| Unidade 2 | Módulo 1 | Tela 1 |
| 1 - Os
Custos e a História
Em linguagem comum, "custo" significa o "preço" que se pagou por algo, ou o sacrifício em função de algum objetivo alcançado. Contabilmente, "custo" significa o quanto foi gasto para produzir ou adquirir certo bem, ou serviço. Para Iudícibus (1998), a noção de custo está ligada à consideração que se dá em troca de um bem recebido. Em linguagem
comercial ou contábil, custo é o quanto foi despendido para
produzir determinado produto ou serviço. |
|
|
Tela 2 |
|
O termo custo pode ser utilizado quando alguém se refere ao esforço para conseguir algo. No campo empresarial, devemos destacar a utilização desse conceito sob duas perspectivas diferentes:
Utilizaremos o primeiro conceito até a unidade 4. A partir da unidade 5 passaremos a adotar a perspectiva mais ampla.
|
|
|
Tela 3 |
|
A aplicação da teoria de custos remonta à Revolução Industrial, quando já existiam modelos de desenvolvimento de apuração dos dispêndios no processo de produção. Parece razoável, lógico e fundamentado no raciocínio comercial, que o indivíduo ou a empresa, ao decidir pela venda de algum produto ou serviço, queira saber exatamente quanto lhe custou o bem a vender. Segundo Crepaldi (1998,) "desde o surgimento da Administração Científica, toda a atenção gerencial foi predominantemente concentrada na área de produção". A preocupação maior era com o estudo de tempos e movimentos, incentivos salariais para incrementar a eficiência, organização, racionalização, programação e controle de produção. Com a expansão dos mercados, cresce também a concorrência, e o enfoque do marketing insere novos custos no processo; já não basta produzir e vender, é necessário pesquisar e descobrir o que o consumidor procura. Isso representa novos custos no processo. A idéia é que se tenha o custo total e o custo por unidade como elementos necessários para estabelecer-se o preço de venda e garantir a margem de contribuição necessária para cobrir as despesas e manter os lucros. |
|
|
Tela 4 |
| 2 - Custos,
Despesas e Gastos
Gasto é termo genérico. Pode referir-se tanto a custo quanto a despesa. Os custos
são gastos relacionados ao processo de transformação
de ativos como, por exemplo, consumo de matéria prima ou salários
dos funcionários da área de produção.
Despesas são gastos que provocam redução no patrimônio da empresa como, por exemplo, aluguel pago ou juros sobre empréstimos. Podem também ser definidas como bens ou serviços consumidos direta ou indiretamente para a obtenção de receitas.
O quadro, a seguir, demonstra o efeito da despesa no patrimônio.
a) Integralização
de capital, em dinheiro; As letras "d" e "e" mostram o efeito da despesa tornando menor o saldo da conta Bancos e reduzindo o Patrimônio Líquido da empresa. Observe-se que essa redução do patrimônio ocorre pelo processo de Apuração de Resultado do Exercício. |
|
|
Tela 5 |
|
|
| 3 - Termos
Utilizados na Linguagem Contábil de Custos
Exemplos de gastos: |
|
Tela 6 |
|
Os
gastos caracterizam-se por:
Investimentos Consistem nos gastos realizados com a aquisição de equipamentos, instalações, móveis e utensílios, imóveis, marcas e patentes e bens destinados à obtenção de renda. Utilizando um conceito genérico de investimento, a aquisição de matéria-prima é um investimento. A matéria-prima deve ser considerada custo apenas quando consumida no processo produtivo.
Custos São gastos relativos aos bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços. Os valores atribuídos aos custos dos produtos e serviços são baseados nos respectivos valores de aquisição (utilizando metodologia a ser estudada posteriormente). Despesas Consideram-se despesas os gastos com bens e serviços necessários às atividades da empresa, mas não aplicados aos bens ou serviços produzidos. |
|
|
Tela 7 |
| 4 - Elementos
Formadores e Fluxo dos Estoques Industriais Uma empresa comercial compra e vende mercadorias. O valor da aquisição é utilizado para determinar o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). O lucro da empresa é calculado pela diferença entre os valores de venda (receita) e o CMV. Obviamente, outras despesas também são consideradas, mas o importante é entendermos que as mercadorias são adquiridas e contabilizadas em uma conta de estoque. Quando vendidas, os respectivos valores de aquisição devem ser transferidos para o resultado do exercício por meio do CMV. Uma empresa prestadora de serviços apresenta características distintas, pois em vez de Custo das Mercadorias Vendidas, ela terá Custo dos Serviços Prestados (CSP). Esses custos são formados pela mão-de-obra utilizada e materiais aplicados na realização dos serviços. Assim sendo, em uma empresa industrial teremos o Custo dos Produtos Vendidos (CPV). O termo “produto” indica o processo de fabricação. Neste caso, o lucro deve ser apurado pela diferença entre os valores de venda (receita) e o custo dos produtos vendidos. O CPV consiste no valor dos produtos acabados, transferidos para o resultado por ocasião da venda. O valor dos produtos acabados decorre do custo da matéria-prima, mão-de-obra e outros gastos aplicados no processo de transformação. O produto
acabado é o resultado do processo de transformação
da matéria-prima e outros materiais em um produto com características
distintas da matéria-prima e pronto para a venda. Os materiais
requisitados
diretamente dos fornecedores ou de estoques de materiais da empresa são
encaminhados para a fábrica, a fim de serem processados.
Os elementos formadores dos estoques industriais (insumos) são:
Veja de forma simplificada o fluxo dos estoques industriais.
|
|
|
Tela 8 |
| 5 - Sistema
de Acumulação de Custos
É o complexo de normas estruturado para coletar, processar e gerar informações sobre o custo dos produtos fabricados em determinado período. É o segmento fundamental de banco de dados da contabilidade de custos; indica os caminhos de coleta, processamento e saída das informações para o custeio dos produtos. Com base no processo produtivo da empresa e no correspondente ciclo operacional, a empresa tem condições de escolher o sistema de acumulação de custos que se adapta a seu processo produtivo. A indústria cujos produtos são manufaturados por encomenda deverá utilizar o sistema de acumulação por ordem. A que fabrica seus produtos em fluxo contínuo de operações deverá utilizar o sistema de acumulação de custos por processo. Quando os produtos da empresa iniciam-se em processo contínuo e, nas fases subseqüentes, adotam características de produção em lotes diferentes, deverá utilizar sistema híbrido, acumulando os dados de custos do sistema por processo para as fases iniciais e por ordem ou encomenda para as fases finais.
Uma opção para acumulação dos dados de custos é a contabilização por atividades que a empresa mantém, antes da acumulação por produtos. Outra opção é a acumulação dos dados considerando as características de cada insumo, em relação ao tempo e às variáveis que geram esses custos. Ambas as possibilidades são apresentadas por Catelli. O modo de realizar-se o custeio dos produtos é decisão baseada no método de custeio adotado pela empresa. Enquanto o sistema de acumulação de custos se liga ao ciclo operacional e ao processo produtivo, o procedimento de custeio depende da visão conceitual que a empresa tem sobre o modo ideal de custear os produtos. Assim, se a administração da empresa entende que só os custos diretos devem compor o valor dos produtos (custo total), este será o método adotado. O mesmo raciocínio é válido para os demais métodos de custeamento. As formas de custeamento são as opções de mensuração dos elementos obtidos pelo sistema de acumulação determinado pelo processo produtivo e pelo método de custeio adotado. A empresa pode trabalhar com o custeio real, com as informações de eventos econômicos já realizados, com as formas de financiamento previstas e padrões estimados ou orçados. Nada impede também que a empresa trabalhe com os dois, o que é o mais comum. |
|
|
Tela 9 |
|
|
|
|
|
| 6 - Métodos
de custeamento do produto O método de custeamento define os tipos de gastos que devem formar o custo de cada produto ou serviço, assim como os critérios para apropriação desses gastos a cada unidade produzida. O método mais conhecido e utilizado é chamado “Custeio por Absorção” ou “Custeio Pleno”, mas as necessidades empresariais favoreceram o surgimento de muitos métodos, cujos principais citamos a seguir: 1. Custeio
por Absorção ou Custeio Pleno
|
|
Tela 10 |
| 7 - Ciclo
da Contabilidade de Custos
O esquema a seguir apresenta de forma resumida, os passos para apuração
e contabilização dos custos em uma empresa industrial. Vejamos agora um exemplo (adaptado do livro de Contabilidade
de Custos do prof. Eliseu Martins) utilizando valores:
|
|
|
Tela 11 |
1º PASSO: Separar custos e despesas
Devemos então, separar os custos de produção já classificados:
Obs: Este valor integra o custo dos produtos fabricados. Restaram assim, as seguintes despesas:
Obs:
As despesas são descarregadas diretamente
no resultado do período. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
Tela 12 |
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 2º
PASSO: Classificar os custos em diretos e indiretos
e apropriar os custos diretos.
