto de Renda    
Participações Aumento de participações a pagar (passivo circulante)
Lucro Líquido    

Com base no quadro citado anteriormente, vamos supor os seguintes saldos ao final de um exercício financeiro:

BP
31/12/2005
31/12/2006
DRE
2006
Duplicatas a Receber
R$100,00
R$50,00
Receita Bruta
R$300

O saldo inicial, em 2006, das duplicatas a receber era de R$ 100,00. As vendas geram aumento no saldo de duplicatas a receber, que passou então para R$400,00 (R$100,00 + R$300,00).

Como o saldo final é de R$50,00 podemos deduzir que R$350,00 (R$400,00 – R$50,00) foram recebidos durante o ano de 2006.
Uma outra forma de obtermos este valor é:

O saldo ao final de 2005 foi recebido: R$100,00

Das vendas efetuadas em 2006, ainda faltam receber R$50,00 o que significa que recebemos R$250,00.

O total recebido, portanto, foi de R$350,00.

Este pensamento é válido para as demais contas da DRE.

Exemplo.



Tela 37
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

Balanço Patrimonial– Cia. Avaliação S/A.

ATIVO

2002

2003

PASSIVO

2002

2003

Circulante

300.000

315.000

Circulante

190.000

107.312

   Disponível

100.000

211.000

   Fornecedores

140.000

42.000

   Duplicatas a Receber

120.000

99.000

   Participações a pagar

6.800

5.015

   Estoques

80.000

5.000

   Imposto de Renda a pagar

3.200

6.210

 

 

 

   Salários a pagar

30.000

34.000

 

 

 

   Dividendos a pagar

10.000

8.087

 

 

 

   Fretes a pagar

-

12.000

Realizável a Longo Prazo

20.000

64.000

Exigível a Longo Prazo

90.000

133.000

  Empréstimo a coligada

20.000

20.000

   Financiamento

90.000

133.000

   Títulos a receber

-

44.000

Permanente

290.000

273.000

Patrimônio Líquido

330.000

411.688

   Investimento

130.000

95.000

   Capital Social

266.000

326.000

   Participações em coligadas

60.000

95.000

   Lucros Acumulados

10.000

30.349

   Imóveis para renda

70.000

-

   Reserva Legal

18.000

19.339

 

 

 

   Reserva Estatutária

36.000

36.000

   Imobilizado

160.000

178.000

 

 

 

   Veículos

50.000

25.000

 

 

 

   Imóveis para uso

80.000

80.000

 

 

 

   Equipamentos

30.000

73.000

 

 

 

TOTAL

610.000

652.000

TOTAL

610.000

652.000



Tela 38
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

Demonstração do Resultado do Exercício

 

Receita Bruta

  

150.000

(-)

Deduções

 

-

 =

Receita Líquida

 

150.000

(-)

Custo da Mercadoria Vendida

 

(75.000)

 =

Lucro Bruto

 

75.000

(-)

Despesas Operacionais

 

(45.000)

 

 

Administrativas (Salários)

(25.000)

 

 

 

Financeiras (Juros)

(8.000)

 

 

 

Vendas (Fretes)

(12.000)

 

 =

Resultado Operacional

 

30.000

(+/-)

Resultado não operacional

 

5.000

 =

Lucro Antes do Imposto de Renda

 

35.000

(-)

Provisão para Imposto de Renda

 

(5.250)

 =

Lucro depois do Imposto de Renda

 

29.750

(-)

Participações

 

(2.975)

 

 

Empregados

(2.975)

 

 =

Lucro Líquido

 

26.775

Notas Explicativas:

O Resultado não Operacional refere-se à alienação de itens do ativo permanente.

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados

Saldo de Lucros Acumulados em 31-12-02

   

10.000

(+) Lucro Líquido do Exercício de 2003

 

26.775

 = Lucro Total Disponível

 

36.775

(-) Proposta da Administração para destinação do lucro

 

(6.426)

        Reserva Legal

(1.339)

 

        Dividendos propostos

(5.087)

 

Saldo de Lucros Acumulados em 31-12-03

  

30.349



Tela 39
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

2 - Demonstração do Fluxo de Caixa pelo Método Direto

a) Caixa Líquido das Atividades Operacionais

Recebimento de vendas e duplicatas:

Saldo Inicial de Duplicatas a receber : R$ 120.000
Vendas efetuadas no período : R$150.000
Saldo Final de Duplicatas a receber : R$ 99.000

Podemos deduzir que o recebimento de vendas/duplicatas foi de R$ 171.000 (R$ 120.000 + R$ 150.000 - R$ 99.000).

Seguindo a estrutura da DRE, a próxima conta é CMV. CMV é quanto de estoque que saiu da empresa:

Saldo Inicial de estoque: R$ 80.000
Mercadorias que saíram do estoque: R$ 75.000
Saldo Final de estoque: R$ 5.000,00

Podemos deduzir que durante o período a empresa não comprou mercadorias para estoque.

Vamos recordar de que quando a empresa compra estoque ela aumenta sua dívida com fornecedores.

Então a pergunta que temos a responder é: quanto foi pago pela empresa aos fornecedores?

Saldo Inicial de fornecedores : R$ 140.000,00
Compra de estoque : R$ 0
Saldo Final de fornecedores : R$ 42.000,00


Seguindo o raciocínio anterior podemos afirmar que a empresa pagou aos seus fornecedores R$ 98.000 ($140.000 + 0 - $42.0000).

A próxima conta da DRE é salários. A despesa com salários gera salários a pagar:

Saldo Inicial de salários a pagar : R$ 30.000
Despesa do período com salários : R$ 25.000
Saldo Final de salários a pagar : R$ 34.000


A empresa pagou de salários R$ 21.000 (R$30.000 + R$25.000 - R$34.000).

Seguindo a estrutura da DRE, a próxima conta é juros. A despesa com juros gera juros a pagar:

Saldo Inicial de juros a pagar : R$ 0
Despesa do período com juros : R$ 8.000
Saldo Final de juros a pagar : R$ 0


A empresa pagou de juros R$ 8.000,00 (R$0 + R$8.000,00 R$0).

A próxima conta da DRE é fretes. A despesa com fretes gera fretes a pagar:

Saldo Inicial de fretes a pagar : R$ 0
Despesa do período com fretes : R$ 12.000,00
Saldo Final de fretes a pagar : R$ 12.000,00


A empresa não efetuou dispêndios para o
pagamento de fretes (R$0+R$12.000-R$12.000).



Tela 40
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

Na seqüência da DRE temos o Resultado não operacional.

O Resultado não operacional refere-se a ganho ou perda na alienação de ativo permanente. Como estamos verificando as atividades operacionais, vamos verificar esta variação quando estivermos analisando a variação do ativo não circulante.

O Imposto de Renda na DRE gera Imposto de renda a pagar no passivo circulante.

Saldo Inicial de imposto de renda a pagar : R$ 3.200,00
Despesa do período com imposto de renda : R$ 5.250,00
Saldo Final de imposto de renda a pagar : R$ 6.210,00


A empresa pagou de imposto de renda no período o valor de
R$ 2.240,00 (R$3.200,00 + R$5.250,00 - R$6.210,00).

As participações deduzidas na DRE geram participações a pagar no passivo circulante.


Seguindo a mesma linha de raciocínio podemos afirmar que a empresa pagou de participações o valor de R$ 4.760,00. (R$6.800,00 + R$2.975,00 - R$5.015,00).

Finalizamos, assim, a análise de todas as contas da DRE e, como conseqüência as atividades operacionais.



Tela 41
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

b) Caixa Líquido das Atividades Investimentos:

As atividades de investimentos estão relacionadas com a variação do Ativo Não Circulante.

Se o ativo não circulante, por exemplo, veículo, aumenta de um exercício financeiro para outro, significa que houve uma aquisição e, para a compra, ocorre saída de recursos da empresa.

Se o ativo não circulante, por exemplo, empréstimo a receber, diminui de um exercício financeiro para outro, significa que recebemos parte do empréstimo, e ocorre a entrada de recursos.

Pelo exposto, podemos concluir que:

Variação
Aumenta
Diminui
Ativo não circulante
Sai dinheiro
Entra dinheiro

Assim, no Balanço Patrimonial temos:

• Empréstimos a coligadas: não houve variação, não sendo, portanto, objeto de análise.
• Títulos a receber: apresenta uma variação de R$ 44.000,00, o que induz ao raciocínio de que a empresa “emprestou” este valor. Ou seja, houve um desembolso de R$ 44.000,00.
• Participações em coligadas: houve uma variação para mais de $35.000.

Antes de afirmarmos que se trata de novos investimentos em outras empresas (compra de ações) devemos considerar a hipótese de que esta variação tenha sido resultado da avaliação dos investimentos por Equivalência Patrimonial. Se fosse esse o caso, haveria na DRE uma receita/despesa com equivalência patrimonial.

Verificando as contas Imóveis para Renda e Veículos, constatamos uma redução de R$ 95.000,00 (R$70.000,00 em imóveis para renda e R$25.000,00 em veículos).

Podemos deduzir que houve venda de Ativo Permanente. A pergunta agora é: por quanto a empresa vendeu estes ativos permanentes contabilizados por R$95.000,00?

Na DRE temos um Resultado não operacional de R$5.000,00, o que nos leva a deduzir que o imobilizado foi vendido por R$100.000,00 gerando uma entrada de recursos no caixa da empresa.

Os equipamentos tiveram um acréscimo no valor de R$43.000,00, o que pode ser fruto da nova aquisição de equipamentos.

Antes de fazermos esta afirmação, devemos verificar se este acréscimo não é conseqüência da reavaliação. Caso fosse este o caso, haveria o surgimento da Reserva de Reavaliação no Patrimônio Líquido.



Tela 42
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

c) Caixa Líquido das Atividades Financiamento/ Passivo não Circulante

Normalmente, relacionam-se as variações ocorridas no Passivo não Circulante.

Se o passivo não circulante, por exemplo, financiamento, aumenta de um exercício financeiro para outro, significa que houve a obtenção de novo empréstimo e uma entrada de recursos da empresa.

Se o passivo não circulante, por exemplo, empréstimo a pagar, diminui de um exercício financeiro para outro, significa que pagamos parte da dívida, e ocorre saída de recursos.

Pelo exposto, podemos concluir que:

Variação
Aumenta
Diminui
Passivo não circulante
Entra dinheiro
Sai dinheiro
As dívidas de longo prazo, financiamentos, apresentaram uma variação de R$43.000,00, o que nos leva a concluir que a empresa obteve nos financiamentos, gerando entrada de recursos no caixa.
• O Capital Social que era de R$266.000,00 apresenta agora um saldo de R$326.000,00, o que nos leva a conclusão de que houve integralização de Capital Social no valor de R$ 60.000,00.

A próxima demonstração a ser analisada é a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Na DLPA é evidenciada a distribuição do lucro: reservas e dividendos.

• As reservas são retiradas de lucros acumulados e lançadas em reservas de lucro (Patrimônio Líquido), não tendo, desta forma, reflexo no caixa.
• Todavia, os dividendos geram dividendos a pagar.

Saldo Inicial de dividendos a pagar : R$ 10.000,00
Despesa do período com dividendos : R$ 5.087,00
Saldo Final de dividendos a pagar : R$ 8.087,00

A empresa pagou de dividendos no período o valor de R$ 7.000,00 (R$ 10.000,00 + R$ 5.087,00 – R$ 8.087,00).

Vejamos, então, como fica a DFC:



DFC

1. Caixa Líquido das Atividades Operacionais

37.000

Recebimento de Duplicatas/vendas

171.000

Pagamento de fornecedores

(98.000)

Pagamento de salários

(21.000)

Pagamento de juros

( 8.000)

Pagamento de fretes

0

Pagamento de imposto de renda

( 2.240)

Pagamento de participações

( 4.760)

2. Caixa Líquido das Atividades de Investimentos

(22.000)

Aumento de Títulos a receber

(44.000)

Aumento de participações em coligadas

(35.000)

Alienação de Imobilizado (imóveis para renda e veículos)

100.000

Aquisição de Imobilizado (equipamentos)

(43.000)

3. Caixa Líquido das Atividades de Financiamentos

96.000

Obtenção de financiamento de longo prazo

43.000

Integralização de Capital Social

60.000

Pagamento de dividendos

(7.000)

Variação provocada no Caixa

 

111.000

Saldo Inicial do Disponível : R$ 100.000
Saldo Final do Disponível : R$ 211.000
Variação do Disponível : R$ + 111.000



Tela 43
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

3 - O Princípio da Competência do Exercício


Um dos princípios contábeis que regem a elaboração das demonstrações financeiras é o da Competência do Exercício ou Confronto das despesas com as receitas, que determina que as receitas e as despesas devam ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrer, sempre simultaneamente ao se correlacionarem, independentemente do recebimento da receita ou do pagamento da despesa.

Para exemplificar o efeito do atendimento a este princípio, vamos supor que a empresa, efetue em dezembro de 2006 uma venda a prazo, no valor de R$ 10.000,00 para recebimento em fevereiro de 2007, e que a única despesa da empresa seja com salários, no valor de R$ 2.000,00 que serão pagos também em janeiro de 2007.

Com base nestes dados teríamos:

Balanço Patrimonial

Ativo
31/12/2006
Passivo
31/12/2006
Duplicatas a receber R$10.000,00 Salários a pagar R$2.000,00
    Lucro do período R$8.000,00

Demonstração do Resultado do Exercício
Dezembro de 2006

Receita R$10.000,00
Despesas R$ 2.000,00
Lucro do período R$ 8.000,00


A empresa teve um lucro de R$ 8.000,00, contudo não houve entrada ou saída de recursos financeiros em 2006. O que procuramos destacar é que ter lucro não significa ter dinheiro.
Outro aspecto importante é que, mesmo tendo lucro, mesmo tendo liquidez corrente e capital circulante líquido positivo (o ativo circulante é maior que o passivo circulante), a empresa terá problemas de fluxo de caixa no início de 2007, pois as despesas deverão ser pagas antes do recebimento das duplicatas.