Os custos diretos são aqueles que podem ser identificados e quantificados em relação ao produto. Os exemplos mais comuns são a matéria-prima e a mão-de-obra direta. Esses dois custos podem ser mensurados com exatidão, enquanto a energia elétrica, por exemplo, dificilmente poderia ser medida em relação a cada produto. Por isso, a energia elétrica é sempre tratada como custo indireto. A empresa fabrica os produtos A, B e C e apresenta os seguintes custos diretos: Matéria-prima ......................................... 350.000,00 Por meio do controle de estoques, foi possível verificar os seguintes
consumos de matéria-prima, por produto: Mão-de-obra
direta levantada por meio de sistema de apontamento (controle de anotação
das horas trabalhadas): |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Tela 13 |
3º
PASSO: Ratear os Custos Indiretos
4º PASSO: Determinar o Custo Total de cada produto Com isso, o custo de cada produto terá a seguinte composição:
Obs.:
Observe-se que os custos indiretos foram rateados aos produtos, considerando-os
proporcionais aos custos diretos. |
|
|
Tela 14 |
| 5º
PASSO: Apropriação ao Estoque Quando concluídos, os produtos são transferidos para a conta de Estoque de Produtos Acabados, sendo os custos totais determinantes do valor contabilizado. Teremos uma conta analítica para cada tipo de produto: Estoque de Produtos Acabados – Prod. A: R$ 161.720,00 (conta analítica) Estoque de Produtos Acabados – Prod. B: R$ 289.920,00 (conta analítica) Estoque de Produtos Acabados – Prod. C: R$ 258.360,00 (conta analítica) Estoque de Produtos Acabados: R$ 710.000,00 ( conta sintética)
|
|
|
Tela 15 |
Observem que os
custos indiretos podem ser acumulados em uma conta de custos indiretos
de fabricação e rateados aos produtos, como apresentado
no exemplo, ou podem ser departamentalizados. Nesse caso, atribuem-se
a cada departamento os respectivos custos incorridos e, posteriormente,
cada departamento deverá destinar aos produtos os respectivos custos
conforme a participação do departamento no processo produtivo.
|
|
|
Tela 16 |
| Acompanhando-se os
fatos contábeis que originaram os lançamentos, identificados
nos razonetes, verifica-se a sequência do processo produtivo e da
contabilização dos custos utilizando a departamentalização.
(1) aquisição de matéria-prima por $ 300.000. (2) Requisição de matéria-prima ($ 120.000) pelos departamentos de Corte ($ 100.000) e Montagem ($ 20.000). Observe-se que os departamentos têm saldo inicial de estoques de produtos em processo no início do período. Isso significa que existem produtos em processamento, ou seja, produtos cujo processo de fabricação tenha sido iniciado no mês anterior mas não concluídos nos departamentos. (3) Atribuição da mão-de-obra direta aos três departamentos: Corte ($ 50.000), Montagem ($ 20.000) e Acabamento ($ 10.000). (4) Custos indiretos
apropriados, segundo uma taxa predeterminada, aos três departamentos:
Corte ($ 30.000), Montagem ($ 12.500) e Acabamento ($ 5.500). |
|
|
Tela 17 |
(5) Transferência do custo dos departamentos para o Estoque de Produtos Acabados, referente à produção concluída no período: • Depto. Corte: 70% dos custos foram transferidos para o prod. PX e 30% para o prod. PW.
Obs.: O saldo total de cada departamento pode ser visualizado nos respectivos razonetes, após os lançamentos dos custos de matéria-prima, mão-de-obra e custos indiretos de fabricação. Esses valores são transferidos aos produtos conforme os percentuais estabelecidos acima. Na prática, as empresas procuram estabelecer uma relação entre o trabalho do departamento e os produtos para distribuição desses custos. Ex.: nº de peças, horas/máquina ou horas/homem aplicadas em cada produto, etc. |
|
|
Tela 18 |
(6) Venda de produtos PX que custaram $ 150.000.
|
|
|
Tela 19 |
Observa-se que não há saldos remanescentes nas Contas Departamentais, indicando que todos os produtos em processo foram concluídos. |
|
|
Tela 20 |
|
Assim, o Depto. de Corte tinha $ 2.000 em processo no
início do período, alocou fatores ao custo de $ 180.000
e transferiu os custos aos dois produtos processados (PX e PW), na proporção
do trabalho realizado no departamento em relação a cada
produto. O mesmo procedimento foi realizado nos outros departamentos.
|
|
|
Tela 21 |
| Resumo
Em linguagem comum, "custo" significa o "preço" que se pagou por algo, ou sacrifício, em função de algum objetivo alcançado. Contabilmente, "custo" significa o valor gasto para produzir ou adquirir certo bem, ou serviço. A aplicação da teoria de custos remonta à Revolução Industrial, quando já existiam modelos de desenvolvimento de apuração de custos. Gastos é termo genérico; pode referir-se tanto a custos quanto a despesas. Os custos são gastos relacionados ao processo de transformação de ativos. Por exemplo, consumo de matéria prima ou pagamento de salários de funcionários da produção. Despesas são gastos que provocam redução no patrimônio da empresa. Exemplo: impostos e comissões sobre vendas. O fluxo dos estoques industriais mostra que a fabricação dos produtos é um processo de transformação de matéria-prima e materiais em produtos acabados. Os materiais requisitados diretamente dos fornecedores ou de estoques de materiais da empresa são encaminhados à fábrica, para processamento. O Sistema de acumulação de custos é aquele estruturado para coletar, processar e gerar informações sobre o custo dos produtos fabricados, em determinado período. Método de custeamento do produto é o processo que calcula o custo unitário de um produto, tendo por base os custos diretos e indiretos. Os custos podem também ser classificados em fixos e variáveis. As principais metodologias de custeio utilizadas são: custeio por absorção, custeio variável, custeio padrão, custeio baseado em atividades e RKW. Com o ciclo da contabilidade de custos, o custeamento do processo pode ser departamentalizado; ou seja, atribuem-se a cada departamento os respectivos custos. |
|
|
| Unidade 2 | Módulo 2 | Tela 22 |
| 1 - Custo como conseqüência de Ações Gerenciais À medida que os administradores se preocupem com o gerenciamento de seus insumos, eles terão uma estrutura de custos mais enxuta. Nesse processo gerencial, negociação é, sem dúvida, a ferramenta mais importante dentro do processo empresarial. À medida que a empresa compra bem, a custos menores, ela se coloca melhor em relação aos concorrentes, garantindo a prestação de seus serviços e sua sobrevivência a médio e longo prazos.
|
|
Tela 23 |
| No custeio por absorção, para se obter o custo do produto, leva-se em consideração todos os gastos industriais, diretos ou indiretos, fixos ou variáveis. Os gastos comuns são atribuídos aos produtos por algum critério de distribuição. Exclui-se os gastos não fabris (despesas). O método deriva da aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade e é o método aceito pela legislação comercial e pela legislação do Imposto de Renda.