Tela 44
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

A elaboração de uma demonstração à parte dos fluxos de caixa e sua análise justifica-se:

• por sua importância para a administração, uma vez que permite identificar e antecipar problemas de liquidez, possibilitando atuar com maior segurança e no momento adequado para evitá-los.
• por permitir identificar e corrigir decisões equivocadas quanto à utilização de excedentes de caixa ou à tomada de recursos de terceiros.

• por serem as demais demonstrações baseadas no regime de competência, segundo o qual as receitas e despesas são registradas quando são geradas, independente do seu recebimento ou pagamento, não permitem visualizar com clareza os fluxos monetários ocorridos.

• pelo fato de a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, que poderia suprir as necessidades de informações sobre os fluxos de caixa, embora útil, não considerar todos os elementos necessários à análise e decisão e não é apresentada de forma satisfatória para a análise dos fluxos de caixa.



Regime de competência


Regime de competência é um princípio contábil, que deve ser, na prática, estendido a qualquer alteração patrimonial, independentemente de sua natureza e origem.



Tela 45
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento

4 - Comparação entre DRE e a DFC

DRE – Demonstração do Resultado do Exercício X DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa ou DRE X DFC

Balanço Patrimonial

ATIVO

2002

2003

PASSIVO

2002

2003

Circulante

300.000

260.700

Circulante

190.000

82.377

Disponível

200.000

62.200

Fornecedores

140.000

20.000

Duplicatas a Receber

22.500

90.000

Participações a pagar

6.800

1.623

Provisão para crédito de liq. duvid.

-2.500

-3.000

Imposto de Renda a pagar

3.200

2.880

Estoques

80.000

96.000

Salários a pagar

30.000

5.000

Seguros pagos antecipadamente

0

7.500

Dividendos a pagar

10.000

874

Empréstimo a coligada

0

8.000

Fretes a pagar

-

12.000

   

   

   

Financiamentos

0

40.000

Realizável a Longo Prazo

20.000

12.000

Exigível a Longo Prazo

90.000

50.000

 Empréstimo a coligada

20.000

12.000

Financiamento

90.000

50.000

Permanente

290.000

238.000

Patrimônio Líquido

330.000

428.323

Investimento

130.000

125.000

Capital Social

266.000

306.000

Participações em coligadas

130.000

125.000

Reserva Legal

18.000

18.460

Imobilizado

160.000

113.000

Lucros Acumulados

46.000

53.863

Veículos

42.000

            

   

   

   

 (-) depreciação acumulada

-10.000

   

   

   

   

Equipamentos

150.000

150.000

   

   

   

 (-) depreciação acumulada

-22.000

-37.000

   

   

   

TOTAL

610.000

510.700

TOTAL

610.000

510.700

Demonstração do Resultado do Exercício (R$)

  

Receita Líquida

  

157.200

(-)

Custo da Mercadoria Vendida

  

(70.000)

 =

Lucro Bruto

     

87.200

(-)

Despesas Operacionais

  

(71.500)

   

   

Administrativas

   

(47.500)

  

  

   Salários

(25.000)

  

  

   Seguros

(7.500)

  

  

   Depreciação

(15.000)

   

   

Financeiras

 

(4.000)

   

   

  juros

(4.000)

   

   

Vendas

 

(15.000)

  

  

   Fretes

(12.000)

  

  

  

   Provisão para créditos de liquidação duvidosa

(3.000)

  

  

  

Outras Despesas Operacionais

 

(5.000)

  

  

   Perda com equivalência patrimonial

(5.000)

  

 =

Resultado Operacional

  

15.700

(+/-)

Resultado não operacional

  

(2.000)

 =

Lucro Antes do Imposto de Renda

  

13.700

(-)

Provisão para Imposto de Renda

  

(2.880)

 =

Lucro depois do Imposto de Renda

  

10.820

(-)

Participações

  

(1.623)

 =

Lucro Líquido

  

9.197

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados

Saldo de Lucros Acumulados em 31-12-02

  

46.000

(+) Lucro Líquido do Exercício de 2003

  

9.197

 = Lucro Total Disponível

  

55.197

(-) Proposta da Administração para destinação do lucro

  

(1.334)

        Reserva Legal

(460)

  

        Dividendos propostos

(874)

  

Saldo de Lucros Acumulados em 31-12-03

  

53.863

Notas Explicativas:

O Resultado não Operacional refere-se à alienação de itens do ativo permanente.

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR)

  

1.

Capital Circulante Líquido no início de 2003

  

       110.000

  

  

  

  

  

2.

Origens de Capital Circulante Líquido em 2003

  

       109.197

2.1

Das Operações

       31.197

  

Lucro Líquido do Exercício

         9.197

  

(+) Depreciação

       15.000

  

(+) Perda com equivalência patrimonial

         5.000

  

(+) Resultado não operacional

         2.000

  

  

  

  

  

2.2

Dos Acionistas

       40.000

  

 Integralização de Capital Social em dinheiro

       40.000

  

  

  

  

  

  

2.3

De terceiros

       38.000

  

Transferência para curto prazo de empréstimos a coligadas

         8.000

  

Alienação de veículos

       30.000

  

  

  

  

  

  

  

  

    

  

  

3.

Aplicações de Capital Circulante Líquido em 2003

  

          40.874

Transferência para curto prazo de financiamento

        40.000

  

Dividendos propostos

            874

  

4.

Capital Circulante Líquido ao final de 2003

  

        178.323

  

  

  

  

  

  

  

Variação do CCL 

         2.002

            2.003

  

  

Ativo Circulante

     300.000

        260.700

  

  

Passivo Circulante

     190.000

          82.377

  

  

Capital Circulante Líquido

     110.000

        178.323

  

  

Variação do CCL

                               68.323

  

  

  

  

  

  

  

Origens de CCL

  

         109.197

  

  

Aplicações de CCL

  

          40.874

  

  

Variação do CCL

  

          68.323



Tela 46
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento
Demonstração do Fluxo de Caixa
 
Caixa Líquido das Atividades Operacionais
(197.800)
Recebimento de duplicatas/vendas
87.200
Pagamento de fornecedores/compra de estoque
(206.000)
Pagamento de salários
  (50.000)
Pagamento de seguros
  (15.000)
Pagamento de juros
 (4.000)
Pagamento de imposto de renda
  (3.200)
Pagamento de participações
 (6.800)
Caixa Líquido das Atividades Investimentos
  30.000
Alienação de veículos
  30.000
Caixa Líquido das Atividades Financiamentos
 30.000
Pagamento de dividendos
  (10.000)
Integralização de capital social
  40.000
 
 
Variação no disponível
 (137.800)

Na DRE constatamos um lucro de R$ 9.197, contudo a variação do disponível foi de – R$ 137.800,00 (R$ 200.000,00 – R$ 62.200,00). Se aprofundarmos a análise verifica na DOAR que houve um aumento no Capital Circulante Líquido (AC – PC) de R$68.323,00.


A empresa teve lucro, aumento de CCL e redução no saldo de caixa. Como?

Analisando a DFC temos que as atividades operacionais consumiram caixa no valor de R$ 197.800,00 apesar do lucro apurado na DRE.

Temos que a empresa recebeu das vendas o valor de R$ 87.200,00 e pagou aos fornecedores R$ 206.000,00. Provavelmente, a empresa aumentou as vendas por meio de incentivo de vendas a prazo e não conseguiu negociar com os fornecedores um prazo maior para pagamento.

A empresa obteve, ainda, recursos com a venda de veículos e com a integralização de capital social.

O aumento do CCL ocorreu, principalmente, devido ao aumento das duplicatas a receber, o que reforça o aumento nas vendas a prazo. A empresa manteve, ainda, um elevado saldo na conta estoques, o que pode indicar uma política errada em relação ao giro.



Tela 47
Módulo I - Análise da Liquidez e do endividamento
Resumo

A DFC é obrigatória para as empresas que negociam suas ações em Bolsa (Capital Aberto) e para as S/A de Capital Fechado que tenham o Patrimônio Líquido superior a R$2.000.000 (dois milhões de reais).

A DFC é de grande importância para fins gerenciais e pode ser construída a partir dos dados contidos em outras demonstrações.

Analisar os fluxos de caixa de uma entidade significa identificar os fatores que contribuíram para o aumento ou diminuição dos seus recursos financeiros.

Entende-se por caixa todas as disponibilidades financeiras da organização, incluído o dinheiro depositado em banco e as aplicações financeiras imediatamente resgatáveis.

Essa análise permite extrair conclusões quanto à (às) : a) capacidade da organização de gerar recursos para financiar suas operações (compras, vendas, produção) com recursos próprios; b) capacidade da organização de gerar recursos para amortizar suas dívidas e honrar os compromissos delas decorrentes (juros etc.); c) capacidade da organização de gerar recursos para remunerar seus proprietários; d) capacidade da organização de gerar recursos para realizar investimentos com recursos próprios; e) aplicação dos excedentes de caixa gerados pelas operações e os recursos obtidos de terceiros ou dos proprietários; f) fontes de recursos utilizadas para cobrir insuficiências de caixa, incluídos os recursos de terceiros, aportes de capital dos proprietários e receitas não operacionais, quando os recursos gerados pelas operações não se mostram suficientes.
Na elaboração do fluxo de caixa as entradas e saídas de recursos são separadas em atividades: operacionais, investimentos e financiamentos.

A variação dos ativos/passivos não circulantes provoca a seguinte alteração no caixa:

Aumento do Ativo (compra) Redução do Caixa
Redução do Ativo (venda) Aumento do Caixa

Aumento do Passivo (obtenção de empréstimo)

Aumento do Caixa
Redução do Passivo (pagamento de empréstimo) Redução do Caixa

A falta de geração de caixa em volume suficiente para financiar as operações de uma empresa é o que tem levado muitas empresas ao processo de falência, com a ressalva de que nem sempre uma empresa lucrativa consegue gerar caixa.

Na apuração do lucro, pela Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, as receitas e despesas são contabilizadas pela ocorrência do fato gerador (regime de competência do exercício), independentemente do recebimento das receitas e do pagamento das despesas.

Desta forma, ter lucro não implica em ter dinheiro.

Na DFC, aplicamos o regime de caixa em substituição ao regime de competência, verificando as entradas e saídas de recursos financeiros.

Ao contrário da DOAR, que demonstra a totalidade de variações ocorridas ao longo do exercício, a DFC objetiva identificar apenas as modificações que ocorreram na posição financeira das empresas no curtíssimo prazo.

Conforme Marion (2003, p.427), a “... DFC propicia ao gerente financeiro a elaboração de melhor planejamento financeiro, pois numa economia tipicamente inflacionária ao é aconselhável excesso de Caixa, mas o estritamente necessário para fazer face a seus compromissos. Por meio do planejamento financeiro o gerente saberá o momento certo que contrairá empréstimos para cobrir a falta (insuficiência) de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro, evitando, assim, a corrosão inflacionária e proporcionando maior rendimento à empresa”.

Na elaboração da DFC as entradas/saídas de caixa são segregadas em atividades: os operacionais, de financiamentos e de investimentos.



Unidade 1 Módulo 6
Tela 48
Módulo 2 - O método das diferenças absolutas
1 - Método de análise vertical

Este tipo de análise vertical tem como objetivo detalhar as demonstrações financeiras, ressaltando por meio de cálculos percentuais a participação de cada conta dentro de um total.

Demonstra a importância de cada conta em relação à demonstração financeira a que pertence e, por meio da comparação com padrões do ramo ou com percentuais da própria empresa em anos anteriores, permite inferir se há itens fora das proporções normais.


A Análise Vertical quando aplicada ao Balanço Patrimonial busca evidenciar o percentual de cada conta em relação ao total do Ativo e do Passivo, ou seja, a real importância de cada grupo de conta no conjunto.
Dessa forma, irá indicar a estrutura do Ativo e do Passivo, bem como suas modificações.



O Balanço Patrimonial evidencia os recursos tomados (financiamentos/passivo) e as aplicações desses recursos (investimentos/ativo).

A Análise Vertical mostra, de um lado, qual a composição detalhada dos recursos tomados pela empresa, qual a participação dos capitais próprios e de terceiros, qual o percentual de capitais de terceiros a curto e a longo prazo, qual a participação de cada um dos itens de capitais de terceiros. De outro lado, a Análise Vertical mostra quanto por cento dos recursos totais foi destinado ao Ativo Circulante e quanto ao ativo não circulante (Realizável a Longo Prazo, investimentos, imobilizado e intangível).

A comparação dos percentuais da Análise Vertical da empresa com os de concorrentes permite saber se a alocação dos recursos no Ativo é típica ou não para aquele ramo de atividade. É sabido, por exemplo.



Ativo Circulante

A análise vertical mostra qual percentagem de investimentos foi destinada a cada um dos itens principais, como Estoques e Duplicatas a Receber.



Exemplo

Por exemplo, é sabido que no comércio é muito maior o investimento em Ativo Circulante do que em Ativo não circulante. Se uma empresa comercial apresentar maior investimento em Ativo não circulante do que em Ativo Circulante é aconselhável investigar o porquê disso.



Tela 49
Módulo 2 - O método das diferenças absolutas

A análise do percentual de cada item do Ativo permite detectar a política de investimento da empresa em relação a estoques, duplicatas, imobilizado, enquanto no Passivo permite visualizar a política financeira de obtenção de recursos.