Todos os custos são alocados aos produtos fabricados: os custos diretos pela apropriação direta e os custos indiretos por algum critério de rateio pré-definido. Podemos relembrar os passos no processo de custeio:
|
|
|
Tela 24 |
| As
despesas de comercialização e de administração
geral são reconhecidas como custo do período ou seja, despesas
do período. Desta forma, não são atribuídas
a produtos específicos. A depreciação de uma máquina é registrada como custo indireto; num segundo momento, é atribuída a cada produto de acordo com uma unidade de medida de atividade, ou seja, o quanto cada produto se beneficia de determinada máquina. Essas unidades atribuídas a cada produto são, então, multiplicadas pelo custo de uma medida de atividades. Vejamos um exemplo adaptado de Crepaldi (1998): uma empresa que trabalha com dois produtos, Alfa e Ômega,registrou os seguintes gastos: |
|
|
Tela 25 |
| Seguindo o esquema proposto, o primeiro passo, então, é separar os custos de produção das despesas do período. O total dos custos é $ 480 mil. O total das despesas é $ 210 mil. Os gastos então ficaram assim distribuídos: As despesas não integram o custo do produto, entram somente na demonstração de resultados do exercício - DRE. |
|
|
Tela 26 |
|
Como fica então a apropriação dos custos? Considerando que a empresa dispõe de um sistema de controle de materiais que informa quanto cada produto consumiu de matéria-prima, temos: Os salários da fábrica devem ter a separação da mão-de-obra direta da indireta vale lembrar que os custos com mão-de-obra incluem os encargos sociais. As anotações da empresa permitem a separação das horas gastas em cada produto, possibilitando a correta quantificação dos custos diretos. Considerando os demais custos como indiretos, temos o seguinte quadro:
Do total dos custos incorridos, $ 360 mil já estão devidamente alocados aos produtos Alfa e Ômega. Os gastos gerais de fabricação ou custos indiretos de fabricação, que somam $ 120 mil, precisam ser rateados aos mesmos produtos. |
|
|
Tela 27 |
|
É necessário adotar-se um critério para distribuição dos custos indiretos. Adotaremos uma distribuição proporcional aos custos diretos de cada produto, então vejamos:
Com o critério adotado, o produto Alfa recebe 1/3, $ 40.000,00, e o produto Ômega 2/3, $ 80.000,00. Poderíamos, ainda, fazer o rateio de acordo com o gasto de mão-de-obra direta. Vejamos: Esse rateio pode ser determinado utilizando-se a relação percentual entre os valores. Para o nosso exemplo, aplicaremos o percentual de gasto com mão-de-obra (obtido para cada produto) ao custo indireto total e obteremos o custo indireto rateado a cada produto:
Observe-se que mudando
a forma de calcular percebemos uma pequena diferença nos valores
finais, mas quando mudamos o critério de rateio ou base de rateio
(mudamos de custos diretos para mão-de-obra), a diferença
pode ser significativa. |
|
|
Tela 28 |
|
2 - Departamentalização A departamentalização é o processo organizacional de dividir as funções da fábrica em departamentos. Aos departamentos são debitados os custos incorridos em cada um deles. Dentro de uma fábrica, os departamentos podem ser divididos em dois grupos: departamentos de produção e departamentos de serviços.
Os Departamentos de produção têm atuação efetiva sobre os produtos e recebem a apropriação dos custos. Veja alguns exemplos de Departamentos de produção: Os Departamentos de serviços não têm atuação direta nos produtos e sua finalidade é prestar serviços aos Departamentos de produção. |
|
Tela 29 |
|
Os custos dos Departamentos de Serviços não são apropriados diretamente aos produtos. Vejamos alguns exemplos. Na maioria dos casos, a unidade "Departamento" é um centro de custo. Vamos considerar, em nossos estudos, para efeitos didáticos, que o Departamento é um centro de custo.
|
|
Tela 30 |
|
3 - Critério de Rateio dos CIF pelos Departamentos Existem alguns critérios que podem ser utilizados para atribuir os Custos Indiretos de Fabricação aos Departamentos. Vejamos o quadro a seguir: |
|
|
Tela 31 |
|
Estimativa dos CIF para um período de produção consiste em projetar o valor dos custos de produção para determinado período. Em muitos casos, há a necessidade da aplicação de valores estimados à medida que os produtos vão sendo transferidos de um departamento para outro. Os custos indiretos e reais bem como o próprio volume de produção só são conhecidos no fim do período. Vamos a um exemplo de como os CIFs poderiam ser distribuídos a cada produto, supondo o seguinte quadro de Custos Indiretos de Fabricação.
|
|
|
Tela 32 |
| O item "Administração da fábrica" ($ 200) será rateado aos cinco departamentos com base na área utilizada pelos mesmos, ficando assim:
O Departamento de almoxarifado terá seus custos (agora $ 135.000) distribuídos entre os três departamentos produtivos (em partes iguais), já que o "Controle de Qualidade" não se utiliza do almoxarifado. |
|
|
Tela 33 |
|
O Rateio dos custos do controle de qualidade, neste momento $ 95.000 ($ 60.000 + $ 35.000), é feito considerando o número de testes feitos para cada departamento.
Após os rateios, vimos todos os custos indiretos de fabricação distribuídos aos três departamentos de produção como se segue:
|
|
|
Tela 34 |
|
Agora, podemos fazer a transferência dos CIFs para cada produto fabricado. Vamos supor que a produção do período tenha sido 1000 unidades dos produtos A e B, e que os apontamentos feitos indicam os totais de hora-máquina por produto, em cada departamento, da seguinte maneira:
O custo indireto por hora-máquina e por departamento seria: Diante dos cálculos, podemos montar um quadro final com o total dos custos indiretos de fabricação atribuído aos produtos A e B. Vejamos a apuração dos custos do produto A:
Os custos do produto B, calculados da mesma forma, seriam $ 361.950. Para se encontrar os custos unitários de cada produto, basta dividir os totais de custos de cada produto por 1000 (total produzido de cada produto). |
|
Tela 35 |
|
Resumo À medida que os administradores se preocupem com o gerenciamento de seus insumos, eles terão uma estrutura de custos mais enxuta. No custeio por absorção, para se obter o custo do produto, leva-se em consideração todos os gastos industriais, diretos ou indiretos, fixos ou variáveis. Os gastos comuns são atribuídos aos produtos por algum critério de distribuição. Exclui-se os gastos não fabris (despesas). A departamentalização é o processo organizacional de dividir as funções da fábrica em departamentos. Aos departamentos são debitados os custos incorridos em cada um deles. A estimativa dos CIF, custos indiretos de fabricação, consiste em projetar o valor dos custos de produção para determinado período. |
|
|
| Unidade 2 | Módulo 3 | Tela 36 |
|
1 - Custeio Direto ou Custeio Variável O custeio direto, também conhecido como custeio variável, consiste em considerar como custo de produção do período apenas os custos variáveis incorridos. O custeio direto não leva em consideração o custo fixo, pelo fato de existirem mesmo que não exista produção, e estes são tratados como despesas do período. O que significa dizer que os estoques de produtos em elaboração e produtos finais, bem como o custo dos produtos vendidos só conterão os custos variáveis. O custeio direto fundamenta-se na separação dos gastos, em gastos variáveis e gastos fixos.
Os defensores do custeio variável valem-se dos seguintes argumentos: O
custeio direto pode ser utilizado internamente a níveis gerenciais,
já que não é aceito pelo fisco.
|
Copyright
© 2008 AIEC..
|
|
|
Tela 37 |
| 2 - Custos e Despesas Variáveis São os que variam diretamente com o volume de produção. Exemplo: mão-de-obra direta; matéria-prima. Têm como características: |
|
|
Tela 38 |
| 3 - Custos e Despesas Fixas São
os que não variam diretamente com o volume de produção.
Exemplos: aluguel de fábrica, salários de gerentes, honorários
de diretores.
Têm como características:
Observe que o comportamento dos custos fixos e variáveis devem ser analisados dentro de certa "faixa de produção", já que podem ser alterados a partir de certo volume de produção ou quando a empresa se aproxima de sua capacidade máxima de produção.
|
|
|
Tela 39 |
| 4 - Críticas e Pontos Positivos do Custeio Direto (variável) Por outro lado, podemos enumerar os seguintes pontos positivos em relação ao custeio direto: |
|
|
Tela 40 |
|
5 - Aplicação prática e comparação com o custeamento por absorção Procuremos tornar o sistema mais claro com o exemplo de Crepaldi (1998):
E que tenha os seguintes custos de produção:
|
|
|
Tela 41 |
|
|
|
|
|
Considerando que a empresa utiliza o método PEPS para avaliar seus estoques e calcular o custo dos produtos vendidos, o custo de produção pelo custeio por absorção e pelo custeio direto bem como seus estoques finais em cada período seriam: Para fins de comparação vamos utilizar aqui o custeio por absorção |
|
Tela 42 |
|
Supondo que o preço de venda unitário foi de $ 120,00, como ficariam as demonstrações de resultados dos períodos considerados: |
|
|
Tela 43 |
|
|
|
|
Tela 44 |
|
Como seriam os resultados dos quatro períodos apurados pelo custeio direto (ou variável)? Vale
lembrar que no custeio direto, apenas os custos variáveis formam
o custo dos produtos, sendo os custos fixos lançados integralmente
na Demonstração de Resultado. No custeio por absorção,
o estoque permanece com a parcela dos custos fixos correspondentes às
unidades não vendidas, sendo levada à Demonstração
de Resultado apenas a parcela dos custos fixos relativa aos produtos vendidos.
Em consequência, o lucro contábil será sempre menor
quando adotado o custeio direto ou variável.
Temos, em seguida, a Demonstração dos Resultados dos quatro períodos: Neste sistema, pode-se perceber que, aumentando-se as vendas, aumenta-se o lucro, que é o caso do 2º período, e que, reduzindo-se as vendas, reduz-se o lucro, que é o caso do 3º período. Vejamos, a seguir, o comportamento do lucro pelo custeamento direto e pelo custeamento por absorção. Pode-se
perceber que o aumento de vendas causa o aumento do lucro, o que não
acontece no custeio por absorção. Por
isso, o custeio variável tem um melhor potencial gerencial: permite
a análise da variação do volume de produção
e vendas e os efeitos nos custos e lucros. Essa análise é
chamada de custo x volume x lucro. |
|
|
Tela 45 |
|
Resumo O custeio direto, também conhecido como custeio variável, consiste em considerar como custo de produção do período apenas os custos variáveis incorridos. Não leva em consideração o custo fixo, pelo fato de existirem mesmo que não exista produção, estes são tratados como despesas do período. Fundamenta-se na separação dos gastos em gastos variáveis e gastos fixos. Os custos e despesas variáveis são os que variam diretamente com o volume de produção. Exemplos: mão-de-obra direta, matéria-prima. Os custos e despesas fixas são os que não variam diretamente com o volume de produção. Exemplos: aluguel de fábrica, salários de gerentes, honorários de diretores. As principais críticas ao custeio direto:
Os principais pontos positivos são:
|
|
|
| Unidade 2 | Módulo 4 | Tela 46 |
|
1 - Custos e despesas Para Iudícibus (1998), "De grande relevância para todos os níveis de gerência tem sido o bom aproveitamento de noções de custo para "dissecar" a anatomia da estrutura de custos de uma empresa e acompanhar os relacionamentos entre as variações de volume e variações de custos (e, portanto, de lucro)".
Para entender a natureza das relações entre custo, volume e lucro é necessário primeiro definir, de forma simplista:
Exemplos comumente apresentados como sendo de custos variáveis Algumas despesas variam proporcionalmente com a variação das vendas, mais do que a produção. É o caso típico de comissões sobre vendas.
|
|
Tela 47 |
|
Exemplos muito citados de custos fixos
Freqüentemente, o valor total do custo da mão-de-obra direta e indireta de um período não guarda relação de proporcionalidade direta com as flutuações de volume, por uma série de problemas, dentre os quais, o fato de, no Brasil, devido aos altos custos de contratação e recrutamento, os empresários hesitam em ajustar prontamente a força de trabalho às flutuações da demanda. Isto leva a incluir maiores cargas de tempo ocioso remunerado como custo indireto, no que se refere ao pessoal da fábrica. A mão-de-obra direta, todavia, deveria, rigorosamente, ser proporcional às variações das ordens completadas, pelo menos em número de horas, com exceção de pequenas diferenças de eficiência e ociosidade. Ela é variável na distribuição que podemos fazer a esta ou aquela ordem, mas freqüentemente é fixa em seu total. |
|
Tela 48 |
| Segundo Crepaldi
(1998) "Os custos fixos, por sua vez, são fixos mais nas intenções
de quem os classificam como fixos..." Na realidade, embora fixos quanto
à intensidade do esforço ou do serviço envolvido, sofrem
variações devidas apenas à inflação ou
acréscimo de preços.
Somente algumas despesas, tais como ordenados do pessoal administrativo, são fixas, ou pelo menos previsíveis para o período orçamentário, desde que os reajustes sejam previsíveis".
|
|
|
Tela 49 |
|
A ilustração a seguir representa a visão do contador no que se refere às funções receita e custo. Assim, ambas são representadas com retas, sendo que a de receita se inicia na origem. A de custo inicia-se já em certa altura, independentemente do nível de atividade, devido ao custo fixo. O ponto de encontro entre as duas curvas representa o "ponto de ruptura" (ou de equilíbrio), a partir do qual a empresa aufere lucro e abaixo do qual incorre em prejuízos. Funções Receita e Custos
Como se vê, as premissas são bastante simplistas. Não somente trata-se de retas, mas elas, visualmente, continuariam indefinidamente em seus caminhos, ampliando cada vez mais o lucro, a partir do ponto de equilíbrio. O contador admite estas simplificações dentro de certos limites de produção. |
|
|
Tela 50 |
|
A próxima ilustração apresenta a visão do problema por parte do economista. Entretanto, dentro do que se denomina "intervalo de variação relevante", e desde que o volume não caia fora dos limites de tal intervalo (intervalo no qual a empresa tenha tido alguma experiência prática), a linearidade pode ser assumida, em algumas circunstâncias. Visão do Economista Intervalo de variação relevante O "intervalo de variação relevante" consiste em traçar um corte no gráfico convencional, procurando não torná-lo válido em toda sua extensão. Na verdade, o "intervalo relevante" representa um "flagrante" daquela faixa de variação de volume suficientemente pequena para que nela a linearidade seja válida. |
|
|
Tela 51 |
|
É importante conhecer bem as limitações de certas simplificações admitidas pelos contadores tendo em vista o uso das técnicas, sempre que possível ou valer-se de outras mais apuradas, quando necessário. No fundo, o contador tenta descrever, como variável dependente, o Custo Total (que denominaremos ou simbolizaremos por Y), em termos de 1 - uma parte fixa (que simbolizaremos por A) e de 2 - uma parte unitária variável que simbolizaremos por b), a qual, multiplicada pelo número de unidades de volume (ou de vendas), redundará no total dos custos variáveis. Logo, Custo Total = Custo Fixo mais (+) custo unitário variável vezes (x) unidades produzidas (vendidas). Assim, Y= A+b.X |
|
|
Tela 52 |
|
O ponto de "ruptura", ou de equilíbrio, é aquele volume em que as receitas totais igualam os custos totais. Simbolizando a Receita Total por p.X, sendo p o preço unitário de venda e X o número de unidades produzidas (que a partir deste ponto passaremos a igualar às vendas, para maior facilidade), teremos para alcançar o ponto de ruptura, em número de unidades vendidas, A + b.X = p.X, isto é, Custo Total = Receita Total Donde, ou
Este resultado é muito importante, pois nos indica que o ponto de equilíbrio é alcançado num número tal de unidades vendidas igual ao quociente entre os custos fixos e a diferença entre o preço unitário de venda e custos unitários variáveis. Em palavras, poderíamos expressar:
|
|
|
Tela 53 |
| Isto pode ser intuitivamente entendido, pois, se os custos fixos independem do volume de atividade (premissa aceita), teremos de vender tantas unidades de produto quantas forem necessárias para, através da margem ganha em cada uma delas (preço de venda menos custo variável), chegar a cobrir os custos fixos e, assim, atingirmos o ponto de equilíbrio. Vale lembrar que os custos variáveis já foram cobertos, pois a margem de contribuição unitária representa a diferença entre preço de venda e custos variáveis unitários. Vejamos um exemplo com a aplicação dos conceitos até aqui:
Testemos o resultado obtido. Se estiver correto, multiplicando o número de unidades pelo preço unitário de venda, deverá resultar num valor igual ao custo total (lucro zero).