Vejamos um exemplo da Análise Vertical do Balanço

Balanço Patrimonial
Cia. Exemplo SA

Ativo
2005
AV
2006
AV
Passivo
2005
AV
2006
AV
Circulante
700
39%
2280
70%
Circulante
670
37%
1200
37%
Disponibilidades
220
12%
530
16%
Contas a pagar
200
11%
300
9%
Créditos
250
14%
1450
44%
Fornecedores
100
6%
500
15%
Estoques
200
11%
300
9%
Impostos, taxas e contribuições
120
7%
80
2%
Outros
30
2%
0%
Dividendos a pagar
250
14%
320
10%
Não Circulante
1.100
61%
1.000
30%
Não circulante
130
7%
530
16%
Realizável a Longo Prazo
400
22%
100
3%
Empréstimos e financiamentos
130
7%
530
16%
Investimentos
500
28%
300
9%
Patrimônio Líquido
1000
56%
1550
47%
Imobilizado
200
11%
600
18%
Capital Social Realizado
800
44%
1.200
36%
Intangível
-
-
Reservas de Lucro
200
11%
350
11%
Ativo Total
1.800
100%
3.280
100%
Passivo Total
1.800
100%
3.280
100%

Cálculo:



Cálculo:

Total do Ativo : 1.800
Total do circulante : 700

1.800 _____ 100% x = 700 * 100 x = 38,88%
0700 ______ x% 111111.800



Tela 50
Documento sem título
Da análise vertical do Balanço Patrimonial da Cia. Exemplo pode concluir que:

a) No Ativo, em 2005:

• As aplicações de recursos no ativo estão divididas, principalmente, entre o ativo circulante e o ativo não circulante investimentos, que representam, 39% e 28%, respectivamente, do ativo total da empresa;
• A empresa preferiu investir em outras empresas (28% dos seus recursos estão aplicados em investimentos e 22% dos recursos foram aplicados no realizável a longo prazo em empréstimos a estas empresas), do que em estoques que representam apenas 11% dos ativos totais;
• Os créditos referentes a vendas a prazo de mercadorias representam apenas 14% dos recursos totais da empresa.
b) No Ativo, em 2006:
• Nota-se uma alteração na estrutura do ativo da empresa, pois o ativo circulante, que em 2005 representava 39% dos recursos totais, em 2006 passa a representar 70%, com destaque para a conta Créditos (vendas a prazo) que passou a representar 44% dos recursos totais;
• Percebe-se, ainda, que a empresa investiu em imobilizado, pois estes passaram a representar 18% do total do ativo;
• Outra observação importante é o que diz respeito ao relacionamento com empresas ligadas (controladas/coligadas), pois foram reduzidos os investimentos nestas empresas, que agora representam apenas 9% do total do ativo, contra 28% do ano anterior.
• Ocorreu, ainda, o recebimento dos créditos com pessoas ligadas, que em 2006 representam 3% dos recursos totais, contra 22% no ano anterior.


c) No Passivo, em 2005:

• A empresa trabalhou com 44% de capital de terceiros (soma do passivo circulante com o exigível a longo prazo) e 56% de capital próprio (patrimônio líquido);
• Das dívidas exigíveis (capital de terceiros), a maior parte são dívidas de curto prazo.
• A maior origem de recursos para a empresa é proveniente dos proprietários (capital social) que representa 44% dos recursos totais.

d) No Passivo, em 2006:

• A empresa trabalhou com 53% de capital de terceiros (soma do passivo circulante com o exigível a longo prazo) e 47% de capital próprio (patrimônio líquido);
• Das dívidas exigíveis (capital de terceiros), a maior parte são dívidas de curto prazo;
• Percebe-se um aumento do endividamento de longo prazo, que passou a representar 16% dos recursos obtidos pela empresa;
• Destaca-se que apesar de perder representatividade (de 56% em 2005 para 47% em 2006) o capital próprio apresenta um aumento em valores absolutos (de R$1.000,00 para R$1.550,00). Este fato ocorreu em função de o capital de terceiros ter aumentado em maior proporção do que o capital próprio.



Tela 51
Documento sem título

2 - Análise Vertical da Demonstração do Resultado do Exercício


A Análise Vertical atinge seu ponto máximo de utilidade quando aplicada à Demonstração do Resultado do Exercício, pois permite analisar em detalhes o desempenho da empresa.

Toda a atividade de uma empresa gira em torno das vendas. São elas que devem determinar o que a empresa pode consumir em cada item de despesa. Por isso, na Análise Vertical da Demonstração do Resultado, as vendas são igualadas a 100%, e todos os demais itens têm seu percentual calculado em relação às Vendas. Com isso, cada item de despesa da Demonstração do Resultado do Exercício pode ser controlado em função do seu percentual em relação a Vendas.

Esse controle é extremamente importante quando se lembra que o percentual de lucro líquido em relação a Vendas costuma ser muito pequeno (de 5% a 10% para as atividades comerciais e industriais. Já para as empresas que prestam serviços, a lucratividade média costuma ser de 15% a 20%). Por isso, o aumento percentual de qualquer item da Demonstração do Resultado em relação a Vendas é indesejável. Há empresas que controlam rigorosamente esses percentuais, não permitindo que ultrapassem metas.



Tela 52
Módulo 2 - O método de análise horizontal

Na análise vertical da DRE calcula-se o percentual de cada conta em relação às vendas. Obviamente, o valor das vendas é igualado a 100%, conforme o exemplo que segue:

Demonstração do Resultado do Exercício de 2006
Cia. Exemplo S/A

Demonstração do Resultado do Exercício
2005
AV
2006
AV
Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços
1.000
100%
1.500
100%
(-) Deduções da Receita Bruta
0%
Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços
1.000
100%
1.500
100%
(-) Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos
-400
-40%
-700
-47%
Resultado Bruto
600
60%
800
53%
Despesas/Receitas Operacionais
-290
-29%
-300
-20%
Com Vendas
-150
-15%
-200
-13%
Gerais e Administrativas
-80
-8%
-70
-5%
Financeiras
-60
-6%
-30
-2%
Resultado Operacional
310
31%
500
33%
Resultado Não Operacional
-5
-0,5%
50
3%
Receitas
65
6,5%
-
-
Despesas
-70
-7%
3%
Resultado Antes da Tributação/Participações
305
31%
550
37%
Provisão para IR e Contribuição Social
-100
-10%
-80
-5%
Lucro/Prejuízo do Exercício
205
21%
470
31%

Cálculo:



Cálculo:

Total das Vendas : $1.000
Total das despesas : $290

$1.000 _____ 100% x = $290 . 100 x = 29%
1$290 ______ x% 1111 $1.000 



Tela 53
Módulo 2 - O método de análise horizontal

Análise vertical da demonstração do resultado do Exercício da Cia. Exemplo S/A, pode observar que:

a) em 2005:

• Para uma receita bruta de venda de $1.000, a empresa tem um lucro líquido de $205, ou seja, um lucro de aproximadamente 21% (20,5%) sobre o valor das vendas efetuadas;
• O Custo da Mercadoria Vendida (quanto custou para a empresa o produto/serviço que ela vendeu por $1.000), consome 40% do total de sua receita bruta;
• As despesas operacionais consomem 29% do valor das vendas, com ênfase das despesas com vendas (15%);
• O imposto de renda e as contribuições sociais consumiram 10% da receita de vendas da empresa;

b) em 2006:

• Para uma receita bruta de venda de R$1.500,00 a empresa tem um lucro líquido de R$ 470, 00, ou seja, um lucro de 31% sobre o valor das vendas efetuadas;
• O Custo da Mercadoria Vendida (quanto custou para a empresa o produto/serviço que ela vendeu por R$1.500,00), consome 47% do total de sua receita bruta; isto faz que o lucro bruto, que era de 60% em 2005, caia para 53% em 2006;
• As despesas operacionais que consumiam 29% em 2005, representam agora 20% do valor das vendas, com ênfase, ainda, nas despesas com vendas (13%);
• O imposto de renda e as contribuições sociais consumiram 5% da receita de vendas da empresa.



Tela 54
Módulo 2 - O método de análise horizontal

Resumo

A análise vertical tem o objetivo de detalhar as demonstrações financeiras, ressaltando mediante cálculos percentuais a participação de cada conta dentro de um total.

Quando aplicada ao Balanço Patrimonial, a análise vertical busca evidenciar o percentual de cada conta em relação ao total do Ativo e do Passivo, ou seja, a real importância de cada grupo de conta no conjunto. Dessa forma, irá indicar a estrutura do Ativo e do Passivo, bem como suas modificações.

O balanço evidencia os recursos tomados (financiamentos) e as aplicações desses recursos (investimentos). A Análise Vertical mostra, de um lado, qual a composição detalhada dos recursos tomados pela empresa, qual a participação dos capitais próprios e de terceiros, qual o percentual de capitais de terceiros a curto e a longo prazo, qual a participação de cada um dos itens de capitais de terceiros. De outro lado, a Análise Vertical mostra quanto por cento dos recursos totais foi destinado ao Ativo Circulante, quanto ao Realizável a Longo Prazo e quanto ao Ativo Permanente.

Quando aplicada, a DRE evidencia o percentual de receita consumido pelo Custo da Mercadoria Vendida, pelas despesas, e quanto sobra de lucro para a empresa.



A análise encadeada utiliza-se das variações ocorridas em relação ao ano (exercício) tomado como base, não em relação ao ano anterior.




Unidade 1 Módulo 7
Tela 55
Módulo 3 - Método de análise vertical

1 - Análise Horizontal

A evolução de cada conta mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis tendências. Fundamenta-se na evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração financeira básica, geralmente a mais antiga da série.


Análise Horizontal do Balanço Patrimonial tem como finalidade mostrar a evolução de cada conta das demonstrações financeiras e, pela comparação entre estas, permitir tirar conclusões sobre a evolução da empresa.

Quando aplicada ao Balanço Patrimonial, a Análise Horizontal procura indicar a variação ocorrida em cada uma das contas.

A análise horizontal do Balanço mostra a que itens do Ativo a empresa vem dando ênfase na alocação de seus recursos e, comparativamente, quais recursos adicionais vem utilizando. Por exemplo.

É interessante, na Análise Horizontal do balanço, observar comparativamente os seguintes itens:


• Crescimento dos totais do Ativo Imobilizado e Circulante e de cada um dos seus principais componentes;
• Crescimento do Patrimônio Líquido comparativamente ao do Exigível total;
• Crescimento do Patrimônio Líquido mais Exigível a Longo Prazo comparativamente ao crescimento do Ativo Não Circulante;
• Crescimento do Ativo Circulante em comparação com o crescimento do Passivo Circulante;
• Verificação de quanto cada balanço da série contribui para a variação final obtida entre o primeiro e o último balanço.



Por exemplo

A Análise Horizontal pode mostrar, por exemplo, que a empresa investe prioritariamente em bens do Ativo Imobilizado e que o principal incremento de recursos se verifica no Passivo Circulante; disto se conclui que a empresa tomou financiamentos de curto prazo para investir no Ativo Imobilizado.



Tela 56
Módulo 3 - Método de análise vertical

O quadro seguinte ilustra esse procedimento, tanto para análise da composição do total do ativo e do passivo, como da composição de cada um dos principais grupos do ativo e do passivo.

Balanço Patrimonial
Cia. Exemplo S/A

Ativo
2005
2006
AH
Passivo
2005
2006
AH
Circulante
700
2280
226%
Circulante
670
1200
79%
Disponibilidades
220
530
141%
Contas a pagar
200
300
50%
Créditos
250
1450
480%
Fornecedores
100
500
400%
Estoques
200
300
50%
Impostos, taxas e contribuições
120
80
-33%
Outros
30
-
100%
Dividendos a pagar
250
320
28%
Não Circulante
1100
100
-9%
Não Circulante
130
530
308%
Realizável a Longo Prazo
400
100
-75%
Empréstimos e financiamentos
130
530
308%
Investimentos
500
300
-40%
Patrimônio Líquido
1000
1.550
55%
Imobilizado
200
600
200%
Capital Social Realizado
800
1.200
50%
Intangível
-
-
Reservas de Lucro
200
350
75%
Ativo Total
1.800
3.280
82%
Passivo Total
1.800
3.280
82%

Cálculo:

Por meio da análise horizontal do balanço patrimonial observa-se que o ativo circulante apresentou um crescimento de 226%, provocado principalmente pela variação da conta créditos (vendas a prazo), que apresenta um crescimento de 480%. Houve uma redução de 75% no ativo realizável a longo prazo e um aumento de 200% no ativo imobilizado.

Verifica-se, ainda, uma redução de 40% nos investimentos.

Em relação ao passivo, verificamos um aumento de 55% no capital próprio, de 79% no capital de terceiros de curto prazo e de 308% no capital de terceiros de longo prazo.

Em relação ao capital de terceiros de curto prazo, ressalta-se o aumento da conta de fornecedores de 400%.



Cálculo

Cálculo Ativo Circulante (2006) – Ativo Circulante (2005) =

=$2.280 – $700 = $1580

$700 ______100%
$1580 ______x %

x = $1580 * 100 = 226%
000$700



Tela 57
Módulo 3 - Método de análise vertical

Análise Horizontal da Demonstração do Resultado do Exercício
Cia. Exemplo S/A

Demonstração de Resultado do Exercício
2005
2006
AH
Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços
1.000
1.500
50%
(-) Deduções da
Receita Bruta
-
-
Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços
1.000
1.500
50%
(-) Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos
-400
-700
75%
Resultado Bruto
600
800
33%
Despesas/Receitas Operacionais
-290
-300
3%
Com Vendas
-150
-200
33%
Gerais e Administrativas
-80
-70
-13%
Financeiras
-60
-30
-50%
Resultado Operacional
310
500
61%
Resultado Não Operacional
-5
50
1100%
Receitas
65
50
-23%
Despesas
-70
-100%
Resultado Antes da Tributação/Participações
305
550
80%
Provisão para IR e Contribuição Social
-100
-80
-20%
Lucro/Prejuízo do Exercício
205
470
129%

Cálculo:

Houve um aumento de 50% na Receita Bruta e um aumento mais do que proporcional no lucro líquido (129%).



Cálculo

Cálculo Vendas (2006) – Vendas (2005) = $1.500 – $1.000 = $500

$1.000 _____100%
0$500 ______ x %

x = $500 * 100 = 50%
000$1000



Tela 58
Módulo 3 - Método de análise vertical

Pergunta-se: Como vendemos 50% a mais e nosso lucro aumenta 129%? Destacamos inicialmente que, para vender 50% a mais, houve um aumento de 75% no custo da mercadoria vendida. Este fato ocasionou que o lucro bruto aumentasse apenas 33%.

Contudo, as despesas operacionais apresentaram um crescimento de apenas 3%, destacando-se a redução de 13% nas despesas gerais e administrativas e de 50% nas despesas financeiras.


É importante observar que apesar da grande variação percentual da conta resultado não operacional (1.100%), seu valor absoluto em reais era muito pequeno (na análise vertical vimos que ele representa menos de 1% do total da receita bruta).



Tela 59
Módulo 3 - O método de análise por índices

Análise Conjunta: Horizontal e Vertical
Cia. Exemplo S/A

Ativo
2005
AV
2006
AV
AH
Passivo
2005
AV
2006
AV
AH
Circulante
700
39%
2280
70%
226%
Passivo Circulante
670
37%
1200
37%
79%
Disponibilidades
220
12%
530
16%
141%
Contas a pagar
200
11%
300
9%
50%
Créditos
250
14%
1450
44%
480%
Fornecedores
100
6%
500
15%
400%
Estoques
200
11%
300
9%
50%
Impostos, taxas e contribuições
120
7%
80
2%
-33%
Outros
30
2%
0%
-100%
Dividendos a pagar
250
14%
320
10%
28%
Não Circulante
1100
61%
1000
30%
-9%
Não Circulante
130
7%
530
16%
308%
Realizável a Longo Prazo
400
22%
100
3%
-75%
Empréstimos e financiamentos
130
7%
530
16%
308%
Investimentos
500
28%
300
9%
-40%
Patrimônio Líquido
1000
56%
1.550
47%
55%
Imobilizado
200
11%
600
18%
200%
Capital Social Realizado
800
44%
1.200
37%
50%
Intangível
-
-
-
-
-
Reservas de Lucro
200
11%
350
11%
75%
Ativo Total
1.800
100%
3.280
100%
82%
Passivo Total
1.800
100%
3.280
100%
82%


Tela 60
Módulo 3 - O método de análise por índices

Demonstração do Resultado do Exercício
Cia. Exemplo S/A

Demonstração do Resultado do Exercício

2005

AV

2006

AV

AH

Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços

1.000

100%

1.500

100%

50%

(-) Deduções da Receita Bruta

-

-

Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços

1.000

100%

1.500

100%

50%

(-) Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos

-400

-40%

-700

-47%

75%

Resultado Bruto

600

60%

800

53%

33%

Despesas/Receitas Operacionais

-290

-29%

-300

-20%

3%

Com Vendas

-150

-15%

-200

-13%

33%

Gerais e Administrativas

-80

-8%

-70

-5%

-13%

Financeiras

-60

-6%

-30

-2%

-50%

Resultado Operacional

310

31%

500

33%

61%

Resultado Não Operacional

-5

-0,5%

50

3%

1100%

Receitas

65

6,5%

90

6%

38%

Despesas

-70

-7%

-40

-3%

-43%

Resultado Antes da Tributação/Participações

305

31%

550

37%

80%

Provisão para IR e Contribuição Social

-100

-10%

-80

-5%

-20%

Lucro/Prejuízo do Exercício

205

21%

470

31%

129%



Tela 61
Módulo 3 - Método de análise vertical

2 - Conclusões da análise vertical e horizontal

O ativo total da empresa cresceu 82%, de 31/12/05 para 31/12/06, em termos reais. Esse crescimento deveu-se, principalmente, ao Ativo Circulante que teve expansão de 226%. O Ativo não circulante apresenta um decréscimo de 9%. O Ativo Realizável a Longo Prazo apresentou um decréscimo de 75% e o imobilizado um aumento de 200%.

Dessa forma, alterou-se a estrutura de ativo da empresa. Em 2005, 39% dos recursos achavam-se investidos no Ativo Circulante, 61% no ativo não circulante, sendo que 28% em investimentos e 11% no imobilizado. O Ativo Realizável a Longo Prazo representava 22% do ativo total. Em 2006, 70% dos recursos achavam-se investidos no Ativo Circulante, 18% no Ativo imobilizado, e apenas 3% no Ativo Realizável a Longo Prazo.

Os Capitais de Terceiros, que representavam 44% dos recursos totais em 2005, passam a representar 53% em 2006, tendo ocorrido um crescimento de 79% nas dívidas de curto prazo e de 308% nas dívidas de Longo Prazo. O Patrimônio Líquido (capital próprio), que fornecia 56% dos recursos em 2005, caiu para 47% em 2006, apesar do crescimento real de 55%.


Tendo o Passivo Circulante crescido menos que o Ativo Circulante, a empresa financiou parte deste último com Exigível a Longo Prazo e com Capital Próprio (o que, diga-se de passagem, é correto).

Outro aspecto que se destaca é a alteração havida em Fornecedores. Essa foi a principal fonte de recursos de curto prazo da empresa.



Fornecedores

Em 2005 os “Fornecedores” não financiavam totalmente os Estoques. Em 2005 a empresa tinha uma dívida com os fornecedores de $100 para um estoque de $200. O percentual de “Fornecedores sobre o Passivo Total passou de 6% para 15%, enquanto que os estoques passaram de 11% para 9%. Podemos afirmar que os fornecedores, em 2005, cobriam apenas metade dos estoques mantidos pela empresa.” Essa alteração é favorável, pois, normalmente, “fornecedores” representam uma fonte estável de recursos e freqüentemente mais barata.



Tela 62
Módulo 3 - Método de análise vertical

Em resumo, a empresa investiu maciçamente no Ativo Circulante, principalmente pelo aumento dos créditos a receber e investiu no Ativo Imobilizado, reduzindo os valores a receber a longo prazo e os investimentos em outras empresas.

Financiou essa expansão com Capitais de Terceiros e com Capital Próprio. A situação financeira não ficou sacrificada em virtude de a empresa ter-se valido de Exigíveis a Longo Prazo e, tendo o Passivo Circulante crescido menos do que o Ativo Circulante, a empresa aumentou sua folga financeira de curto prazo (capital circulante líquido)

As vendas apresentaram expansão de 50%, a empresa vendeu mais a prazo (aumento dos créditos a receber de 480%). A empresa teve um desempenho ruim no Custo dos Produtos Vendidos, os quais passaram de 40% para 47% de absorção das vendas. Com isso, o Lucro Bruto que representava 60% das vendas caiu para 53%. Esse decréscimo de 7 pontos percentuais é extremamente significativo diante do fato de o Lucro Líquido representar 21% das vendas em 2005. Se tudo o mais se mantivesse constante, a empresa iria alcançar a percentagem de 14% de Lucro Líquido sobre as Vendas em 2006.


Contudo, pode ser observado que o lucro líquido passou para 31%. Como?

Felizmente para e empresa, porém, suas despesas operacionais que consumiam 29% da receita bruta em 2005, consomem apenas 20% em 2006, apresentando em valores absolutos um aumento de apenas 3%. Ressalta-se a redução das despesas financeiras que tiveram uma queda de 50%. Essas despesas que consumiram 6% da receita em 2005 passaram a consumir 2% em 2006. Ao final, o percentual de Lucro Líquido/Vendas cresceu para 31%.

Para um aumento de 50% nas vendas, a empresa apresenta um aumento de 129% no lucro líquido. Vejamos uma DOAR simplificada.



DOAR simplificada

Capital Circulante Líquido ao final de 2005 = R$700 – $670 = $30
Capital Circulante Líquido ao final de 2006 = R$2.280 – $1.200 = $1080
Variação do Capital Circulante Líquido = R$1.050

Origens de Recursos

Redução do Ativo Realizável a Longo Prazo = R$300
Redução do Ativo Investimentos = R$ 200
Aumento do Passivo Não Circulante = R$400
Aumento do Patrimônio Líquido = R$550
Total das Origens = R$1.450

Aplicações de Recursos

Aumento do Ativo Imobilizado = R$400
Total das Aplicações = R$400

Variação do CCL (origens – aplicações) = R$1.450 – R$400 = R$1.050



Tela 63
Módulo 3 - O método de análise por índices

Resumo

Na análise horizontal, a evolução de cada conta mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis tendências. Baseia-se na evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração financeira básica, geralmente a mais antiga da série.

Quando aplicada ao Balanço Patrimonial, a Análise Horizontal procura indicar a estrutura de Ativo e Passivo, bem como suas modificações.

A análise horizontal do Balanço mostra a que itens do Ativo a empresa vem dando ênfase na alocação de seus recursos e, comparativamente, quais recursos adicionais vem utilizando.

Quando aplicada, a Demonstração do Resultado do Exercício tem a finalidade de verificar se a variação ocorrida no lucro líquido é compatível com a variação ocorrida na receita de vendas. Se a empresa vender 100% a mais que no ano anterior, espera-se que seu lucro tenha o mesmo crescimento, contudo pode ocorrer um aumento de custos ou despesas mais do que proporcional à variação da venda, gerando uma redução no lucro líquido apesar de um aumento nas vendas.



Unidade 1 Módulo 8
Tela 64
Módulo 3 - O método de análise por índices

1 - Situação financeira: ativo circulante X passivo circulante


O Ativo Circulante (AC) também é conhecido como Ativo Corrente ou Capital de Giro.

Evidentemente, o desejável seria que o Ativo Circulante (AC) fosse sempre maior que o Passivo Circulante. Enquanto o segundo significa obrigações a pagar, o primeiro significa dinheiro (caixa e bancos) e valores que se transformarão em dinheiro (Duplicatas a Receber e Estoques)

Muitas vezes, mesmo que o AC seja maior que o PC, a empresa encontra dificuldades de pagamento das suas obrigações, isto porque as dívidas estão vencendo com rapidez maior do que os valores que se transformarão em dinheiro. Isto é, os recebimentos da empresa ocorrem de forma mais lenta que os vencimentos das Contas a Pagar.

Quando ocorre este fato, a empresa recorre a empréstimos, descontos de duplicatas etc., no sentido de reforçar seu caixa para cobrir seus compromissos em vencimento. Em outras palavras, a empresa recorre a Capital de Giro.

Capital Circulante Líquido (CCL) - Ativo Circulante menos Passivo Circulante. Evidencia o Capital Circulante Líquido, ou seja, a parte do Ativo Circulante que não está comprometida com o Passivo Circulante. A variação do CCL é evidenciada na Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).


O CCL é também conhecido como Capital de Giro Próprio (CGP).

Quanto maior for o CCL maior será a flexibilidade financeira da empresa.

A análise da capacidade de pagamento interessa particularmente aos credores em curto prazo da entidade. É o principal fator a ser considerado quando se trata de efetuar um empréstimo em curto prazo ou um desconto de duplicatas ou de conceder prazos para pagamento.

A possibilidade de obter informações mais detalhadas para o empréstimo de recursos ou para a concessão de prazos para pagamento depende do porte da entidade solicitante e do volume de recursos envolvidos.

Nem sempre os fornecedores têm condições de exigir a apresentação de balancetes e outros demonstrativos considerados necessários para uma análise prévia aprofundada. Muito menos possíveis investidores particulares ou concorrentes poderiam fazer tal tipo de solicitação.

Além disso, nem todas as organizações são de capital aberto, o que as obrigaria a disponibilizar determinadas informações. Outras não possuem porte que justifique o interesse de instituições especializadas nas peculiaridades de seus negócios.


Em qualquer caso, no entanto, as demonstrações financeiras são o ponto de partida para o conhecimento da capacidade de pagamento de uma organização, seja qual for o seu porte ou ramo de negócios.



Tela 65
Módulo 3 - O método de análise por índices

Índices de liquidez - Os índices de liquidez não medem com exatidão matemática a capacidade de pagamento da entidade, pois, como vimos anteriormente, receitas não são entradas de caixa. Para isso, teríamos que ter uma previsão exata dos fluxos de caixa.

Além disso, não existe uma correspondência perfeita entre os prazos de recebimento e de pagamento dos diversos elementos do ativo e do passivo circulante, ainda que desconsiderada a possibilidade de atrasos e inadimplências.

No entanto, tais índices, combinados com outros, que veremos adiante, são indicadores bastante seguros da capacidade de pagamento.

Dependendo das circunstâncias, como volume e prazos envolvidos, a avaliação da liquidez pode ser mais ou menos rigorosa.


Quatro índices são habitualmente utilizados para a avaliação da liquidez:

a) índice de liquidez imediata;
b) índice de liquidez corrente;
c) índice de liquidez seco;
d) índice de liquidez geral.

a) Índice de liquidez imediata - é também chamado índice de liquidez instantânea resulta da divisão das disponibilidades da organização (caixa, bancos, aplicações financeiras resgatáveis a qualquer tempo) pelas suas obrigações vencíveis em curto prazo (passivo circulante, devidamente ajustado):


Disponibilidades ÷ Passivo Circulante

Não seria razoável exigir de uma organização que disponha de recursos para pagar hoje todas as suas dívidas, sabendo-se que o seu vencimento se estende pelo período de um ano. Não se poderia sequer considerar que ela estava sendo bem administrada se assim procedesse.

Basear-se em índice tão severo para tomar decisões só se justificaria no caso de suspeita de que todos os que têm obrigações para com a entidade, em particular seus clientes, não poderiam honrar seus compromissos, o que de antemão desaconselharia qualquer negócio.

No entanto, é de se supor que toda entidade deva dispor de recursos para fazer face a despesas que ocorrem rotineiramente, algumas delas imprevistas, embora de valor não elevado, bem como para enfrentar eventuais crises episódicas que impossibilitem o recebimento em dia daquilo que lhe é devido.

Esse índice permite assim, verificar a existência desse mínimo de recursos necessário para atender as eventualidades.