O custo total, para esse nível de venda (e produção), será de:
Assim, de fato, ao vendermos o número de unidades indicadas alcançaremos uma receita total igual às despesas totais. |
|
|
Tela 54 |
| Vimos no exemplo que os custos variáveis representam $ 12.752.700,00, enquanto as vendas em reais seriam de $ 19.129.050,00. O quociente entre custos variáveis e vendas (que simbolizam por b').
É fácil verificar a seguinte igualdade:
No exemplo, a ser válida esta fórmula,
X.p.(1-b')
= A
temos:
Voltamos,
assim, à fórmula de equilíbrio em número de
unidades. Desta forma, as duas fórmulas básicas para determinação do ponto de equilíbrio são as seguintes:
|
|
|
Tela 55 |
| 2 - Margem de contribuição Padoveze (2000) é direto ao definir Margem de Contribuição: "Representa o lucro variável". É a diferença entre a receita de vendas do produto e os custos e despesas variáveis. Em cada unidade vendida a empresa lucrará determinado valor que multiplicado pelo total vendido, teremos a contribuição marginal total do produto para a empresa. Para Crepaldi (1998), conhecer a margem de contribuição ajuda os gerentes a:
A margem de contribuição é a diferença entre a receita de vendas e a soma dos custos e despesas variáveis. Fórmula da margem de contribuição:
Onde, É mais fácil entender a margem de contribuição a partir do conceito de margem de contribuição unitária: significa o lucro por unidade de determinado produto vendido. Podemos representá-la por meio da seguinte fórmula:
Onde, |
|
|
Tela 56 |
|
Imaginemos um produto cujo preço de venda unitário seja $ 15,00 e cujos custos variáveis sejam $ 3,00 (matéria-prima) e $ 4,00 (mão-de-obra direta). Além disso, a empresa paga comissões aos vendedores (5%) sobre o preço de venda, e impostos (15%), também sobre o preço de venda. A aplicação da fórmula indica uma margem de contribuição unitária de $ 5,00.
A margem de contribuição unitária é, portanto, a parcela do preço de vendas que após a dedução dos custos e despesas variáveis, ainda servirá para absorver os custos fixos e contribuir para o lucro da empresa. Uma empresa com essa margem calculada, $5,00, e que venda 200 unidades no período terá uma margem de contribuição total desse produto de $ 1.000,00, (200 x $5,00), que servirá à absorção dos custos fixos e à formação do lucro do período. |
|
|
Tela 57 |
|
3 - Ponto de equilíbrio É o ponto onde a empresa "zera" todos os custos de sua produção, determina a quantidade que deve ser vendida para cobrir os custos, ou seja, os custos totais são iguais às receitas totais. Na verdade a expressão ponto de equilíbrio refere-se ao nível de venda em que não há lucro nem prejuízo, onde os custos totais são iguais às receitas totais.
Os pontos fundamentais são:
O ponto de equilíbrio é apenas um dos parâmetros que os gerentes necessitam para decidir entre quais produtos fabricar mais ou menos. A situação da economia vista em termos de procura e oferta de dinheiro e o relacionamento com os clientes devem fazer parte desse arcabouço. |
|
|
Tela 58 |
|
4 - Alavancagem operacional Segundo Padoveze (2000),"significa a possibilidade de acréscimo do lucro total pelo incremento da quantidade produzida e vendida, buscando a maximização do uso dos custos e despesas fixas. É dependente da margem de contribuição". Diz ainda, que o termo alavancagem vem da possibilidade de levantar lucros líquidos em proporções maiores do que o normalmente esperado, através da alteração correta da proporção dos custos fixos na estrutura de custos da empresa. Fórmula:
|
|
|
Tela 59 |
|
O grau de alavancagem operacional é uma medida que diz como, a um dado nível de vendas, uma mudança percentual no volume de vendas afetará os lucros Vejamos um exemplo:
Assim teremos o cálculo do Grau de Alavancagem Operacional (GAO):
No caso dessas duas empresas A e B, terem um aumento de 10% nas vendas, teríamos o seguinte quadro:
Considerando um aumento de 10% nas vendas de ambas as empresas, a empresa A teria um aumento nos lucros de 33,3%. Enquanto que a empresa B teria um aumento nos lucros de 50% já que tem um grau de alavancagem operacional maior. Vejamos então como ficaria o nosso exemplo:
Observe que a empresa "A" apresenta lucro com acréscimo de 33,3% e a empresa "B" apresenta lucro com acréscimo de 50% porque a receita e os custos variáveis foram alterados na mesma proporção, mas os custos fixos permaneceram os mesmos. |
|
|
Tela 60 |
|
5 - Equilíbrio nas vendas O equilíbrio nas vendas é o processo buscado com o cálculo das vendas necessárias para cobrir os custos. O ponto de equilíbrio das vendas é necessário para o planejamento do lucro e permite manter ou melhorar os resultados operacionais. Pode, ainda, ser usado em situações em que a empresa tenha que analisar propostas de investimentos, além de facilitar o processo de formação de preços.
Na verdade com o estudo e análise do ponto de equilíbrio a empresa está buscando obter lucro. Com a análise do ponto de equilíbrio e outras informações como situação econômica, relação oferta e procura e relacionamento com os clientes, pode-se decidir que produtos produzir mais, manter ou deixar de produzir. |
|
|
Tela 61 |
|
Gráficos e equações são utilizado para encontrar o equilíbrio das vendas. Na representação gráfica o ponto de equilíbrio corre na intersecção da linha da receita com a do custo total. Os lucros aumentam com o aumento do volume. A equação é: V = CV + CF V = vendas Com essa equação podemos determinar o equilíbrio das vendas ou qualquer outro elemento desconhecido. Exemplos 1. Um produto tem custo fixo de $ 270.000 e custo variável de 70% das vendas. Calcula-se o ponto de equilíbrio das vendas da seguinte forma: Utilizando a equação V = CF + CV 1V
= $ 270.000 + 0,7V
Se o lucro almejado for de $ 50.000, as vendas necessárias para obter esse lucro (L) pode ser encontrada da seguinte forma: V
= CF + CV + L |
|
|
Tela 62 |
|
A margem de segurança é um indicador de risco que anuncia até que ponto as vendas podem cair antes de ocorrer prejuízos. Quanto menor o resultado dessa divisão, maior o risco de se atingir o ponto de equilíbrio. E, abaixo do ponto de equilíbrio, a empresa opera com prejuízo. Exemplo Se as vendas estão orçadas em $ 60.000 e o equilíbrio das vendas está em $ 52.000, qual é a margem de segurança? |
|
|
Tela 63 |
|
Resumo A análise das relações custo/volume/lucro é utilizada para projetar o lucro que seria obtido em diversos níveis possíveis de produção e vendas e o impacto sobre o lucro refletido por modificações no preço de vendas. Para entender essa análise é preciso dos conceitos de Custos e Despesas Variáveis: os que variam na mesma proporção das variações ocorridas no volume de produção ou outra medida de atividade; e, Custos e Despesas Fixas: teoricamente definidos como os que se mantêm inalterados, dentro de certos limites, independentemente das variações da atividade ou das vendas. A margem de contribuição unitária significa o lucro por unidade de determinado produto vendido, que multiplicado pela quantidade vendida representa o lucro variável ou margem de contribuição total da empresa. Já o ponto de equilíbrio, é o ponto onde a empresa "zera" todos os custos de sua produção. Determina a quantidade que deve ser vendida para cobrir os custos. A alavancagem operacional significa a possibilidade de acréscimo do lucro total pelo incremento da quantidade produzida e vendida. O equilíbrio nas vendas é o processo buscado com o cálculo das vendas necessárias para cobrir os custos. O ponto de equilíbrio das vendas é necessário para o planejamento do lucro e permite manter ou melhorar os resultados operacionais. A margem de segurança é um indicador de risco que indica até que ponto as vendas podem cair antes de ocorrer prejuízos. |
|
|
| Unidade 2 | Módulo 5 | Tela 64 |
1 - Administração do capital de giro A administração de capital de giro (circulante) envolve basicamente as decisões de compra e venda tomada pela empresa, assim como suas mais diversas atividades operacionais e financeiras. Dessa forma, é nítido que a administração do capital de giro deve garantir a uma empresa a adequada consecução de sua política de estocagem, compra de materiais, produção, venda de produtos e prazo de recebimento. Estas políticas têm impacto direto nos demonstrativos contábeis e é por meio deles que se procede às análises necessárias.