Tela 66
Módulo 3 - O método de análise por índices

b) Índice de liquidez corrente - Este índice mostra quantas unidades monetárias a entidade tem a receber no curto prazo (ativo circulante), para cada unidade monetária que tem a pagar no mesmo período (passivo circulante). Resulta, pois, da divisão do ativo circulante pelo passivo circulante.


Ativo Circulante ÷ Passivo Circulante

Muito divulgado e considerado o melhor indicador da capacidade da organização de pagar suas dívidas em curto prazo, o índice de liquidez corrente exige do analista atenção para o fato de que, tanto no numerador (dividendo) como no denominador (divisor) estão agrupados valores com prazos de vencimento diferentes.

c) Índice de liquidez seco – os estoques, em princípio, têm a mais demorada conversibilidade em dinheiro, além de apresentarem também o menor grau de certeza quanto a sua conversibilidade. Este índice mede a dependência da empresa em relação à realização dos estoques. Utiliza-se este índice, bastante conservador, para avaliar a situação de liquidez das entidades com maior segurança.

Resulta também da divisão do ativo circulante, porém excluídos os estoques, pelo passivo circulante.


(Ativo Circulante – estoque) ÷ Passivo Circulante

Com esse procedimento elimina-se do ativo circulante o elemento de conversibilidade mais incerto e, ainda, cuja avaliação dá margem a dúvidas.



Tela 67
Módulo 3 - O método de análise por índices

d) Índice de liquidez geral - este índice embora sofra restrições ainda maiores que o índice de liquidez corrente, face à grande variabilidade dos prazos de recebimento e pagamento, é o índice utilizado para avaliar a capacidade total de pagamento da organização em curto e longo prazo.

Em outras palavras, mostra quantas unidades monetárias ela tem a receber, em curto e longo prazo, para cada unidade monetária que tem a pagar, também em curto e longo prazo.


(AC + RLP) ÷ (PC + PNC)

Apesar da limitação apontada, o índice de liquidez geral mostra-se útil também por permitir identificar distorções no índice de liquidez corrente, provocadas por variações nos itens de longo prazo. Por exemplo, um excesso de liquidez ocasionado pela entrada de um grande volume de recursos no circulante, tendo como origem empréstimos a Longo prazo. Vejamos um exemplo:



Tela 68
Módulo 3 - O método de análise por índices

Cia. Orga S/A
Balanço Patrimonial

Ativo
31/12/2006
Passivo
31/12/2006
Circulante
300
Circulante
120
Não Circulante
700
Não Circulante
480
Realizável a longo prazo
200
Exigível a longo prazo
480
Imobilizado
500
Patrimônio Líquido
400
Total
1.000
Total
1.000

Vamos supor que do total do ativo circulante, R$10,00 sejam disponíveis, R$190,00 sejam duplicatas a receber e R$ 100,00 sejam estoques.

L
I
Q
U
I
D
E
Z

Imediata
=
Disponível
=
$10
=
$0,08
Passivo Circulante
$120
 
 
 
 
Corrente
=
Ativo Circulante
=
$300
=
$2,50
Passivo Circulante
$120
 
 
 
 
Seco
=
Ativo Circulante - Estoques
=
$300-$100
=
$1,67
Passivo Circulante
$120
 
 
 
 
Geral
=
AC + ARLP
=
$300+$200
=
$0,83
PC + PNC
$120+$480


Da análise do quadro anterior, pode-se concluir que:

a) a empresa possui R$0,08 de recursos disponíveis para cada um real de divida de curto prazo;

b) a empresa possui R$2,50 de recursos de curto prazo para cada R$1,00 de dívida de curto prazo;

c) a empresa possui R$1,67 de recursos de curto prazo, independentemente dos estoques, para cada R$1,00 de dívida de curto prazo;

d) a empresa possui R$0,83 de recursos de curto e longo prazo para cada R$1,00 de dívidas de curto e longo prazo.



Tela 69
Módulo 3 - O método de análise por índices

2 - Endividamento

a) Histórico e média de endividamento

No primeiro número, em 1973, da Melhores e Maiores, publicada pela Revista Exame, o Capital de Terceiros utilizado para financiar o Ativo era de aproximadamente 30% (70% de Capital Próprio). Em menos de 10 anos a situação quase se inverteu: a empresa brasileira utilizava-se de mais de 60% de Capital de Terceiros para constituir o seu Ativo (menos de 40% de Capital Próprio).

A edição “Melhores e Maiores” da Revista Exame, 2002, apresenta uma média de endividamento das empresas brasileiras de 58%.

b) Considerações sobre o Ativo Imobilizado


O Ativo Imobilizado representa Bens e Diretos de uso da empresa. Por meio da utilização do Imobilizado e outros Ativos a empresa obtém lucro na sua atividade operacional.

O volume de aplicações no Imobilizado varia de empresa para empresa, de acordo com o seu ramo de atividade:

Indústrias, de maneira geral, possuem Imobilizado de valor alto, pois investem nos bens de produção.
Empresas comerciais possuem Imobilizado de pequeno valor; seu investimento concentra-se, basicamente, na conta Estoque, no Ativo Circulante.
Outro aspecto importante é que o Imobilizado seja financiado pelo Patrimônio Líquido ou pelo Passivo Não Circulante (Exigível a Longo Prazo), nunca pelo Passivo Circulante.

c) Capital próprio X Capital de terceiros


A Contabilidade é um sistema de informação voltado principalmente para prover os usuários de informações para a tomada de decisão.

Sabe-se que o Ativo (aplicação de recursos) é financiado por Capitais de Terceiros (Passivo Circulante + Passivo Não Circulante) e por Capitais Próprios (Patrimônio Líquido). Portanto, Capitais de Terceiros e Capitais Próprios são fontes (origens) de recursos.

Ativo
Passivo

Circulante – realizável a longo prazo e permanente

Capital de terceiros

Capital próprio

Aplicações de recursos

Origem de recursos

Um dos aspectos importantes do Passivo é avaliar a estrutura do Capital:

• Capital de Terceiros (PC + PNC); e
• Capital Próprio (PL).

Quanto maior for o Capital de terceiros, mais a empresa estará endividada (quantidade de dívida). Todavia, ao se analisar o Capital de Terceiros, detecta-se:

• O prazo da dívida;
• O custo da dívida; e
• Para quem se deve.

Capital de Terceiros e Capital Próprio são os indicadores do endividamento que nos informam se a empresa se utiliza mais de recursos de terceiros ou de recursos dos proprietários.



Revista Exame 2002

Razões da variação do nível de endividamento - Na década de 70, principalmente em função do grande desenvolvimento econômico do Brasil, as empresas se endividaram para ampliar seu potencial produtivo.
Na década de 80, vieram à recessão, os juros altos, a inflação desenfreada e o medo do empresário em se endividar. Como conseqüência os Ativos das empresas ficaram defasados, obsoletos, pois não foram renovados por falta de captação de recursos.
Normalmente, os países desenvolvidos possuem um endividamento (quantidade) até 60%, daí terem um Ativo competitivo, uma tecnologia de ponta.



Tela 70
Módulo 3 - O método de análise por índices

d) Os índices de endividamento, usualmente expressos em porcentagens, permitem avaliar o quanto à organização depende de capitais de terceiros, bem como a distribuição de suas obrigações entre o curto e o longo prazo.

Os dois quocientes de grande utilidade para se avaliar a situação são:

a) Grau de endividamento (quantidade de dívida); e
b) Composição do endividamento (qualidade da dívida).


a) Grau de endividamento (quantidade de dívida) - as dívidas da empresa estão contabilizadas no passivo, sendo que o passivo se divide em capitais de terceiros e capitais próprios. Lembre-se de que o ativo total é igual ao passivo total.

No cálculo do grau de endividamento buscamos identificar se a empresa recorre a mais capital de terceiros ou capital próprio para financiar seu ativo.

Seu cálculo é feito da seguinte forma:

Grau de Endividamento

 

Capital de Terceiro

 

Passivo Circulante + Passivo Não Circulante

Ativo Total

Ativo (passivo) Total



b) Composição do endividamento – O termo endividamento vem da palavra dívida. As dívidas da empresa são evidenciadas em seu passivo.

No tópico anterior, analisamos o “quanto” a empresa tem de dívidas, dividindo o passivo em capital de terceiros e capital próprio.

Vamos, agora, estudar a composição de endividamento. Neste estudo vamos nos preocupar apenas com as dívidas exigíveis (capital de terceiros), buscando identificar quanto da dívida é exigível no curto e quanto é exigível no longo prazo.

O cálculo é feito da seguinte forma:

Composição do Endividamento

 

Passivo Circulante

Capital de Terceiro

Este quociente mostra a participação percentual dos compromissos em curto prazo no total do endividamento exigível.



Razões da variação do nível de endividamento - Na década de 70, principalmente em função do grande desenvolvimento econômico do Brasil, as empresas se endividaram para ampliar seu potencial produtivo.
Na década de 80, vieram à recessão, os juros altos, a inflação desenfreada e o medo do empresário em se endividar. Como conseqüência os Ativos das empresas ficaram defasados, obsoletos, pois não foram renovados por falta de captação de recursos.
Normalmente, os países desenvolvidos possuem um endividamento (quantidade) até 60%, daí terem um Ativo competitivo, uma tecnologia de ponta.




Tela 71
Módulo 3 - O método de análise por índices

Obviamente, a diferença entre 100% e o percentual encontrado nos dirá qual a participação do Exigível a Longo Prazo no endividamento total. Vejamos um exemplo:

Cia. Orga S/A
Balanço Patrimonial

Ativo
31/12/2006
Passivo
31/12/2006
Circulante
300
Circulante
120
Não Circulante
700
Não Circulante
480
Realizável a longo prazo
200
Exigível a longo prazo
480
Imobilizado
500
Patrimônio Líquido
400
Total
1.000
Total
1.000

Temos um passivo total de R$1.000,00 dividido entre R$600,00 de capital de terceiros (passivo circulante + passivo não circulante) e $400 de capital próprio.

O capital de terceiros está dividido em R$120,00 de dívidas de curto prazo e R$480,00 de dívidas de longo prazo. Vejamos o Quadro de Endividamento

Quadro de Endividamento

Endividamento
Grau de endividamento
Composição do endividamento
(quantidade de dívida)
(qual a composição da dívida exigível)
31/12/2006
Valor
%
31/12/2006
Valor
%
Capital de Terceiro
$600
60%
Passivo Circulante
$120
20%
Capital Próprio
$400
40%
Passivo Não Circulante
$480
80%
Passivo Total
$1.000
 
Capital de Terceiros
$600
 

Da análise do quadro acima, podemos concluir que:

a) 60% do ativo da empresa é financiado por capital de terceiros e 40% por capital próprio; e
Das dívidas exigíveis (capital de terceiros) 80% terão vencimento a longo prazo, e 20% serão exigíveis nos próximos 12 meses. Vejamos um exemplo.

A importância no estudo do endividamento, pode ser melhor exemplificada a partir do texto disponível na página do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – www.iedi.org.br), ou (Noticiário - Seleção Diária de Notícias Nacionais 22/Maio/2007) em que seu Diretor-Executivo afirma:



Vejamos um exemplo:

Ativo
2005
2006
Passivo
2005
2006
Ativo Circulante
700
2280
Passivo Circulante
670
1200
Disponibilidades
220
530
Contas a pagar
200
300
Créditos
250
1450
Fornecedores
100
500
Estoques
200
300
Impostos, taxas e contribuições
120
80
Outros
30
Dividendos a pagar
250
320
Ativo Realizável a Longo Prazo
400
100
Passivo Exigível a Longo Prazo
130
530
Créditos com pessoas ligadas
400
100
Empréstimos e financiamentos
130
530
Ativo Permanente
700
900
Patrimônio Líquido
1000
1550
Investimentos
500
300
Capital Social Realizado
800
1.200
Imobilizado
200
600
Lucros Acumulados
150
250
Diferido
-
-
Reservas de Lucro
50
100
Ativo Total
1.800
3.280
Passivo Total
1.800
3.280

Liquidez
2005
2006
Imediata
R$ 0,33
R$ 0,44
Corrente
R$ 1,04
R$ 1,90
Seca
R$ 0,75
R$ 1,65
Geral
R$ 1,38
R$ 1,38

Endividamento
2005
2006
Grau de endividamento
44%
53%
Endividamento exigível de curto prazo
84%
69%
Endividamento exigível de longo prazo
16%
31%

Da análise dos índices pode-se concluir que:

a) o aumento no endividamento (de 44% para 53% não prejudicou a liquidez de curto prazo da empresa (de $1,04 para $1,90); e

b) a empresa em 2006 não depende da liquidação de seus estoques para o pagamento das dívidas de curto prazo.



Tela 72
M�dulo 05 - Planejamento de pesquisa

(Noticiário - Seleção Diária de Notícias Nacionais 22/Maio/2007)

“Os dados comparados de 2004 e 2003 mostram que houve uma significativa queda no endividamento das grandes empresas brasileiras. É o que mostram os indicadores para 112 grandes empresas industriais que o Iedi pesquisa regularmente. O endividamento geral, que pode ser avaliado por meio da relação entre o endividamento oneroso líquido e o capital próprio, acusou um recuo significativo: de 1,70 para 1,34, considerando o total da amostra, e de 1,72 para 1,37, levando em conta o total das empresas industriais exceto a Petrobras. Os destaques foram os setores de Alimentos, em que essa relação caiu de 3,18 para 2,18; Bebidas (de 1,97 para 0,93); Química (de 2,13 para 1,59); Siderurgia (de 1,70 para 1,45); e Petróleo e Gás (de 1,72 para 1,30).