A administração
de capital de giro é imprescindível num mundo altamente
globalizado e pontuado pela abertura de mercado, em razão da forte
concorrência, principalmente entre pequenas e médias empresas. |
|
|
Tela 65 |
Em recente estudo conduzido pelo IBGE e SEBRAE (2001), foram ouvidos microempresários de todo o país. O resultado desta pesquisa deixa claro que as microempresas brasileiras sofrem muito com a gestão do capital de giro, sendo essa a principal causa de falência. Pela análise da pesquisa, é possível verificar alguns fatores críticos na gestão do capital de giro. O primeiro deles é que a taxa de juros para capital de giro ainda possui um custo muito elevado, principalmente para empresas de pequeno porte que só tem como fonte de recursos o capital interno (nacional).
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
Tela 66 |
O segundo deles, é a falta de capacidade e de conhecimento dos gestores em utilizar metodologias para analisar os problemas que envolvem a gestão do capital de giro.
Destinação dada aos recursos nas empresas por região.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
Tela 67 |
2 - Ciclo Operacional e Financeiro É importante lembrar que o capital de giro corresponde, na contabilidade tradicional, ao ativo circulante de uma empresa. Em sentido mais amplo, o capital de giro representa o valor total dos recursos demandados por uma empresa para financiar seu ciclo operacional que engloba desde a aquisição da matéria prima até o recebimento dos recursos financeiros relativo às vendas de seus produtos e serviços.
Este ciclo é um processo que ocorre de maneira seqüencial, repetitiva e ininterrupta na atividade operacional de uma empresa, aumentando o caixa a cada ciclo junto com os lucros auferidos ao final do ano. A cada fase
deste ciclo, a empresa necessita de recursos financeiros de curto prazo
ou, comumente chamado capital de giro para sustentar
tais operações. |
|
|
Tela 68 |
Seja pela aquisição de recursos para a confecção de produtos e/ou serviços ou no seu processo de estocagem, a empresa gasta recursos financeiros, afinal estas atividades são as razões de sua existência. A análise de ciclo operacional de uma empresa é muito importante para a gestão do caixa e consequentemente do capital de giro. Para tanto são utilizados os indicadores financeiros de rotatividade já estudados anteriormente. É diante deste processo natural e permanente que sobressai o ciclo operacional da empresa, composto por todas as fases das atividades operacionais. Vamos tomar, por exemplo, uma empresa industrial. Seu ciclo operacional inicia-se pela aquisição das matérias primas, à vista ou a prazo, passa pela armazenagem, produção, venda, também à vista ou a prazo e desemboca no efetivo recebimento das vendas realizadas, conforme diagrama abaixo.
|
|
|
Tela 69 |
A fim de simplificar o processo, serão analisados quatro grandes processos: • Compra Para efeitos didáticos, será assumido que as compras e as vendas são feitas a prazo, e que o recebimento de insumos e entrega de produtos e serviços ocorrem no momento da operação, fatos que se aproximam bastante da realidade das empresas. Resgatando o cálculo dos indicadores do ciclo operacional anual temos:
O PME expressa o prazo médio em dias que os matérias/produtos/serviços permanecem estocados à espera de serem vendidos.
O PMP expressa o prazo médio em dias que a empresa paga seus fornecedores.
O PMR expressa o prazo médio em dias que a empresa recebe pelas vendas realizadas aos seus clientes. |
|
|
Tela 70 |
A administração do capital de giro deve monitorar os indicadores de ciclo operacional a fim de reduzir seu ciclo financeiro e, se possível, torná-lo negativo. Como se consegue isso? Bem, este é o sonho de consumo de todos os gestores de empresas: receber de seus clientes antes de pagar aos seus fornecedores. Ao se configurar este cenário, a empresa normalmente não possui problemas de giro. Isto porque a empresa recebe à vista e paga a prazo. Um exemplo de ramo em que isto ocorre são as pequenas cafeterias cujo principal produto, café expresso, possui preços baixos e normalmente são pagos em dinheiro, ou seja, à vista. Contudo, a compra da matéria prima, como pó de café e água, normalmente é paga com mais de 30 dias. Dessa forma, não há estocagem e a partir da compra de matéria prima, já há a entrada de receita. Colocando no diagrama de tempo têm-se o seguinte fluxo operacional: Portanto, no exemplo anterior, o prazo de recebimento é zero. Já o prazo de pagamento é de 35 dias, enquanto o prazo de estocagem é inferior ao de pagamento, visto que há consumo e venda de produtos dentro do prazo de pagamento. |
|
|
Tela 71 |
Para simplificar, será utilizado um prazo de estocagem de 20 dias somente para efeito de entendimento. Substituindo-se na fórmula, tem-se:
Cálculo do ciclo financeiro:
Ou seja, a empresa possui 15 dias de folga em seu caixa para aplicar os recursos da forma que achar mais conveniente. Assim, chega-se na análise do objetivo principal da administração de capital de giro quando da utilização dos indicadores dos ciclos operacionais. O gestor deve ter como meta a redução do ciclo financeiro da empresa sob pena de ter que financiar seu caixa com recursos de terceiros. Como mencionado, idealmente toda empresa desejaria apurar um ciclo financeiro negativo, que refletiria sua capacidade de produzir, vender e receber antes dos pagamentos. Na prática, esta situação é bastante difícil de ocorrer. |
|
|
Tela 72 |
Diante da realidade de ciclos financeiros positivos, deve a empresa desenvolver estratégias de maneira a minimizar sua dependência por outras fontes de recursos, tais como giro dos estoques, redução de inadimplência e negociação de prazos. Essas estratégias operacionais não devem, entretanto, sacrificar o volume de atividade da empresa. O gestor da empresa necessita ao gerir o caixa achar um ponto de equilíbrio entre as atividades demandadas à empresa e seus fatores operacionais. Um maior giro nos estoque não deve significar falta de produtos para a efetivação da venda. Exemplo: Uma empresa apresenta os seguintes demonstrativos contábeis:
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
Tela 73 |
Ao calcular os indicadores de ciclo operacional desta empresa e montando o diagrama de tempo, tem-se:
Apesar de a empresa apresentar lucro líquido e capital circulante líquido positivo pode-se perceber que seu ciclo financeiro é longo. São quase dois meses financiando seu capital de giro. Os 59 dias custam juros elevados para a empresa sejam tomados via capitais de terceiros (juros bancários) ou capitais próprios (custo de oportunidade). A princípio, uma decisão imediata é reduzir este prazo. Nos atuais níveis de juros uma exposição desta proporção pode conduzir uma empresa a falência no longo prazo. |
|
|
Tela 74 |
3 - Tempo de Necessidade de Capital de Giro A partir do cálculo dos indicadores do ciclo operacional e financeiro pode-se calcular a necessidade de capital de giro em forma de tempo. Quando, no ciclo financeiro, as saídas de caixa ocorrem antes das entradas de caixa, as operações da empresa criam uma necessidade de aplicação permanente de fundos que se evidencia no balanço por uma diferença positiva entre o valor das contas cíclicas do ativo e passivo. Como visto anteriormente, esta diferença denomina-se Necessidade de Capital de Giro (NCG). O fato de uma empresa possuir capital de giro positivo não significa que é o capital que a empresa necessite. A necessidade de capital de giro é conceitualmente diferente do cálculo tradicional do capital de giro ou também conhecido capital circulante líquido. Mas
como saber qual o capital de giro que uma empresa necessita?
O cálculo na forma temporal é obtido por meio da seguinte
fórmula:
Aproveitando o mesmo
exemplo utilizado anteriormente, podemos calcular o tempo, em dias, de
capital de giro necessário da empresa. Substituindo os valores,
chega-se ao seguinte resultado:
São os mesmos 59 dias calculados quando da análise do ciclo operacional e financeiro, ou seja, o ciclo financeiro determina o tempo atual necessário de capital de giro da empresa. Dessa forma, a empresa pode gerenciar o grau de dependência do seu caixa em relação às operações. Apesar de não saber qual o valor desta necessidade, a empresa pode tomar decisões em relação ao tempo das operações. No caso acima, os gestores podem trabalhar reduzindo o tempo de estocagem, negociando melhores prazos de pagamentos com seus fornecedores ou reduzindo prazos de seus clientes. |
|
|
Tela 75 |
4 - O Giro Operacional O giro é uma forma de evidenciar as informações relativas aos indicadores de ciclo operacional numa outra perspectiva. A rotação dos eventos indica o grau de atividade da empresa e é evidenciado na forma nominal medindo a performance de cada grupamento estudado.