A estrutura de capitais refletiu essa redução do endividamento, com os recursos próprios passando a representar 42,8% das fontes de recursos em 2004, contra 37% em 2003. Paralelamente, uma outra mudança teve lugar: o endividamento empresarial de curto prazo encolheu como proporção da dívida total, o que também pode ser interpretado como uma melhora no perfil do endividamento. Considerando as empresas pesquisadas, respectivamente, com e sem Petrobras, a participação dos empréstimos de curto prazo nas dívidas totais das empresas passa de 33% para 28% e de 39% para 34%, entre 2003 e 2004. Ou seja, não somente o endividamento empresarial caiu como melhorou sua qualidade no período em tela.

Os dados sugerem ainda uma expressiva melhora no desempenho operacional das empresas industriais. O lucro da atividade sobre a receita líquida para o total das empresas sem a Petrobras subiu de 15,5%, em 2003, para 21,1%, em 2004. Note-se que a relação entre o lucro líquido (que inclui o resultado não-operacional) e a receita líquida cresceu de 10,7% para 13,5%.

Em termos de rentabilidade (relação entre o lucro líquido e o patrimônio líquido), essa aumentou expressivamente para o conjunto das empresas. Não considerando a Petrobras, a evolução foi de 20, 8% em 2003 para 25,5% em 2004; levando em conta a Petrobras, o aumento foi menor, mas ainda assim a rentabilidade manteve um nível excepcional: 26,3% em 2003 e 26,6% em 2004. Um último dado deve ser sublinhado: o aumento de 33,1% no valor do lucro líquido acumulado das empresas selecionadas, um percentual significativamente mais elevado do que o crescimento da receita líquida, de 23,8%. Note que a variação do IGP-M no período foi de 12,4%.

Em grande parte, esses importantes avanços no desempenho e na estrutura de capitais das empresas brasileiras em 2004 podem ser atribuídos à recuperação da demanda doméstica e à expressiva ampliação das exportações. Esses fatores levaram ao aumento da utilização da capacidade instalada das empresas que tanto assusta (mas não deveria fazê-lo) as autoridades econômicas brasileiras, pois, diferentemente do que muitos imaginam, a maior utilização de capacidade é um fator que, além de incentivar o investimento, amortece tensões de preços. Também contribui para ampliar a rentabilidade, na medida em que abre oportunidade para que as empresas diluam seus custos fixos de produção. A maior produtividade da indústria, que, segundo dados preliminares dos estudos do Iedi, evoluiu cerca de 6% em 2004, foi certamente um outro fator destacado que contribuiu para que o setor melhorasse significativamente seu desempenho e rentabilidade. Boa lucratividade e redução (além da melhora do perfil) das dívidas significa que as empresas ganharam capacidade de investir, seja porque passaram a dispor de mais expressivas fontes internas de recursos, seja porque se habilitaram novamente a se endividar como meio alternativo de financiamento dos eventuais novos investimentos. Ou seja, no presente momento, a restrição financeira das empresas brasileiras é menor, pelo menos no que se refere à grande empresa.

É relevante preservar essa capacitação financeira porque essa é uma precondição para o aumento do investimento na economia brasileira, embora não seja a única, pois perduram dúvidas sobre a segurança do investimento de longo prazo e se a economia brasileira de fato apresenta uma boa perspectiva de aumento de demanda. Em particular, as incertezas ainda presentes dizem respeito à segurança que se pode atribuir a um investimento de longo prazo como em infra-estrutura e, sobre a demanda, persiste a indagação se ela será contida em nome do controle inflacionário ou se terá prosseguimento a sua evolução. “A política econômica em curso poderia dedicar maiores esforços para, no que depender de sua ação, deixar ambas as questões esclarecidas”.

Disponível em www.iedi.org.br  Data:10/05/07



Tela 73
Módulo 3 - O método de análise por índices

Resumo

Os índices de liquidez indicam a capacidade de pagamento da entidade. Os mais utilizados são o índice de liquidez corrente, que mede a capacidade da organização de honrar os compromissos assumidos no exercício seguinte com os recursos que tem a receber no mesmo exercício, e o índice de liquidez seca, que desconsidera os estoques existentes, por se tratar do item menos líquido do ativo circulante.

Ao utilizar índices de liquidez é importante levar em conta que o fluxo dos recebimentos não coincide com o fluxo de pagamentos, nem há certeza absoluta de que todos os créditos e estoques se converterão efetivamente em disponibilidades monetárias.

Os índices de endividamento são também importantes, por mostrarem o quanto a entidade depende de capitais de terceiros (grau de endividamento) e o perfil de sua dívida (composição do endividamento), que permite avaliar se a organização dispõe de tempo para alcançar resultados positivos e assim saldar os débitos contraídos.



Unidade 1 Módulo 9
Tela 74
Módulo 2 - Análise da Atividade

1 - Lucro e lucratividade


Podemos conceituar lucro como o excedente das receitas obtidas por uma entidade sobre as despesas por ela efetuadas.

Por lucrativa entende-se, portanto, uma entidade capaz de gerar receitas superiores às suas despesas.

A essa capacidade de gerar lucros denominamos lucratividade.

Ao estudarmos lucratividade estamos nos referindo ao estudo dos componentes da Demonstração do Resultado do Exercício. Este estudo será idêntico ao estudo da análise vertical da DRE.

Visto que os empreendimentos comerciais, em sentido amplo, têm por objetivo gerar lucros, para que possam remunerar seus proprietários, o estudo da lucratividade assume especial relevância na análise das demonstrações financeiras.

Mas, não só para os proprietários como também para todos os que pretendem estabelecer negócios de longa duração com a empresa, interessa a análise da lucratividade.

É o caso de possíveis investidores e, mais ainda, de quem pretende assinar com ela contratos de longa duração envolvendo financiamentos, fornecimentos continuados de matérias-primas, construção de grandes obras e outras operações de vulto, cujo cumprimento depende essencialmente dos resultados que a empresa venha a obter.



Tela 75
Módulo 2 - Análise da Atividade

Como já observamos, ao estudarmos a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, os excedentes das receitas sobre as despesas recebem diferentes denominações, em função dos tipos de receitas e despesas consideradas: lucro bruto, lucro operacional, lucro antes e depois do imposto de renda, lucro líquido.

Assim, também as medidas de lucratividade, denominadas margens, recebem diferentes denominações, segundo o tipo ou expressão de lucro a que se referem: margem bruta, margem operacional etc.

É importante assinalar que a expressão dos diferentes tipos de lucros em unidades monetárias, embora possa causar impacto (bilhões, milhões), não têm significado primordial para o analista.

Esses valores brutos só assumem significado relevante quando confrontados com outros, mais especificamente com os valores das operações ou dos elementos que possibilitam a ocorrência de lucros.

Por essa razão, o trabalho de análise da lucratividade se inicia pelo cálculo dos quocientes que relacionam os diversos tipos de lucro com as vendas, com os ativos ou com o patrimônio líquido, dependendo do que se pretenda saber quanto à lucratividade.

Em si, esses indicadores pouco nos revelam. No entanto, confrontados com os indicadores de outras empresas, do mesmo porte e ramo, permite saber se nossos custos e despesas são compatíveis como que se verifica no mercado.

Por outro lado, uma série histórica desses indicadores pode evidenciar tendências, positivas ou negativas , bem como os seus fatores determinantes.



Tela 76
Módulo 2 - Análise da Atividade

2 - Indicadores de lucratividade

Uma vez que o volume de vendas, do ponto de vista financeiro, é o fator determinante do lucro, pois para que haja lucro é indispensável vender para gerar receitas, os indicadores básicos da lucratividade (as margens) relacionam as várias expressões de lucro com as vendas.

A seguir apresentamos os indicadores de lucratividade comumente utilizados. Para exemplificar os cálculos, serão usados os dados das demonstrações financeiras da empresa Exemplo S/A.

Demonstração do Resultado do Exercício de 2006
Cia. Exemplo S/A

Demonstração do Resultado do Exercício
2005
AV
2006
AV
AH
Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços
1.000
100%
1.500
100%
50%
(-) Deduções da Receita Bruta
-
-
0%
Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços
1.000
100%
1.500
100%
50%
(-) Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos
- 400
- 40%
- 700
- 47%
75%
Resultado Bruto
600
60%
800
53%
33%
Despesas/Receitas Operacionais
- 290
- 29%
- 300
- 20%
3%
Com Vendas
- 150
- 15%
- 200
- 13%
33%
Gerais e Administrativas
- 80
- 8%
- 70
- 5%
- 13%
Financeiras
- 60
- 6%
- 30
- 2%
- 50%
Resultado Operacional
310
31%
500
33%
61%
Resultado Não Operacional
- 5
- 0,5%
50
3%
1100%
Receitas
65
7%
50
3%
- 23%
Despesas
- 70
- 7%
- 100%
Resultado Antes da Tributação/Participações
305
31%
550
37%
80%
Provisão para IR e Contribuição Social
- 100
- 10%
- 80
- 5%
- 20%
Lucro/Prejuízo do Exercício
205
21%
470
31%
129%


Tela 77
Módulo 2 - Análise da Atividade

a) Margem Bruta

Na DRE o lucro bruto é obtido pela diferença entre a receita líquida e o custo da mercadoria vendida.

A Margem Bruta é o quociente obtido pela divisão do lucro bruto (o lucro resultante das vendas após a dedução do custo das mercadorias vendidas – ou dos produtos vendidos, ou ainda dos serviços prestados – pelas vendas líquidas (o total das vendas, excluídas as deduções, conforme estudado no módulo referente à DRE)).

No caso da empresa Exemplo S/A, constata-se que sua Margem Bruta seria:


Margem Bruta = Lucro Bruto ÷ Vendas Líquidas

Margem Bruta (2005) = 600 ÷ 1.000 = 0,60 = 60%
Margem Bruta (2006) = 800 ÷ 1.500 = 0,53 = 53%

A Margem Bruta possibilita avaliar de imediato apenas (embora isso seja relevante) o peso dos CMV na formação do resultado da empresa.

Pelos cálculos acima, verifica-se que os custos consumiam 40% das vendas em 2005 e, em 2006 consomem 47%.



Tela 78
Módulo 2 - Análise da Atividade

b) Margem Operacional

Para se obter a margem operacional, que nos mostra a lucratividade das operações da empresa, divide-se o lucro operacional pelas vendas líquidas.


Margem Operacional = Lucro Operacional ÷ Vendas Líquidas

No caso da empresa Exemplo S/A:

Margem Operacional (2005) = 310 ÷ 1.000 = 0,31 = 31%
Margem Operacional (2006) = 500 ÷ 1.500 = 0,33 = 33%

É notória a importância desse indicador, por nos revelar o resultado obtido pelas operações que constituem a própria finalidade da organização, sua razão de ser, o “seu negócio”.

Vale observar que a margem bruta apresentou uma queda de 7% de 2005 para 2006, em função do aumento dos custos da mercadoria vendida (de 40% para 47%), contudo a margem operacional de 2006 é superior a de 2005 em 2 pontos percentuais.


Este fato foi possível devido a uma redução de 9 pontos percentuais nas despesas operacionais, que consumiam 29% das receitas em 2005 e, apenas, 20% em 2006.



Tela 79
Módulo 2 - Análise da Atividade

c) Margem Líquida

Para se calcular a margem líquida, utiliza-se fórmula semelhante às duas anteriores:


Margem Líquida = Lucro Líquido ÷ Vendas Líquidas

Utilizando os dados da DRE do Exemplo S/A:

Margem Líquida (2005) = 205 ÷ 1.000 = 0,21 = 21%.
Margem Líquida (2006) = 470 ÷ 1.500 = 0,31 = 31%.

A importância da margem líquida torna-se evidente se considerarmos que a magnitude da lucratividade líquida é que tornará possíveis maiores ou menores remunerações aos proprietários (dividendos).



Tela 80
Módulo 2 - Análise da Atividade

3 - Indicadores de rentabilidade

A expressão rentabilidade tornou-se usual para nos referirmos à capacidade de gerar lucros (renda), de elementos patrimoniais.

Observe que no estudo da lucratividade estudávamos a composição da DRE.

No estudo da rentabilidade estudaremos a relação entre o BP e a DRE.

Do ponto de vista econômico, é possível dizer que os fatores de lucro são as aplicações (os ativos), em particular as aplicações no negócio da entidade, ou seja, nas operações relacionadas com a sua finalidade, os ativos denominados operacionais.

Por outro lado, de particular interesse para os proprietários e possíveis investidores, é o conhecimento da rentabilidade dos recursos próprios aplicados na organização, o patrimônio líquido.

Essas considerações levam-nos aos principais indicadores de rentabilidade.

Vamos continuar nossos estudos utilizando o BP e a DRE da Cia. Exemplo S/A.



BP

Ativo
2005
2006
Passivo
2005
2006

Circulante


700

2280

Passivo Circulante


670

1200
Disponibilidades
220
530
Contas a pagar
200
300
Créditos
250
1450
Fornecedores
100
500
Estoques
200
300
Impostos, taxas e contribuições
120
80
Outros
30
Dividendos a pagar
250
320
Não circulante
1100
1000
Não circulante
130
530
Realizável a Longo Prazo
400
100
Exigível a Longo Prazo
130
530
Créditos com pessoas ligadas
400
100
Empréstimos e financiamentos
130
530
Investimentos
500
280
Patrimônio Líquido
1000
1550
Imobilizado
180
600
Capital Social Realizado
800
1200
Intangível
20
20
Reservas de Lucro
200
350
Ativo Total
1.800
3.280
Passivo Total
1.800
3.280


DRE da Cia. Exemplo S/A

Demonstração do Resultado do Exercício
2005
2006
Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços
1.000
1.500
(-) Deduções da Receita Bruta
-
-
Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços
1.000
1.500
(-) Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos
- 400
- 700
Resultado Bruto
600
800
Despesas/Receitas Operacionais
- 290
- 300

Com Vendas

- 150
- 200

Gerais e Administrativas

- 80
- 70

Financeiras

- 60
- 30
Resultado Operacional
310
500
Resultado Não Operacional
- 5
50

Receitas

65
50

Despesas

- 70
Resultado Antes da Tributação/Participações
305
550
Provisão para IR e Contribuição Social
- 100
- 80
Lucro/Prejuízo do Exercício
205
470



Tela 81
Módulo 2 - Análise da Atividade

a) Taxa de Retorno sobre o Investimento

As empresas captam recursos no passivo (capitais de terceiros ou capital próprio) e aplicam estes recursos no ativo. Ou seja, o passivo representa as fontes de financiamento dos investimentos realizados no ativo.