O resultado achado significa que o estoque da empresa levou, em média, 66 dias armazenado e dessa forma foi vendido também em média durante quase 6 vezes no ano. |
|
|
Tela 76 |
O Giro de Pagamento - O princípio é o mesmo e indica quantas vezes houve pagamento a fornecedores, bastando, para isso, dividir o período procurado pelo prazo médio de pagamento (PMP).
O resultado achado significa que o estoque da empresa levou, em média, 66 dias armazenado e dessa forma foi vendido também em média durante quase 6 vezes no ano. O Giro de Recebimentos - Por fim tem-se o giro dos recebimentos que evidencia a quantidade de vezes em que a empresa recebeu de seus clientes. O cálculo segue o mesmo procedimento pagamentos
O resultado significa que suas vendas são recebidas em média com 44 dias após as vendas sendo que seus estoques de duplicatas a receber são renovados pouco mais de oito vezes ao ano. A lógica de raciocínio é a mesma. A correta gestão do capital de giro preza por ciclos financeiros, ou de caixa como também são denominados, cada vez menores. Para atingir este objetivo tem que se perseguir o alongamento dos prazos de pagamento a fornecedores o que implica na sua redução de giro. Por outro lado, deve-se buscar a redução de prazos de recebimentos de clientes e aumento nas vendas o que provoca aumento dos respectivos giros. A análise ideal é acompanhar a evolução destes indicadores periodicamente em conjunto com as análise de políticas exercidas pela empresa. |
|
|
Tela 77 |
Resumo A administração de capital de giro ou de caixa, como também é conhecido, envolve basicamente as decisões de compra e venda tomadas pela empresa, assim como suas mais diversas atividades operacionais e financeiras. Dessa forma é nítido que a administração do capital de giro deve garantir a uma empresa a adequada consecução de sua política de estocagem, compra de materiais, produção, venda de produtos e prazo de recebimento, principalmente no ambiente de altas taxas de juros e pesada carga tributária existente no país. Estas políticas têm impacto direto nos demonstrativos contábeis e é por meio deles que se procedem as análises necessárias. Uma das metodologias comumente utilizadas é a análise e acompanhamento dos indicadores de ciclo operacional e financeiro, bem como seus respectivos indicadores de giro. |
|
|
| Unidade 2 | Módulo 6 | Tela 78 |
1 - A Gestão do Capital de Giro O capital de giro constitui-se o fundamento básico da avaliação do equilíbrio financeiro de uma empresa. Pela análise de seus elementos patrimoniais são identificados os prazos operacionais, o volume de recursos que financiam o giro e o permanente e as necessidades de investimento operacional. Para uma melhor compreensão da análise financeira de uma empresa, é importante entender as dinâmicas empresariais retratadas nas contas de ativo e passivo, onde os valores são classificados em função do seu ciclo, ou seja, o tempo que leva para realizar uma rotação. Quando, no ciclo financeiro, as saídas de caixa ocorrem antes das entradas de caixa, a operação cria uma necessidade de aplicação permanente de fundos, que se evidencia no balanço por uma diferença positiva entre o valor das contas cíclicas do ativo e do passivo.
Antes de entender este novo conceito é necessário retomar a definição de outro conceito: capital de giro (CG) e necessidade de capital de giro (NCG). O Capital de Giro pode ser calculado pela diferença entre Ativo Circulante e o Passivo Circulante. Já a NCG contábil pode ser mensurada de forma direta por meio da diferença entre o Ativo Circulante Operacional e o Passivo Circulante Operacional. |
|
|
Tela 79 |
Analisando o exemplo hipotético de uma empresa, é possível observar que:
Sabe-se que, na abordagem tradicional, o Capital de Giro (CG) - ou Capital Circulante Líquido (CCL) - é positivo de R$ 200, e corresponde ao resultado da diferença entre o Ativo Circulante (AC) e o Passivo Circulante (PC). Não obstante essa situação, aparentemente equilibrada pela visão tradicional do Capital de Giro ou Capital Circulante Líquido, não há nenhuma garantia de que essa folga financeira efetivamente ocorra. É necessário reconhecer que parte relevante do ativo circulante possui natureza de longo prazo (permanente). Isto ocorre porque seus valores renovam-se continuamente, denotando um comportamento repetitivo, ou cíclico, do investimento. Da mesma forma, o passivo circulante também inclui elementos cíclicos, determinados pelo ciclo operacional, cujos créditos renovam-se periodicamente, atribuindo um caráter permanente a seus valores.
Esses valores alteram-se unicamente consoante modificações no volume de atividade e nos prazos operacionais e não podem e nem devem ser financiados por passivos de curto prazo (não cíclicos) sob pena de a empresa depender de recursos de terceiros. |
|
|
Tela 80 |
|
|
2 - Necessidade De Capital De Giro – NCG Diferentemente do conceito tradicional, denomina-se necessidade capital de giro (NCG) a aplicação permanente ou cíclica de fundos em operações da empresa. Esta definição é um conceito econômico-financeiro, pois se refere ao saldo de contas cíclicas ligadas às operações da empresa e pode ser calculada por meio da seguinte fórmula:
Ativos Financeiros e Cíclicos - Os ativos não cíclicos são denominados financeiros e, assim como os ativos cíclicos, são reclassificações das contas exisentes no ativo circulante, em função do caráter operacional. Em contrapartida, as contas cíclicas têm como característica sua repetição permanente em função do ciclo operacional da empresa.
|
|
Tela 81 |
Passivos Financeiros e Cíclicos - Da mesma forma que o ativo, o passivo também deve ser reclassificado com vistas à análise da necessidade de capital de giro sob o ponto de vista econômico-financeiro. As contas tipicamente classificadas como passivos financeiros são as de empréstimos e financiamentos bancários de curto prazo, duplicatas descontadas, e dívidas com coligadas e controladas, dentre outras. No rol das contas de passivos cíclicos têm-se fornecedores, adiantamento de clientes, salários e encargos, despesas operacionais, participações de empregados, provisões trabalhistas, dentre outras. Observe um
exemplo, retomando o balanço anterior, cujo CCL era igual a $ 200,00.
Como mencionado, o balanço é adaptado e reagrupado em função da natureza operacional de suas contas. O critério contábil perde importância em detrimento de uma análise mais apurada em relação à gestão do giro. Calculando–se a Necessidade de Capital de Giro e o Capital Circulante Líquido tem-se:
Portanto, apesar desta empresa possuir um capital circulante líquido positivo de $ 200,00, sua necessidade de capital de giro é maior, evidenciando uma necessidade de financiamento com recursos de terceiros, normalmente a um custo elevado, da ordem de $ 40,00. |
|
|
Tela 82 |
3 - Características Da NCG Como mencionado, a necessidade de capital de giro (NCG) é diferente do capital circulante líquido (CCL) no sentido financeiro clássico. Isto porque a simples classificação contábil não permite identificar com clareza as informações dos ciclos operacionais e econômico-financeiros. É importante destacar algumas características da NCG:
O confronto entre o capital circulante líquido (CCL) e a necessidade de capital de giro (NCG) é essencial para se avaliar o equilíbrio financeiro da empresa.
Uma empresa apresentará segurança financeira caso possua um CCL maior que a NCG, pois denota excesso de recursos. |
|
|
Tela 83 |
4 - Saldo Em Tesouraria (ST) O saldo em tesouraria é o resultado da diferença entre o ativo financeiro e o passivo financeiro. O ativo e
o passivo financeiro, também denominado em muitas literaturas como
errático, são as contas circulantes que
não estão diretamente ligadas à operação
e cujos valores se alteram de forma aleatória.
O saldo em tesouraria nada mais é que um valor residual correspondente entre o capital circulante líquido (CCL) e a necessidade de capital de giro (NCG). Como visto, se o CCL for insuficiente para financiar a NCG, o ST será negativo. Se o saldo em tesouraria for negativo, o passivo financeiro ou errático será maior do que o ativo financeiro, indicando que a empresa financia parte da necessidade de capital de giro e/ou do ativo permanente com fundos de curto prazo, aumentando, portanto, seu risco de insolvência.
Se o saldo em tesouraria for positivo, a empresa disporá de fundos de curto prazo que poderão ser aplicados em títulos de liquidez imediata, como fundos de investimento, CDB, ações e open market.
|
|
|
Tela 84 |
5 - Tipos de Balanço O ciclo econômico e a rentabilidade das empresas conferem a seus demonstrativos financeiros um aspecto particular que permite enquadrá-los em quatro tipos de balanços:
Os dois primeiros tipos são os que mais aparecem na prática. Balanço Tipo 1 - O aumento das vendas durante o exercício aumenta o capital de giro e a necessidade de capital de giro simultaneamente. O capital de giro cresce devido aos fundos gerados internamente (autofinanciamento), que em geral aumentam quando as vendas aumentam. A necessidade de capital de giro (NCG) também aumenta, pois admitindo-se que a relação NCG e vendas (NCG/Vendas) permaneça constante, uma variação positiva das vendas provoca uma variação proporcional e positiva na NCG.
Apesar de possuir capital de giro positivo, a necessidade de capital de giro é maior e, dessa forma, provocando um saldo em tesouraria negativo. Isto ocorre, normalmente, em função da gestão dos ciclos operacionais das empresas. Os prazos de recebimentos são maiores que os de pagamento, o que acaba afetando o saldo em tesouraria das empresas. |
|
|
Tela 85 |
Balanço Tipo 2 - Este é um tipo de balanço de empresas cuja situação é de solidez na gestão do caixa, pois possui capital de giro maior que a sua necessidade de capital de giro em função da melhor composição de prazos de pagamento e recebimento, além de bom volume de recursos alocados no caixa.
Balanço Tipo 3 - Este tipo de balanço configura uma situação crítica, pois os indicadores evidenciam iminente insolvência. A situação aqui é pior do a apresentada no primeiro tipo, pois ocorre a união do capital de giro negativo com uma necessidade de capital de giro positivo. O risco de insolvência é grande em função do financiamento de ativos permanentes e de longo prazo com recursos de curto prazo.
|
|
|
Tela 86 |
Balanço Tipo 4 - Esta é a situação perfeita e almejada por todas as empresas, mas a mais rara de ser encontrada em função da existência de capital de giro e da inexistência da necessidade de capital de giro. Conceitualmente com o aumento das vendas durante o exercício aumenta o Capital de Giro aumenta, em valor absoluto, a necessidade de capital de giro. Como neste caso a NCG é negativa, constitui-se em fonte de fundos. Portanto as variações na NCG e no CCL provocam aumento substancial no saldo em tesouraria (ST). No caso de uma diminuição de vendas, a necessidade de capital de giro diminui, em valor absoluto, enquanto o capital de giro diminui ou apresenta um pequeno aumento.
|
||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
Tela 87 |
6 - Autofinanciamento O autofinanciamento pode ser considerado como o motor da empresa. Destinada a produzir e a trocar bens e serviços, a empresa só pode desempenhar convenientemente seu papel sob uma dupla condição: • A obtenção de um resultado econômico suficiente para garantir condições de as empresas competirem num ambiente bastante acirrado em que a concorrência é elevada. • A busca de um equilíbrio financeiro permanente. Todas as operações realizadas por uma empresa podem ser reagrupadas em quatro categorias, sendo que cada uma corresponde a uma função econômica:
Os dois primeiros tipos de operações formam o autofinanciamento da empresa.
|
|
|
Tela 88 |
7 - Efeito Tesoura O acompanhamento da evolução da necessidade de capital de giro (NCG) e do capital circulante líquido (CCL) é fundamental para uma melhor avaliação da saúde financeira de uma empresa. Muitas vezes, esse desempenho pode ocorrer de maneira desequilibrada, permitindo um crescimento da atividade empresarial acima de sua capacidade de financiamento. Quando uma empresa apresenta por vários exercícios seguidos um crescimento da NCG superior ao do CCL, diz-se que ela convive com o chamado efeito tesoura, identificado por um crescente saldo em tesouraria negativo. À medida que as necessidades cíclicas são financiadas por dívidas de curto prazo, há um aumento na diferença entre a NCG e o CCL. Observe o seguinte exemplo:
|
|
|
Tela 89 |
Você pode pensar que a inversão ocorreu em função da baixa geração de capital de giro, apenas 10% das vendas, e do alto percentual que deve ser alocado no giro, que é de 45% das vendas. Todavia, isto é uma ilusão. Caso a empresa, ao invés de crescer suas vendas a altas taxas de 50%, mantivesse um crescimento em torno de 20%, esta manteria seu saldo em tesouraria com folga, conforme evidenciado na tabela abaixo:
Alguns podem chegar à conclusão de que não se deve, então, aumentar as vendas de uma empresa sob pena de haver problemas de caixa. A lógica não é bem essa. É preciso muita atenção na gestão do caixa para que, na iminência de elevação das vendas, a empresa tenha fontes para suportar o impacto no caixa seja por meio de recursos próprios, seja na gestão do seu ciclo operacional na ocasião da negociação com clientes e fornecedores.
|
|
|
Tela 90 |
8 - Decisão de Investimento no Capital de Giro Todas as inversões que a empresa realiza convertem-se novamente em dinheiro, a curto ou a longo prazo. Para que isso ocorra, é necessário que o prazo de retorno dos financiamentos efetuados seja maior, ou pelo menos igual, ao prazo de liquidez de seus correspondentes ativos.
As decisões de investimento no capital de giro devem levar em consideração este equilíbrio financeiro. O prazo e o custo do capital são fatores primordiais na hora de tomar recursos, bem como a política de gestão. Uma gestão mais conservadora ou agressiva dependerá dos fatores externos, mas principalmente do planejamento de curto prazo da empresa. Vale lembrar que nem todo valor contabilizado no ativo circulante possui a mesma característica. O conceito gerencial de ativo circulante evidencia que uma parcela possui caráter permanente se repetindo periodicamente. São as já mencionadas contas cíclicas. O ativo circulante ainda possui aquelas contas que podem ter um caráter financeiro cujo saldo pode ser maior ou menor em determinado período do ano. Estas contas são as financeiras ou também chamadas sazonais.
O capital de giro circulante sazonal mais o cíclico formam o ativo circulante total. |
|
|
Tela 91 |
A decisão de se investir mais ou menos em uma das contas pode definir o nível de risco na gestão do capital de giro. Dessa forma, os investimentos em giro podem ser feitos com recursos de curto prazo e longo prazo. O que diferencia um do outro é o custo. Os recursos de longo prazo são mais caros, já os de curto prazo são mais baratos. Isto por que o risco é proporcional ao tempo de empréstimo. Quanto maior o tempo, maior o risco.
As empresas normalmente têm posturas diferentes frente ao financiamento do capital de giro. Na abordagem
tradicional, as empresas financiam seu capital de giro sazonal
com recursos de curto prazo, mais baratos, enquanto que o financiamento
do ativo permanente e do capital de giro permanente são financiados
com recursos de longo prazo, cujo custo é mais alto.
Já na abordagem conservadora, o capital de giro sazonal, assim como o capital de giro cíclico e o ativo permanente, também é financiado com recursos de longo prazo. |
|
|
Tela 92 |
Resumo O capital de giro constitui-se no fundamento básico da avaliação do equilíbrio financeiro de uma empresa. Pela análise de seus elementos patrimoniais, são identificados os prazos operacionais, o volume de recursos que financiam o giro e o permanente e as necessidades de investimento operacional. Para uma melhor compreensão da análise financeira, é importante entender as dinâmicas empresarias retratadas em suas contas de ativo e passivo, onde os valores são classificados em função do seu ciclo. Ou seja, o tempo que leva para realizar uma rotação. Nesse contexto, é imprescindível a análise detalhada do Capital Circulante Líquido (CCL) conjuntamente com a necessidade do capital de giro (NCG). A partir desta análise, as empresas podem tomar suas decisões quanto ao investimento no giro conforme suas políticas e necessidades. |
|
|