Como estamos estudando a Taxa de Retorno sobre o Investimento, devemos relacionar os ativos com o lucro.

A Taxa de Retorno sobre o Investimento (TRI) resulta da divisão do lucro líquido pelo ativo total médio, visto ser esse ativo representativo das aplicações ou investimentos realizados.

Considerando o aspecto estático do BP, utilizamos o saldo médio das contas patrimoniais.

Para DRE, por ser dinâmica, iremos utilizar o valor anual.


TRI = Lucro Líquido ÷ Ativo Total Médio

No caso da empresa exemplo, temos:

Ativo Total (2005) = R$1.800,00
Ativo Total (2006) = R$3.280,00
Ativo Médio = R$2.540,00

Lucro líquido (2006) = R$470,00

TRI = R$ 470,00/R$ 2.540,00 = 0,1850 = 18,50%.

A conclusão que temos é de que, em 2006, os investimentos feitos no ativo geraram um retorno (lucro) de 18,50%.

A TRI é o mais importante indicador da situação da empresa. É ela que nos diz se os resultados das aplicações são positivos e qual a sua magnitude em termos percentuais.

Sua análise leva-nos a valiosas conclusões e permite orientar decisões relevantes para o desempenho e o futuro da organização.

Para que se compreenda e se possa utilizar todo o potencial de utilidade da TRI na análise, desdobra-se a fórmula acima em duas partes.

Para simplificar, passaremos a utilizar apenas os termos lucro, vendas e ativo total, visto estar, já, claro que se trata do lucro líquido, das vendas líquidas e do ativo total médio.



Tela 82
Módulo 2 - Análise da Atividade

Assim, sem que se altere a essência da fórmula anterior, temos que:


TRI
=
Lucro líquido
X
Vendas
Vendas
Ativo total Médio

Como se pode constatar, a primeira parte da fórmula constitui a fórmula da margem líquida e, a segunda, a fórmula do giro do ativo total. Portanto:


TRI = Margem Líquida x Giro do Ativo

Esse desdobramento da fórmula permite identificar os fatores determinantes da TRI, e sobre eles atuar, com vistas à sua maximização, ou para corrigir eventuais desvios observados na gestão dos elementos patrimoniais, quais sejam as receitas e os custos e despesas decorrentes de suas operações, bem como o tipo e a qualidade dos ativos utilizados, sua capacidade de produção, sua manutenção, etc.

Utilizando-se como fatores a margem líquida e o giro do ativo, temos:


TRI
=
$470
X
$1.500
$1.500
$2.540

TRI = 18,50%



Tela 83
Módulo 2 - Análise conjunta dos prazos médios

Desdobrando-se a fórmula original:

Vê-se que, caso se queira aumentar a TRI, teremos que atuar sobre os três elementos da fórmula (lucro, vendas e giro do ativo), separadamente ou em conjunto.
Aumentando-se o lucro (por exemplo, reduzindo despesas), aumentaremos a margem e, portanto, a TRI.

Aumentando-se as vendas, aumenta-se o giro do ativo e, portanto, a TRI (admite-se, é claro, que o lucro crescerá com o aumento das vendas).

Reduzindo-se o ativo, também será aumentado o giro do ativo e, portanto, a TRI.

O quadro a seguir ilustra a possibilidade de se aprofundar a análise, decompondo-se sucessivamente os elementos da fórmula.

Quadro Analítico da Taxa de Retorno do Investimento - TRI



Tela 84
Módulo 2 - Análise da Atividade

b) Taxa de retorno sobre o Patrimônio Líquido

A Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL), medida dos resultados obtidos pelos recursos aplicados pelos proprietários no negócio, resulta da divisão do Lucro Líquido pelo Patrimônio Líquido (médio).


TRPL = Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido

No caso da empresa Exemplo S/A:


TRPL = 470 ÷ (1.000 + 1.550)/2 = 470 ÷ 1.275 = 0,3686 = 36,86%

Convém salientar que os resultados (lucros) obtidos pelos proprietários foram gerados tanto pela aplicação de recursos dos proprietários (capitais próprios) como de terceiros, devendo ser, estes últimos, remunerados pela empresa.



Tela 85
Módulo 2 - Análise da Atividade

Resumo

Os indicadores de lucratividade e rentabilidade são os que despertam maior interesse e causam maior impacto sobre as partes interessadas nas demonstrações financeiras das entidades.

Isso se deve ao fato de ser o lucro o fundamento das atividades das organizações empresariais. Sem a perspectiva de gerar lucros, inúmeras aplicações de recursos deixariam de ser realizadas, por perderem a razão de ser, reduzindo-se substancialmente as atividades econômicas, a geração de emprego e renda.

A expressão do lucro em valores absolutos, nominais ou reais, é de pouca utilidade para a análise, devendo os lucros serem relacionados aos fatores financeiros (vendas) ou operacionais (ativos) que lhes deram origem para que se conheça sua efetiva magnitude face ao porte da entidade e ao seu volume de operações.

Ao se relacionarem os diversos tipos de lucro (bruto, operacional, líquido) com as vendas obtêm-se importantes indicadores de desempenho (margens), expressos em porcentagens de lucro geradas pelas vendas: margem bruta, margem operacional, margem líquida.

Ao se relacionarem os lucros com os seus fatores operacionais, obtêm-se indicadores da rentabilidade das aplicações em ativos e das fontes de recursos utilizadas, próprias ou de terceiros, as taxas de retorno.

Dentre todos esses indicadores sobressai-se, por sua importância, a Taxa de Retorno do Investimento – TRI, cujo cálculo engloba tanto o lucro como as vendas e os ativos utilizados pela entidade. A decomposição da TRI e sua análise possibilitam identificar os fatores do bom ou mau desempenho da organização e tomar decisões sobre os múltiplos fatores desse desempenho, como o custo de produção e as despesas operacionais.



Unidade 1 Módulo 0
Tela 86
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

1 - Requisitos da análise global

As diversas análises que podem ser efetuadas sobre as demonstrações financeiras de uma entidade devem ser integradas.

Cada tipo de análise serve como subsídio às demais, e cada aspecto considerado auxilia no entendimento de outros aspectos.

A análise de apenas um exercício é de pouca utilidade, sendo usualmente considerado indispensável que se analisem pelo menos três exercícios consecutivos, o que implica em ter acesso aos dados de pelo menos quatro demonstrações financeiras, uma vez que em muitos casos convém utilizar valores médios (ativo, patrimônio líquido, estoques etc.). Analisando-se apenas um ou dois exercícios, fica dificultada, se não impossibilitada, a identificação de tendências.

Foi mencionado que, uma vez que as entidades atuam em ambientes diferenciados, quais sejam os diversos ramos de atividade existentes, e se distinguem umas das outras em diversos pontos, a começar pelo seu porte, é preciso confrontar os resultados da análise com os que foram obtidos por entidades congêneres.

O conhecimento da situação das inúmeras organizações que atuam em determinado setor nos possibilita estabelecer padrões, com os quais podemos confrontar os dados relativos à entidade que estamos analisando e assim avaliá-la, emitindo um parecer à luz da realidade em que está inserida.

Um último fator a ser levado em conta é a importância relativa de cada indicador, ou índice, numa avaliação global da entidade.



Tela 87
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

A título de exemplo da complexidade do trabalho dos profissionais da área, concluiremos com uma análise – tão abrangente quanto possível – de uma empresa de porte médio, do ramo de materiais de construção, cujos demonstrativos essenciais, os balanços patrimoniais e as demonstrações de resultado do exercício apresentamos a seguir.

ORGANIC S/A – MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO
Balanços Patrimoniais
Demonstrações do Resultado do Exercício

Balanços Patrimoniais (US$ 1.000,00)

ATIVO
2005
2006
2007
CIRCULANTE
1.970
2.400
3.050
Disponível
40
30
30
Dupl. a receber
1.030
1.230
1.560
Estoques
900
1.140
1.460
NÃO CIRCULANTE
830
1.840
2.650
Investimentos
70
140
210
Imobilizado líquido
760
1.700
2440
TOTAL
2.800
4.240
5.700
       
PASSIVO
2005
2006
2007
CIRCULANTE
1.520
1.850
2.050
Fornecedores
770
740
750
Empréstimos bancários
70
120
160
Dupl. descontadas
400
670
700
Impostos a pagar
140
180
300
Dividendos a pagar
140
140
140
NÃO CIRCULANTE
170
910
1.950
EXIGÍVEL LP
170
910
1.950
Financiamentos
170
910
1.950
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
1100
1480
1700
Capital social
820
1.350
1.550
Reservas de lucro
290
130
150
TOTAL
2.800
4.240
5.700

Demonstrações do Resultado do Exercício

(US$ 1.000,00)

Contas de Resultado
X1
X2
X3
Receita Bruta
(–) Devoluções e abatimentos
(–) Impostos recolhidos
(=) Receita Líquida
(–) CMV
(=) Lucro Bruto
(–) Despesas Operacionais
Despesas com vendas
Despesas gerais e administrativas
(=) Lucro Operacional (1)
(–) Despesas financiamentos líquidas
(=) Lucro Operacional (2)
(–) Resultado não Operacional
(=) Lucro antes do I. de Renda
(–) Provisão para o I. de Renda
(=) Lucro Líquido
7.150
(150)
(1.200)
5.800
(1.400)
4.400

(1.500)
(1.700)
1.200
(600)
600
(30)
570
(140)
430
8.550
(200)
(1.400)
6.950
(1.800)
5.150

(1.600)
(1.900)
1.650
(900)
750
(60)
690
(180)
510
10.450
(250)
(1.600)
8.600
(1.900)
6.700

(1.800)
(2.250)
2.650
(1.800)
850
(190)
660
(300)
360

Observe que os valores constantes das demonstrações já se encontram em moeda mais estável que a nossa, com o que se minimizam os efeitos inflacionários.

Observe ainda que já foram efetuados vários ajustes: eliminadas contas retificadoras (provisões, depreciação) e que o valor das duplicatas descontadas já foi transferido para o passivo circulante.

Foram, portanto, tomadas providências preliminares, e as demonstrações já se encontram formatadas e ajustadas para a análise.



Tela 88
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

2 - Análises horizontal e vertical

Os quadros abaixo apresentam as demonstrações já trabalhadas para fins de análise vertical e horizontal, destacando o fato de que foi realizada a análise horizontal encadeada.

Os cálculos preliminares foram já efetuados, cabendo agora ao analista examiná-los e interpretá-los em busca do conhecimento da entidade no que diz respeito aos aspectos relevantes para as partes interessadas.

Pequenas diferenças que podem ser observadas são devidas a arredondamentos efetuados com vistas a possibilitar melhor apresentação e visualização.

Balanços Patrimoniais

ATIVO
2005
A.V.
2006
A.V.
A.H.
2007
A.V.
A.H.
CIRCULANTE
1.970
70%
2.400
57%
22%
3.050
54%
55%
Disponível
40
1%
30
1%
- 25%
30
1%
- 25%
Dupl. a Receber
1.030
37%
1.230
29%
19%
1.560
27%
51%
Estoques
900
32%
1.140
27%
27%
1.460
26%
62%
NÃO CIRCULANTE
830
30%
1.840
43%
122%
2.650
46%
219%
Investimentos
70
3%
140
3%
100%
210
4%
200%
Imobilizado líquido
760
27%
1.700
40%
124%
2.440
43%
221%
Total
2.800
100%
4.240
100%
51%
5.700
100%
104%
                 
PASSIVO
2005
A.V.
2006
A.V.
A.H.
2007
A.V.
A.H.
CIRCULANTE
1.520
54%
1.850
44%
22%
2.050
36%
35%
Fornecedores
770
28%
740
17%
- 4%
750
13%
- 3%
Empréstimos bancários
70
3%
120
3%
71%
160
3%
129%
Duplicatas descontadas
400
14%
670
16%
68%
700
12%
75%
Impostos a pagar
140
5%
180
4%
29%
300
5%
114%
Dividendos a pagar
140
5%
140
3%
0%
140
2%
0%
NÃO CIRCULANTE
170
6%
910
21%
435%
1.950
34%
1047%
Exigível LP
170
6%
910
21%
435%
1.950
34%
1047%
Financiamentos
170
6%
910
21%
435%
1.950
34%
1047%
Patrimônio Líquido
1.110
40%
1.480
35%
33%
1.700
30%
53%
Capital social
820
29%
1.350
32%
65%
1.550
27%
89%
Reservas de lucro
290
10%
130
3%
- 55%
150
3%
- 48%
Total
2.800
100%
4.240
100%
51%
5.700
100%
104%


O que podem nos dizer as análises horizontal e vertical sobre os balanços patrimoniais da empresa?

Em primeiro lugar, quanto ao Ativo, nota-se que o crescimento de 104% ao longo do período deveu-se, sobretudo, ao aumento do Imobilizado, da ordem de 221%. O Ativo Circulante também apresentou crescimento (55%), porém muito inferior ao crescimento do Imobilizado.

Além disso, enquanto a participação do Imobilizado na composição do Ativo passou de 27% para 43%, a do Ativo Circulante caiu de 70% para 54%.

Obviamente, caiu também a participação na composição do Ativo dos itens que compõem o Ativo Circulante, embora tenham ocorrido aumentos em termos absolutos e relativos, com exceção do disponível que apresenta uma redução de 25%.

Isso nos diz que a empresa está investindo pesado, ampliando ou renovando suas instalações e equipamentos.



Análise horizontal encadeada

A análise horizontal encadeada ocorre quando se utilizam as variações ocorridas em relação ao ano tomado como base, e não em relação ao ano anterior.



Tela 89
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

Qual a origem dos recursos aplicados? Analisando o Passivo, poderemos caminhar ao encontro da resposta.

Dos três grandes grupos que compõem o Passivo, vê-se que o que mais cresceu, e cresceu extraordinariamente (mais de 1.000%), foi o Exigível a Longo Prazo. Além disso, sua participação na composição do Passivo passou de apenas 6% para 34%. Não há como negar que o endividamento da empresa sofreu um grande aumento.

Em 2005 a empresa trabalhava com 60% de capitais de terceiros e 40% de capital próprio, estando a dívida com terceiros concentrada no curto prazo. Em 2007, o capital próprio, apesar do crescimento de 53% em relação a 2005, representa apenas 30% dos recursos utilizados pela empresa.

O endividamento em 2007, ao contrário de 2005, está concentrado no longo prazo.

Assim, não parece existir dúvida de que a principal fonte de recursos utilizada constituiu-se nos novos financiamentos a longo prazo.

O crescimento, em termos absolutos da conta financiamentos, R$ 1.780,00 (R$ 1.950,00 – R$170,00), confrontado com o crescimento, também em termos absolutos, da conta Imobilizado, de R$ 1.680,00 (R$2.440,00 – R$760,00), confirmaria essa hipótese.

No Passivo Circulante, destaca-se uma análise da participação da conta dos fornecedores (caiu de 28% para 13%), indício de possíveis dificuldades de crédito junto aos fornecedores, motivada pela elevação do endividamento.

Essa queda foi compensada pelo aumento dos empréstimos bancários (129%) e das duplicatas descontadas (75%), o que indica que a empresa está tendo que recorrer com maior intensidade à rede bancária para assegurar seu capital de giro.

Sua capacidade de pagamento no curto prazo, no entanto, não está comprometida. O crescimento do Ativo Circulante, tanto em termos absolutos (R$ 1.080,00) como relativos (54%) se apresenta maior que o crescimento do Passivo Circulante (R$ 530,00 e 34%, respectivamente).



Tela 90
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

Análise das Demonstrações do Resultado do Exercício

A Receita Líquida foi lançada duas vezes. Este fato tem a finalidade de destacar a participação das deduções sobre a receita bruta, e dos custos e despesas sobre a receita líquida.

Contas de Resultado
2005
2006
2007
R$
AV
R$
AV
AH
R$
AV
AH
Receita Bruta
7.150
100%
8.550
100%
20%
10.450
100%
46%
(–) Devoluções/abatimentos
150
2%
200
2%
33%
250
2%
67%
(–) Impostos recolhidos
1.200
17%
1.400
16%
17%
1.600
15%
33%
(=) Receita Líquida
5.800
81%
6.950
81%
20%
8.600
82%
48%
(=) Receita Líquida
5.800
100%
6.950
100%
20%
8.600
100%
48%
(–) CMV
1.400
24%
1.800
26%
29%
1.900
22%
36%
(=) Lucro Bruto
4.400
76%
5.150
74%
17%
6.700
78%
52%
(–) Despesas Operacionais
Despesas com vendas
1.500
26%
1.600
23%
7%
1.800
21%
20%
Desp. gerais e administrat.
1.700
29%
1.900
27%
12%
2.250
26%
32%
(=) Lucro Operacional (1)
1.200
21%
1.650
24%
38%
2.650
31%
121%
(–) Desp. financ. líquidas
600
10%
900
13%
50%
1.800
21%
200%
(=) Lucro Operacional (2)
600
10%
750
11%
25%
850
10%
42%
(–) Result. não Operacional
30
1%
60
1%
100%
190
2%
533%
(=) Lucro antes do I. R.
570
10%
690
10%
21%
660
8%
16%
(–) Prov. para o I. de Renda
140
2%
180
3%
29%
300
3%
114%
(=) Lucro Líquido
430
7%
510
7%
19%
360
4%
- 16%

A análise das demonstrações do resultado do exercício parte efetivamente da receita líquida (vendas líquidas). No entanto, seu confronto com a receita bruta é de utilidade, razão por que seu valor aparece duas vezes.

Verifica-se que no período houve um crescimento da receita bruta de 46% e uma queda no lucro líquido de 16%. A empresa vendeu mais e ganhou menos. Vejamos o que ocasionou este fato.

A primeira parte da tabela mostra que o nível das devoluções e abatimentos se manteve estável em relação às vendas brutas (em torno de 2%), ou seja, não há indícios de problemas relacionados com a qualidade dos produtos. Por outro lado, observa-se que a carga tributária tem peso relevante (média de 16%) na composição de preços.



Tela 91
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

A análise dos dados permite constatar uma queda significativa no Lucro Líquido, tanto em termos absolutos (R$ 70,00) como relativos (16%), em 2007, quando passou a representar apenas 4% da receita líquida, contra 7% nos anos anteriores. Essa queda se mostra ainda mais acentuada quando confrontamos os valores de 2007 com os de 2006. Quais as razões?

O CMV no período teve um crescimento de 36% contra um aumento nas vendas de 46%, o que gerou maior lucro bruto (o CMV subiu em 2006 e reduziu em 2007).

Além disso, conseguiu reduzir as despesas com vendas e as despesas gerais e administrativas, tendo o seu Lucro Operacional (1) elevado em 10%, com relação à Receita Líquida, no período examinado. Sua situação, portanto, do ponto de vista operacional, apresentou substancial melhora.

A explicação para a queda no Lucro Líquido encontra-se claramente na elevação das despesas financeiras, que passaram de 10% da Receita Liquida em 2005 para 21% da Receita Líquida em 2007, tendo crescido, em termos absolutos, R$ 1.200,00 e 200% em termos relativos.

Essa constatação se mostra coerente com o que foi apurado quando da análise dos balanços patrimoniais, com relação ao endividamento da organização.



Tela 92
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

3 - Análise por índices

Na tabela a seguir encontram-se os principais índices econômico-financeiros da empresa no período que estamos examinando.

Principais índices econômico-financeiros da empresa
Período de 2005-2007

Índices
2005
2006
2007
Índice de Liquidez Imediata
0,03
0,02
0,01
Índice de Liquidez Corrente
1,30
1,30
1,49
Índice de Liquidez Seco
0,70
0,68
0,78
Índice de Liquidez Geral
1,17
0,87
0,76
Grau de endividamento
60%
65%
70%
Composição do Financiamento (curto prazo)
90%
67%
51%
PME (em dias)
204
246
PMRD (em dias)
59
58
PMPD (em dias)
133
121
Ciclo Operacional (em dias)
263
305
Ciclo de Caixa (em dias)
(130)
(184)
Margem Bruta
76%
74%
78%
Margem Operacional
21%
24%
31%
Margem Líquida
7%
7%
4%
Giro do Ativo
2,07
1,64
1,51
TRI
14%
7%
TRPL
39%
23%

É claro que poderíamos ampliar ou reduzir o rol de índices da tabela, conforme os objetivos da análise. Poderíamos, por exemplo, acrescentar o grau de alavancagem financeira ou o índice de cobertura de juros, mas o que está acima é suficiente para os nossos propósitos.



Tela 93
Módulo IV - Análise da Rentabilidade
A análise dos índices extraídos das demonstrações financeiras da empresa comprova algumas conclusões e observações das análises horizontal e vertical efetuadas, e acrescentam outras de grande importância para o analista e as partes interessadas:

Sintetizando tais informações, pode-se dizer, sem esgotar a análise, que o futuro da organização está na dependência de três fatores:



1) o resultado dos investimentos que vêm realizando, e que se têm mostrado positivos, como se vê pelo aumento da margem operacional;

2) o adequado equacionamento de seu endividamento no longo prazo, seja por meio de negociações oportunas, com obtenção de condições mais favoráveis dos credores (redução da taxa de juros, dilatação do prazo para pagamentos), seja por meio de aportes de capital dos proprietários (é possível que a empresa suspenda temporariamente o pagamento de dividendos);

3) a solução dos seus problemas de liquidez imediata e dificuldades de obtenção de crédito, para reduzir sua dependência da rede bancária.

A análise dos índices poderia ser complementada por uma análise dos fluxos de caixa, porém essa não acrescentaria informações de importância maior para o futuro da organização. Apenas permitiria identificar a existência de eventuais pontos de estrangulamento sazonais, e prevenir-se antecipadamente.

A despeito da importância e utilidade dos resultados das análises efetuadas, é indispensável que se examine a situação da empresa à luz do contexto em que ela atua.



Tela 94
Módulo 6 - Análise comparativa

4 - Análise comparativa


Como ela está posicionada em relação às demais organizações do ramo, de porte equivalente?

Para responder à questão, é necessário primeiramente delimitar o universo das empresas do mesmo porte e ramo da organização que estamos examinando e dele extrair uma amostra representativa.
A seguir, calculam-se os indicadores de interesse dessas empresas, a média desses indicadores e seu desvio-padrão.

Utilizando-se a média e o desvio-padrão dos indicadores podemos categorizá-los de diversas maneiras com vistas à análise comparativa.

Assim, podemos conceituar como “bom” um índice de liquidez corrente situado entre a média (X) e o desvio padrão (s), e como apenas “satisfatório” um grau de endividamento também situado nesse mesmo intervalo.

É importante observar que a categorização deve considerar o significado da grandeza do índice, ou seja, o fato de que, em alguns casos, “quanto maior, melhor”, e em outros “quanto maior, pior”.

No caso presente, suponhamos que tenham sido obtidos e categorizados os valores abaixo

a) Índice Liquidez Corrente (X = 0,95; s = 0,05)
b) Índice de Liquidez Seco (X = 0,55; s = 0,05)
c) Índice de Liquidez Geral (X = 0,80; s = 0,10)
d) Grau de Endividamento (X = 55%; s = 6,5%)
e) Composição do Endividamento (X = 60%; s = 7%)
f) Giro do Ativo (X = 0,60; s = 0,15)
g) Margem Líquida (X = 6%; s = 0,7%)
h) Taxa de Retorno do Investimento (X = 7%; s = 2,5%)
i) Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (X = 25%; s = 8%)



Índice Liquidez Corrente

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
0,90 a 0,85
0,95 a 0,90
0,95 a 1,00
1,00 a 1,05



Índice de Liquidez Seco

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
0,50 a 0,45
0,55 a 0,50
0,55 a 0,60
0,60 a 0,65



Índice de Liquidez Geral

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
0,70 a 0,60
0,80 a 0,70
0,80 a 0,90
0,90 a 1,00



Grau de Endividamento

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
61,5% a 68,0%
55,0% a 61,5%
55,0% a 48,5%
48,5% a 42,0%



Composição do Endividamento

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
67% a 74%
60% a 67%
60% a 53%
53% a 46%



Giro do Ativo

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
0,45 a 0,30
0,60 a 0,45
0,60 a 0,75
0,75 a 0,90



Margem Líquida

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
5,3% a 4,6%
6,0% a 5,3%
6,0% a 6,7%
6,7% a 7,4%



Taxa de Retorno do Investimento

Categoria
Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
4,5% a 2,0%
7,0% a 4,5%
7,0% a 9,5%
9,5% a 12,0%



Taxa de Retorno Sobre o Patrimônio Líquido

Categoria Intervalo
Deficiente
Satisfatório
Bom
Muito bom
17% a 9%
25% a 17%
25% a 33%
33% a 41%



Tela 95
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

Confrontando os índices da empresa, analisando-os com os de suas concorrentes, e utilizando a categorização adotada, poderíamos enquadrá-los como segue:


• Índice de Liquidez Corrente (1,49): acima de muito bom;
• Índice de Liquidez Seco (0,78): acima de muito bom;
•Índice de Liquidez Geral (0,76): apenas satisfatório;
• Grau de Endividamento (70%): abaixo de deficiente;
• Composição do Endividamento (51%): bom;
• Giro do Ativo (1,51): acima de muito bom;
• Margem Líquida (4%): abaixo de deficiente;
• Taxa de Retorno do Investimento (7%): apenas satisfatório;
• Taxa de Retorno sobre o P. Líquido (23%): apenas satisfatório.

Portanto, apenas o Grau de Endividamento e a Margem Líquida situam-se em níveis realmente dignos de preocupação, se para tal considerarmos a situação das empresas de porte equivalente que atuam no mesmo setor que a nossa. Resolvida a questão do endividamento e, por conseqüência, diminuindo-se as despesas financeiras, a margem líquida se elevará.

Veja os aspectos positivos da empresa, em relação às suas concorrentes, como os índices de liquidez corrente e seca e, particularmente, o giro do ativo.

Outros modelos de avaliação, evidentemente, são possíveis com o uso de ferramentas estatísticas e a utilização de outras medidas de tendência central e de dispersão. O que aqui apresentamos é apenas um dentre vários modelos possíveis.



Tela 96
Módulo IV - Análise da Rentabilidade

Resumo

Uma análise global da situação e do desempenho da entidade exige que os diversos instrumentos de análise sejam utilizados de maneira integrada, de forma a que os diversos aspectos relevantes sejam vistos à luz de diferentes holofotes.

Assim, não só devemos analisar três ou mais exercícios consecutivos e efetuar cálculos de índices como verificar as variações absolutas nas contas, sua evolução por meio de números índices e sua participação na composição do grupo ou subgrupo de que faz parte.

Além disso, a análise global exige que se leve em conta o ramo de atividade da organização e as características que a diferenciam de suas congêneres, em particular o seu porte e até mesmo a área geográfica em que atua.

Os indicadores apresentados pela análise devem, portanto, ser confrontados uns com os outros, com os das entidades atuantes no setor e com os de outras entidades que apresentem características semelhantes.

Para tanto, os analistas e demais partes interessadas se valem de instrumentos estatísticos como médias e desvios padrões para que se forme um juízo realista das condições da entidade sob exame.